1 – B
A alternativa correta é letra B, pois o texto descreve uma política tarifária conduzida por Donald Trump marcada pela insubordinação às instituições democráticas nacionais, especialmente pela tentativa de ampliar o poder do Executivo em temas que tradicionalmente envolvem fiscalização e autorização de outros poderes do Estado (Legislativo e Judiciário). As tarifas comerciais impostas por Trump durante seu governo fizeram parte de uma estratégia econômica nacionalista e protecionista que buscava pressionar parceiros comerciais, reduzir déficits comerciais e fortalecer setores produtivos internos dos Estados Unidos. Entretanto, diversas dessas medidas foram alvo de disputas judiciais e críticas institucionais justamente porque teriam extrapolado limites tradicionais do poder presidencial. No sistema político estadunidense, a definição de tarifas, sanções econômicas e ações militares normalmente envolve mecanismos de controle e equilíbrio entre os poderes, especialmente o Congresso e o Judiciário. Contudo, Trump frequentemente adotou uma postura de confronto institucional, utilizando decretos executivos e interpretações amplas das leis de emergência econômica para impor tarifas sem amplo consenso legislativo. Diversas ações de seu governo foram contestadas judicialmente por empresários, estados norte-americanos e grupos econômicos que alegavam abuso de poder e prejuízos à economia. O próprio sistema de reembolso citado na reportagem demonstra que parte dessas tarifas acabou sendo questionada ou revista posteriormente, exigindo restituições bilionárias a empresários afetados. Essa postura também esteve presente em outras ações de política externa e militar associadas ao trumpismo. A ofensiva contra o Irã, incluindo ataques militares sem autorização formal do Congresso, assim como ameaças de intervenção na Venezuela e a adoção de tarifas econômicas massivas contra diversos países, reforçaram críticas de que Trump frequentemente atuava ignorando mecanismos tradicionais de controle democrático. Assim, a questão associa corretamente essas práticas a uma lógica de enfrentamento ou desrespeito às instituições democráticas nacionais e aos limites institucionais impostos ao Executivo.
2 – A
A iniciativa de reconhecimento da Jurema Sagrada como patrimônio cultural imaterial demonstra uma tendência contemporânea do Estado brasileiro de promover a valorização de grupos e culturas historicamente marginalizadas. As religiões de matriz afro-indígena, como a Jurema, sofreram ao longo da história brasileira intensos processos de discriminação, perseguição e invisibilização social, sobretudo por parte de setores ligados ao racismo estrutural, à intolerância religiosa e à imposição histórica de padrões culturais eurocêntricos. Durante muito tempo, práticas religiosas indígenas e afro-brasileiras foram tratadas como manifestações inferiores, supersticiosas ou ilegítimas, sendo frequentemente alvo de repressão policial e preconceito institucional. Nesse contexto, o reconhecimento dessas tradições como patrimônio cultural imaterial representa uma mudança importante na atuação do Estado, que passa a enxergar essas manifestações não como práticas marginalizadas, mas como elementos fundamentais da formação histórica, cultural e identitária do Brasil. O patrimônio imaterial envolve justamente saberes, rituais, celebrações, músicas, oralidades e práticas transmitidas entre gerações, valorizando dimensões culturais que não possuem materialidade física, mas que carregam profundo significado simbólico para determinados grupos sociais. Ao reconhecer oficialmente a Jurema Sagrada, o Estado contribui para fortalecer a preservação de tradições afro-indígenas e combater processos históricos de exclusão cultural. Trata-se de uma política de valorização da diversidade cultural brasileira e de reconhecimento da importância de grupos historicamente marginalizados na constituição da sociedade nacional.
3 – A
Os dados espaciais representados no mapa permitem inferir que a metrópole do Rio de Janeiro ainda concentra a maior parcela do setor terciário, isto é, das atividades relacionadas ao comércio, serviços, administração pública, sistema financeiro, educação, saúde, transportes e demais funções urbanas típicas das grandes cidades. No Brasil, assim como em países já urbanizados, o setor terciário ocupa posição central na organização econômica, concentrando a maior parte dos empregos. No caso da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, essa centralidade é ainda mais evidente porque a capital estadual historicamente desempenha funções administrativas, financeiras, culturais e turísticas de grande relevância nacional. A maior parte dos empregos da região metropolitana encontra-se justamente no setor terciário do município do Rio de Janeiro, o que é comprovado pelo menor percentual de trabalhadores que se deslocam para outros municípios (apenas 2%)
4 – A
A alternativa correta é letra A, pois o Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretado em 1968 durante o regime militar brasileiro, teve como principal consequência política a supressão dos limites institucionais ao exercício do poder governamental. O AI-5 marcou o momento de maior endurecimento da Ditadura Militar iniciada em 1964, ampliando drasticamente os poderes do Executivo e reduzindo praticamente todos os mecanismos democráticos de controle sobre o governo. A partir desse ato, o presidente da República passou a ter autoridade para fechar o Congresso Nacional, cassar mandatos parlamentares, suspender direitos políticos, intervir em estados e municípios e decretar censura prévia aos meios de comunicação, além de ampliar os instrumentos de repressão contra opositores políticos.
O AI-5 também enfraqueceu profundamente o funcionamento das instituições democráticas ao permitir que medidas autoritárias fossem adotadas sem necessidade de justificativa pública ou controle efetivo dos demais poderes. Na prática, o regime militar passou a governar acima das garantias constitucionais tradicionais, institucionalizando mecanismos de repressão, perseguição política, censura e suspensão de direitos civis. Esse período ficou conhecido como os “anos de chumbo”, caracterizado pelo aumento da violência estatal, das prisões arbitrárias, da tortura e do controle político sobre a sociedade.
5 – A
O conflito no leste da República Democrática do Congo não pode ser explicado apenas por rivalidades locais. Ele está ligado à disputa pelo controle de recursos minerais estratégicos, especialmente o coltan, do qual se extrai o tântalo, metal fundamental para a produção de celulares, computadores, equipamentos eletrônicos, componentes aeroespaciais e tecnologias militares. Nesse contexto, grupos armados como o M23 passam a controlar áreas mineradoras, rotas de circulação e pontos de extração. O domínio dessas regiões permite arrecadar dinheiro por meio da exploração mineral, da cobrança de taxas, do contrabando e da venda desses recursos no mercado internacional. Assim, a guerra se alimenta economicamente da própria mineração. Além disso, o texto mostra que o conflito envolve a atuação de Estados vizinhos, como Ruanda, acusado pela ONU e por organizações internacionais de apoiar militarmente o M23. Esse apoio pode ocorrer por meio do fornecimento de armas, treinamento, logística, financiamento, inteligência militar ou presença direta de soldados. Em muitos conflitos contemporâneos, Estados não participam apenas com seus exércitos oficiais, mas também sustentam grupos paramilitares ou milícias, utilizando-os como instrumentos indiretos de influência territorial e econômica. É o caso de potências internacionais como EUA, China e países europeus. O interesse externo é explicado pela importância geopolítica dos minerais. Potências como China e Estados Unidos disputam cadeias globais de abastecimento ligadas a tecnologias avançadas. A China possui forte presença na mineração africana e busca garantir acesso a matérias-primas fundamentais para sua indústria tecnológica. Os Estados Unidos, por sua vez, procuram reduzir a dependência de cadeias produtivas controladas por rivais estratégicos e assegurar o fornecimento de minerais críticos para seus setores eletrônico, militar e energético. Portanto, o coltan e o tântalo transformam o leste do Congo em uma área de disputa internacional, mesmo quando a violência aparece sob a forma de conflitos locais.
6 – D
As sufragistas questionavam justamente a contradição existente entre a ideia de representação política legítima nas democracias liberais e a permanência de mecanismos que restringiam a participação de parte da população, especialmente das mulheres. O texto destaca que as sociedades liberais modernas defendiam princípios universais de igualdade, cidadania e representação política, mas, ao mesmo tempo, excluíam as mulheres do direito ao voto e da participação plena na esfera pública. Essa contradição revelava que a democracia liberal do século XIX e início do século XX era limitada, já que o acesso aos direitos políticos permanecia condicionado por critérios sociais e culturais profundamente hierarquizados.
O movimento sufragista surgiu justamente para denunciar essa incompatibilidade. As mulheres reivindicavam que os princípios democráticos fossem efetivamente universais e não restritos apenas aos homens. Assim, ao exigir acesso aos mecanismos formais de participação política — como o direito ao voto, a candidatura e a participação institucional — as sufragistas colocavam em xeque a legitimidade de sistemas políticos que se apresentavam como representativos, mas excluíam metade da população de suas estruturas decisórias. Dessa forma, a luta sufragista representava uma crítica às limitações concretas das democracias liberais e à seletividade da cidadania moderna.
7 – C
A crise política em torno de Taiwan se intensifica porque a China considera a ilha uma parte inseparável de seu território nacional, mesmo que Taiwan possua governo próprio, Forças Armadas, moeda, instituições políticas e forte inserção econômica internacional. Para Pequim, Taiwan não deve ser reconhecida como Estado soberano, pois isso contrariaria o princípio de “uma só China”. Por isso, a importância estratégica da ilha no setor de semicondutores torna a disputa ainda mais sensível: qualquer aproximação entre Taiwan e os Estados Unidos é interpretada pelo governo chinês como interferência externa em uma questão territorial considerada interna.
8 – D
A ditadura de Augusto Pinochet implementou no Chile um conjunto de reformas econômicas inspiradas nas ideias neoliberais defendidas pelos chamados “Chicago Boys”, economistas influenciados pela Universidade de Chicago. Entre as medidas adotadas estavam privatizações, abertura ao capital estrangeiro, redução da participação estatal na economia e flexibilização das relações trabalhistas. Esse modelo diferenciou o caso chileno de outras ditaduras sul-americanas do período, que geralmente mantiveram forte presença do Estado na condução econômica.
9 – B
O texto descreve o crescimento urbano da Zona Norte do Rio de Janeiro a partir da expansão das ferrovias e, posteriormente, dos transportes rodoviários. As estações ferroviárias funcionaram como pontos de atração populacional e estimularam a formação de núcleos suburbanos. Com o tempo, esses núcleos passaram a se expandir e a se aproximar uns dos outros, formando uma malha urbana cada vez mais contínua. Esse processo corresponde ao incremento populacional, isto é, ao aumento da ocupação urbana, e à conurbação, que ocorre quando áreas urbanas antes separadas passam a se unir espacialmente. A alternativa (A) está incorreta porque, embora a segregação social possa ser associada à urbanização desigual do Rio de Janeiro, o texto não trata de gentrificação, processo ligado à valorização imobiliária de áreas populares e à substituição de seus moradores por grupos de maior renda. Esse fenômeno não corresponde ao contexto descrito para a formação inicial dos subúrbios ferroviários da Zona Norte. A alternativa (C) está incorreta porque o texto não aponta para revitalização estrutural nem para esvaziamento da área central. Ao contrário, destaca a expansão da cidade para além do núcleo central, com formação de novos bairros e crescimento das áreas suburbanas. A alternativa (D) está incorreta porque o texto não enfatiza remoções forçadas nem deslocamentos compulsórios. Também não afirma simplesmente uma urbanização sem planejamento; o foco está na relação entre os sistemas de transporte, especialmente ferrovias e rodovias, e a expansão da ocupação urbana.
10 – D
O texto associa a ideia de “transferência” populacional à defesa de um território organizado segundo a predominância exclusiva de um grupo nacional, étnico ou religioso sobre outro. Ao afirmar que “não há espaço no país para os dois povos” e que seria necessário remover os árabes para países vizinhos, o discurso citado procura justificar a expulsão ou subordinação de uma população em nome da superioridade política de outro grupo. Por isso, trata-se de uma lógica supremacista, pois naturaliza a desigualdade entre povos e legitima a exclusão territorial dos palestinos. A alternativa (a) está incorreta porque o darwinismo social costuma justificar desigualdades humanas a partir de uma leitura deturpada da seleção natural, defendendo a ideia de competição entre povos, raças ou nações. Embora possa haver aproximações históricas entre colonialismo e discursos racializados, o texto não se apoia diretamente em uma justificativa biológica ou evolucionista, mas na defesa da posse exclusiva do território por um grupo. A alternativa (b) está incorreta porque o cosmopolitismo pressupõe abertura à convivência entre diferentes povos, culturas e identidades, geralmente associado à ideia de cidadania universal ou pluralidade cultural. O texto, ao contrário, apresenta uma concepção excludente de território. A alternativa (c) está incorreta porque o isolacionismo se refere a uma postura de afastamento em relação a alianças, conflitos ou compromissos internacionais. Esse conceito não explica a remoção forçada de uma população local nem a tentativa de legitimar a ocupação exclusiva de uma área. A questão trabalha a relação entre nacionalismo, colonialismo de povoamento e limpeza étnica, exigindo que o aluno perceba que a “transferência” mencionada no texto não é apenas uma política migratória, mas uma forma de justificar a retirada de um povo de seu território para consolidar o domínio de outro.
11 – B
A regionalização dos “Quatro Brasis”, proposta por Milton Santos e María Laura Silveira, considera principalmente a forma desigual como o território brasileiro foi incorporado ao meio técnico-científico-informacional. Ou seja, o critério central não é apenas natural, econômico ou político-administrativo, mas a densidade diferenciada de técnica, ciência, informação, infraestrutura, redes, transportes, telecomunicações, finanças e comando produtivo no espaço nacional.
A chamada Região Concentrada, formada principalmente pelo Sudeste e pelo Sul, aparece como a área de maior densidade técnica e informacional, reunindo os principais centros financeiros, industriais, logísticos, científicos e de decisão do país. Já a Amazônia, o Nordeste e o Centro-Oeste apresentam outras formas de integração ao território nacional, com diferentes níveis de presença técnica, articulação produtiva e controle econômico.
12 – D
A desagregação da antiga Iugoslávia, ocorrida nos anos 1990, esteve relacionada ao enfraquecimento do poder central em meio à crise do bloco socialista e ao fim da influência soviética no Leste Europeu. Nesse contexto, antigas tensões étnicas, culturais e religiosas ganharam força, estimulando movimentos nacionalistas nas diferentes repúblicas que compunham a federação iugoslava. A combinação entre crise política, disputas regionais e reivindicações identitárias resultou em processos de independência e em conflitos armados nos Bálcãs. Assim, a alternativa “D” identifica corretamente a relação entre fragmentação territorial e ascensão dos nacionalismos. As demais alternativas estão incorretas porque indicam continuidade do socialismo (“B”), integração política (“A”) ou estabilidade federativa (“C”), elementos incompatíveis com o cenário de dissolução representado no texto e no mapa.
13 – C
Primeiramente, é preciso observar que a cidade encontra-se em altas latitudes, ou seja, está distante da faixa equatorial. Quanto mais distante do Equador, menores tendem a ser as temperaturas. Além disso, como se encontra distante de grandes corpos hídricos, Ulã Bator sofre com o efeito da continentalidade, que promove uma grande amplitude térmica anual e justifica os invernos com baixíssimas temperaturas.
14 – D
O governo de Juscelino Kubitschek implementou um projeto desenvolvimentista baseado na aceleração da industrialização brasileira, sintetizado no Plano de Metas. Nesse contexto, a expansão das rodovias não representava apenas uma política de transportes, mas fazia parte de uma estratégia econômica mais ampla voltada à substituição de importações e à consolidação da indústria de bens duráveis no país. A atração de montadoras estrangeiras, favorecida por incentivos estatais e pela ampliação da infraestrutura viária, buscava reduzir a dependência de produtos industrializados importados e fortalecer o mercado interno. Assim, o rodoviarismo articulava-se diretamente ao crescimento da indústria automobilística, tornando-se um dos principais símbolos do modelo econômico adotado durante o período JK.