GABARITO – SIMULADO 3 – PROJETO UERJ 2027 1EQ
1 – B
A UERJ sempre defenderá que haja um balanço de forças entre os três poderes (executivo, legislativo e judiciário), afinal, esta é a base de um sistema democrático. O Ato Institucional nº 5 (AI-5) representa o auge do autoritarismo e da centralização de poder durante a Ditadura Civil-Militar brasileira. O conceito central para compreender esta questão é a hipertrofia do Poder Executivo, processo pelo qual a figura do Presidente da República passa a deter prerrogativas que, em uma democracia, seriam divididas ou controladas pelos poderes Legislativo e Judiciário. O contexto de 1968 foi marcado por uma forte efervescência social, com a Passeata dos Cem Mil, greves operárias em Osasco e Contagem, e a resistência parlamentar. A edição do AI-5 foi a ferramenta utilizada pelo grupo militar conhecido como “linha dura” para encerrar qualquer possibilidade de diálogo ou oposição. Na prática, o documento conferiu ao Executivo um poder discricionário, ou seja, a capacidade de agir com base na própria vontade, sem a necessidade de fundamentação jurídica ou autorização prévia de outros órgãos. Ao permitir que o Presidente fechasse o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas, o AI-5 anulou a função fiscalizadora do Legislativo. Ao suspender o habeas corpus para crimes políticos, o ato retirou do Poder Judiciário a sua principal ferramenta de proteção aos direitos individuais contra abusos do Estado. Portanto, o tema principal da questão é o Estado de Exceção, onde a ordem jurídica é suspensa em favor da segurança nacional, transformando o Executivo no único poder efetivo e inquestionável do país. Esse fortalecimento permitiu que o regime implementasse sua política de repressão de forma sistemática, consolidando o controle estatal sobre todos os aspectos da vida política e civil brasileira.
2 – B
A gentrificação é um processo de transformação socioespacial que ocorre quando áreas urbanas degradadas ou desvalorizadas passam por intervenções de infraestrutura e embelezamento, resultando na sua valorização econômica. O conceito central desta discussão é a elitização do espaço urbano, onde o investimento público e privado altera a lógica de mercado daquela localidade. A banca da UERJ sempre cobra este tipo de raciocínio em que populações de baixa renda sofrem prejuízos em prol de uma lógica capitalista da cidade. No contexto da região portuária do Rio de Janeiro (projeto Porto Maravilha), o fenômeno da gentrificação manifestou-se por meio da “reciclagem” do uso do solo. O Estado investiu em equipamentos culturais (como o Museu do Amanhã e o MAR), demolição de estruturas antigas (como o Elevado da Perimetral) e modernização de vias. Essas melhorias, embora positivas do ponto de vista da infraestrutura, geram uma externalidade social perversa: o aumento drástico do custo de vida. Os impostos (IPTU), os aluguéis e os serviços básicos tornam-se caros demais para os moradores tradicionais e pequenos comerciantes locais. O tema principal aqui é o conflito pelo direito à cidade. A gentrificação não resolve o problema da degradação social; ela apenas “expulsa” a pobreza para áreas mais periféricas, substituindo o perfil socioeconômico original por novos usuários com maior poder aquisitivo e grandes empresas. Esse deslocamento forçado é o que geógrafos chamam de expulsão branca, onde a barreira financeira impede que a população que historicamente ocupava o local usufrua das melhorias realizadas. Portanto, o texto descreve perfeitamente a substituição de populações tradicionais em função da requalificação urbana voltada para o mercado imobiliário e o turismo.
3 – C
O movimento de Canudos é o exemplo mais emblemático do messianismo no Brasil republicano. O conceito de messianismo, no contexto das Ciências Humanas, refere-se a movimentos sociais e religiosos liderados por uma figura carismática — o “messias” — que promete a salvação, a justiça social e a superação de uma realidade de extrema miséria ou opressão por meio de uma intervenção divina ou da construção de uma sociedade alternativa. Antônio Conselheiro encarnou essa figura para as populações marginalizadas do sertão baiano, oferecendo não apenas um discurso religioso, mas uma estrutura de vida digna. O contexto histórico de Canudos é marcado pela profunda desigualdade social do Nordeste brasileiro no final do século XIX. Após a Proclamação da República (1889) e a abolição da escravidão (1888), grandes massas de sertanejos ficaram desamparadas pelo Estado e submetidas ao poder local dos coronéis (coronelismo). Conselheiro surgiu nesse cenário como um líder que oferecia uma alternativa ao sistema vigente: o Arraial de Belo Monte (Canudos). A comunidade era baseada na autossuficiência, na posse coletiva da terra e na negação dos símbolos da nova República, como o casamento civil e a cobrança de impostos, que eram vistos como sinais do “Anticristo”.
4 – C
O fenômeno da desindustrialização refere-se à redução relativa ou absoluta da atividade industrial em uma determinada região ou país, manifestando-se pela perda de postos de trabalho no setor secundário, fechamento de unidades fabris e diminuição da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB). O conceito central aqui é a reorganização espacial da produção, impulsionada pela globalização e pela busca corporativa por vantagens locacionais, como mão de obra barata, infraestruturas logísticas disponíveis, custo da energia, incentivos fiscais e legislações ambientais flexíveis. No caso de Detroit, o exemplo é clássico e pedagógico. A cidade, berço do Fordismo, sofreu com a fuga de capitais e o deslocamento das montadoras para o Sudeste Asiático e para o México. Esse processo não é apenas uma mudança de endereço das fábricas, mas uma transformação estrutural que gera o esvaziamento urbano. O tema principal da questão é a divisão internacional do trabalho (DIT) na era pós-fordista: enquanto os países desenvolvidos (como os EUA) passam a focar em setores de alta tecnologia, serviços e finanças, a produção manufatureira pesada migra para países periféricos ou emergentes. A desindustrialização de Detroit resultou em um efeito dominó socioespacial. Com a saída das indústrias, houve uma queda drástica na arrecadação de impostos, o que impediu a manutenção dos serviços públicos e levou a cidade à falência oficial em 2013. Áreas inteiras tornaram-se “zonas fantasmas”, marcadas por galpões abandonados e degradação habitacional..
5 – B
A origem do conflito em Nagorno-Karabakh está intrinsecamente ligada à engenharia geopolítica da União Soviética (URSS) no início do século XX. O conceito central para entender esta questão é o de enclave étnico, uma área onde a população pertence a um grupo étnico (neste caso, armênios cristãos), mas está situada dentro das fronteiras políticas de outro Estado (o Azerbaijão, de maioria muçulmana e etnia turca). Na década de 1920, sob a administração de Josef Stalin, o governo soviético decidiu integrar a região de Nagorno-Karabakh à República Socialista Soviética do Azerbaijão, apesar de a população ser majoritariamente armênia e cristã. Essa estratégia de “dividir para governar” era comum no período soviético: ao criar fronteiras que não coincidiam com as divisões étnicas reais, Moscou garantia que as repúblicas dependessem do poder central para mediar conflitos internos, dificultando movimentos de independência nacionalista.
O tema principal aqui é a crise das nacionalidades pós-URSS. Enquanto a União Soviética existiu, o controle férreo de Moscou manteve as tensões latentes sob controle. Contudo, com o enfraquecimento e a posterior dissolução da URSS em 1991, essas divisões territoriais arbitrárias transformaram-se em linhas de frente. A população de Nagorno-Karabakh declarou independência, buscando unir-se à Armênia, o que deu início à primeira guerra entre os cristãos armênios e os muçulmanos do Azerbaijão. O bloqueio do Corredor de Lachin, mencionado no texto, é a faceta mais recente dessa disputa, representando uma tentativa de asfixia logística do enclave para forçar a integração total ao Azerbaijão.
6- D
A instalação de plataformas, o intenso tráfego de embarcações de apoio e a própria infraestrutura submarina criam zonas de exclusão para a navegação, impedindo que pescadores artesanais acessem suas áreas históricas de captura. Além disso, conforme mencionado no texto por Suely Araújo, a região possui correntes marinhas fortíssimas e um ecossistema recifal único. Qualquer incidente, como vazamentos de óleo ou descarte de cascalhos de perfuração, compromete diretamente a biodiversidade marinha, afetando o ciclo de reprodução das espécies e, consequentemente, a produtividade da pesca. A questão discute o embate entre a lógica do desenvolvimento extrativista global e a manutenção dos modos de vida locais. Enquanto a entrada de gigantes como Exxon Mobil, Chevron e CNPC visa o lucro imediato e a segurança energética, as comunidades ribeirinhas e litorâneas do Amapá e do Pará dependem da integridade do ecossistema para sua subsistência. A exploração petrolífera tende a gerar uma “economia de enclave”, onde a riqueza gerada é exportada, restando para a região o aumento do custo de vida, a pressão sobre serviços públicos e a degradação de atividades econômicas ancestrais, como a pesca e a coleta, que são a base da segurança alimentar e da identidade cultural dessas populações.
7 – A
O conceito de racismo ambiental, já abordado na prova da UERJ como “preconceito ambiental”, refere-se à imposição desproporcional de custos e danos ambientais a populações etnicamente vulnerabilizadas (negros, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais). Diferente de uma “desigualdade social” genérica, o racismo ambiental identifica que o Estado e o mercado direcionam equipamentos indesejados — como lixões, indústrias poluentes e aterros sanitários — para territórios onde a resistência política é menor devido à marginalização histórica desses grupos. O contexto da questão, baseado em dados do Instituto Pólis, revela que a escolha de locais para o descarte de resíduos não é tecnicamente neutra. Ela segue uma geografia da exclusão, onde o corpo negro e os territórios periféricos são tratados como “zonas de sacrifício”. Enquanto áreas nobres contam com coleta eficiente e parques, as periferias recebem o “passivo urbano” (aquilo que a cidade produz de ruim, mas não quer ver). Esse processo gera um ciclo de degradação: a contaminação do solo e da água compromete a saúde pública, desvaloriza ainda mais o território e aprofunda a exclusão econômica dos moradores. A prática do racismo ambiental demonstra que o direito ao meio ambiente equilibrado, previsto na Constituição, é distribuído de forma desigual. Nas decisões de planejamento urbano, as populações com menor capital político e econômico acabam sendo as mais expostas a riscos e problemas ambientais. Portanto, o texto descreve como as estruturas do racismo moldam a própria organização física das cidades, decidindo quem merece viver em um ambiente limpo e quem deve conviver com os dejetos da sociedade de consumo.
8 – A
A Revolução Pernambucana de 1817 é o único movimento de revolta do período joanino que ultrapassou a fase da conspiração e efetivamente tomou o poder, instalando uma República por 75 dias. O conceito central para entender este levante é o anticolonialismo, manifestado na rejeição direta à exploração promovida pela Corte Portuguesa, que, desde 1808, estava instalada no Rio de Janeiro. O contexto histórico era de profunda crise econômica no Nordeste, devido à queda do preço do açúcar e do algodão no mercado internacional e à seca de 1816. Somado a isso, o descontentamento da elite local e das camadas populares crescia diante dos altos impostos cobrados para sustentar os luxos da família real no Sudeste e as guerras de expansão no Prata. O tema principal da questão é o choque entre o absolutismo monárquico e os ideais iluministas. Diferente de revoltas anteriores, a de 1817 teve um caráter liberal e republicano influenciado pelas Revoluções Americana e Francesa. Ao proclamar a liberdade de imprensa, a tolerância religiosa (apesar da forte presença de padres no movimento, como Frei Caneca) e a igualdade de direitos (embora tenha mantido a escravidão para garantir o apoio dos senhores de engenho), os revolucionários pernambucanos buscavam a ruptura definitiva com o pacto colonial e com a centralização administrativa portuguesa. Portanto, o movimento foi anticolonial porque propunha a emancipação política e a construção de uma nação soberana, baseada em princípios de autonomia regional e federalismo. A repressão violenta enviada por D. João VI não conseguiu apagar o sentimento separatista da região, que voltaria a explodir anos depois na Confederação do Equador (1824), consolidando Pernambuco como o principal polo de resistência ao autoritarismo da Coroa e, posteriormente, do Império.
9 – B
O governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961) é o marco do Nacional-Desenvolvimentismo no Brasil. O conceito central para compreender o Plano de Metas é o Tripé Econômico, uma estratégia de financiamento do crescimento que articulava três fontes de capital distintas e complementares: Capital Estatal: Investido em infraestrutura (energia e transportes) e indústrias de base (siderurgia); Capital Privado Nacional: Focado em bens de consumo não duráveis (alimentos, têxteis); e Capital Estrangeiro: Atraído para setores de tecnologia avançada e bens de consumo duráveis (especialmente a indústria automobilística). O contexto da década de 1950 era de expansão das empresas transnacionais após a Segunda Guerra Mundial. JK percebeu que, para modernizar o Brasil “50 anos em 5”, o país precisaria de tecnologia e recursos que o capital interno ainda não possuía. Por isso, ofereceu incentivos fiscais e cambiais (como a Instrução 113 da SUMOC) para que grandes corporações estrangeiras, como a Volkswagen, Ford e Willys, instalassem suas fábricas em solo brasileiro. Ao atrair multinacionais, JK promoveu uma industrialização por substituição de importações mais sofisticada, mas também gerou consequências estruturais duradouras, como o aumento da dívida externa e a dependência tecnológica. A construção de Brasília e a expansão das rodovias (como a Belém-Brasília) foram peças fundamentais dessa engrenagem, criando o mercado consumidor e a logística necessários para que esses produtos industriais circulassem pelo território nacional.
10 – C
O Japão enfrenta atualmente um dos cenários demográficos mais críticos do mundo, caracterizado pelo fenômeno do envelhecimento populacional acentuado e pela queda drástica na taxa de fecundidade (número médio de filhos por mulher). O conceito central para compreender a iniciativa do governo de Fumio Kishida é o de sustentabilidade da estrutura etária. Quando a base da pirâmide etária (jovens) encolhe e o topo (idosos) se alarga, o país caminha para um colapso do sistema previdenciário e uma escassez severa de mão de obra. O investimento de US$ 25 bilhões é uma tentativa de reverter o chamado “inverno demográfico”. No médio e longo prazo, o objetivo estratégico de subsidiar a criação de filhos, o pré-natal e a educação não é apenas social, mas puramente econômico. O governo japonês busca garantir a reposição da População Economicamente Ativa (PEA). Sem uma nova geração de trabalhadores, a produtividade industrial do país cai, o consumo interno estagna e a proporção de trabalhadores ativos para sustentar cada aposentado torna-se insustentável. O Japão já ultrapassou a fase em que o bônus demográfico (maior número de ativos do que dependentes) era o motor do seu crescimento. Atualmente, o país vive o ônus demográfico. Ao promover horários flexíveis e licenças-paternidade, o Estado tenta remover as barreiras culturais e financeiras que impedem os jovens casais de ter filhos em uma sociedade de alto custo de vida e jornadas de trabalho exaustivas. O investimento bilionário é uma tentativa de “oxigenar” o mercado de trabalho futuro, garantindo que o Japão continue sendo uma potência econômica viável nas próximas décadas.
11 – B
O climograma de Brasília é a representação gráfica clássica do Clima Tropical Típico (ou Tropical Semiúmido), que domina a região do Cerrado brasileiro. O conceito central para identificar a alternativa correta é a sazonalidade das precipitações, marcada pela alternância nítida entre duas estações bem definidas ao longo do ano. No climograma, podemos identificar o clima tropicaç típico ao observar: 1 – Regime de Chuvas (Colunas): As barras de precipitação apresentam um formato de “U” ou “vale”. Há uma forte concentração de chuvas nos meses de verão e primavera (outubro a março), quando a massa Equatorial Continental (mEc) está mais ativa. Em contraste, os meses de inverno (junho, julho e agosto) apresentam colunas baixíssimas ou inexistentes, evidenciando a estiagem severa típica do Planalto Central, influenciada pelo domínio de massas de ar seco e pela atuação de centros de alta pressão; 2 – Comportamento Térmico (Linha): A linha de temperatura em Brasília é relativamente estável, caracterizando uma baixa amplitude térmica anual (diferença entre a média do mês mais quente e a do mês mais frio). Como a cidade está em uma zona intertropical e em altitude (cerca de 1.100 metros), as médias térmicas costumam oscilar entre 18°C e 24°C. No climograma, a linha de temperatura não sofre grandes quedas (como ocorreria em climas temperados ou no Sul do Brasil), mantendo-se elevada durante quase todo o ano, com leves declínios nos meses de inverno devido à passagem eventual de frentes frias (massa Polar atlântica – mPa). As alternativas erradas correspondem ao climograma das seguintes cidades: a) Gramado (RS) – Clima Subtropical: O climograma de Gramado representa o clima Subtropical Úmido, típico das latitudes ao sul do Trópico de Capricórnio. A principal diferença em relação ao clima de Brasília é a alta amplitude térmica anual. No gráfico, a linha de temperatura apresenta uma curvatura acentuada em formato de “U” invertido, com médias que podem cair abaixo de 10°C no inverno e ultrapassar 22°C no verão. Quanto às chuvas (colunas), elas são bem distribuídas ao longo de todo o ano, sem uma estação seca definida. Isso ocorre pela atuação constante da Frente Polar e da Massa Polar atlântica ($mPa$), que provocam chuvas frontais mesmo nos meses mais frios. Alternativa c) Rio de Janeiro (RJ) – Clima Tropical Litorâneo (Úmido): O climograma do Rio de Janeiro reflete a influência direta da maritimidade e da Massa Tropical atlântica (mTa). Embora também apresente temperaturas elevadas o ano todo, sua amplitude térmica é menor que a de Gramado, mas as médias de inverno são mais altas que as de Brasília. O diferencial está no regime de chuvas: as precipitações são abundantes, com um máximo no verão (devido à convecção e frentes frias) e uma redução no inverno, mas não há uma estiagem severa como a do Cerrado. A umidade vinda do oceano garante que chova o suficiente para manter a vegetação de Mata Atlântica, ao contrário da secura característica do inverno brasiliense. Alternativa d) João Pessoa (PB) – Clima Tropical Litorâneo Úmido (Nordeste): O climograma de João Pessoa apresenta uma particularidade da climatologia brasileira: o regime de chuvas de outono-inverno. Diferente de Brasília (onde chove no verão), o litoral oriental do Nordeste recebe suas maiores precipitações entre os meses de abril e agosto. Isso ocorre devido ao fenômeno das “Ondas de Leste” e ao encontro da Massa Polar Atlântica com a Massa Tropical Atlântica sobre a costa. No climograma, as colunas de chuva formam um “pico” justamente nos meses em que Brasília está seca. Além disso, a linha de temperatura é extremamente estável e elevada (quase reta), dada a proximidade com a Linha do Equador, resultando em uma amplitude térmica baixíssima.
12 – C
A questão da Caxemira é um dos conflitos territoriais mais antigos e perigosos do mundo contemporâneo, envolvendo duas potências nucleares: Índia e Paquistão. O conceito central para compreender a permanência dessa disputa é a herança da Partilha da Índia (1947), processo de independência do domínio britânico que dividiu o subcontinente com base em critérios religiosos. O contexto histórico remete à retirada britânica, quando foram criados dois Estados: a União Indiana (de maioria hindu e caráter secular) e o Domínio do Paquistão (de maioria muçulmana). A Caxemira era um “Estado Principesco” com uma característica singular e explosiva: possuía uma população majoritariamente muçulmana, mas era governada por um Marajá (líder local) hindu. No momento da partilha, o governante optou por integrar-se à Índia, decisão que nunca foi aceita pelo Paquistão, que reivindica o território com base na identidade religiosa da população. Essa combinação de clivagens etnorreligiosas (o conflito entre as identidades hindu e muçulmana) com uma partilha territorial mal resolvida resultou em uma região altamente militarizada, marcada por três guerras formais e constantes escaramuças na chamada “Linha de Controle”. Além do fator identitário, há um componente estratégico crucial: a Caxemira é a nascente de rios fundamentais para a agricultura e sobrevivência de ambos os países (como o Rio Indo), transformando a questão também em uma disputa por segurança hídrica.
13 – D
Em questões de geografia urbana da UERJ, é fundamental compreender que, em uma cidade capitalista, o solo urbano e a propriedade são vistos como mercadoria. Diante da imensa crise por moradia, a Constituição criou medidas para reduzir o problema. O Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001) é a regulamentação dos artigos 182 e 183 da Constituição Federal de 1988, estabelecendo as diretrizes gerais da política urbana no Brasil. O conceito central para compreender esta questão é a Função Social da Propriedade. Diferente de uma visão absoluta do direito de propriedade, o Estatuto determina que o proprietário de um imóvel urbano tem o dever de dar a ele um uso que beneficie a coletividade, seja para habitação, comércio, serviços ou lazer. Trata-se, portanto, de uma lei que visa promover uma redução da especulação imobiliária, uma prática de mercado onde proprietários mantêm terrenos ou prédios vazios em áreas valorizadas (com infraestrutura de transporte, luz e esgoto), esperando que a valorização do entorno aumente o preço do seu imóvel sem que ele precise investir nada. Isso gera os chamados vazios urbanos, que empurram as populações mais pobres para periferias cada vez mais distantes, encarecendo o custo dos serviços públicos e do transporte.
14 – A
A alternativa A está correta porque a chamada Lei de Cotas, instituída na Constituição de 1934 durante o governo de Getúlio Vargas, buscava regular a entrada de estrangeiros no Brasil com base em critérios nacionais. Na prática, o objetivo era selecionar o tipo de imigrante que chegaria ao país. O governo temia a entrada de trabalhadores estrangeiros envolvidos com movimentos sindicais, socialistas ou anarquistas, que haviam participado de mobilizações operárias no início do século XX. Assim, a legislação procurava limitar a chegada de grupos considerados politicamente “indesejáveis”, reforçando uma política migratória alinhada ao nacionalismo e ao controle social característicos da Era Vargas.