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Projeto UERJ 2027 1EQ: Simulado 2 [Gabarito]

Confira o gabarito de respostas abaixo.

GABARITO – SIMULADO 2 – PROJETO UERJ 2027 1EQ

1 – C
A charge representa Donald Trump construindo um “muro” de tarifas, numa referência à política comercial protecionista adotada por seu governo, especialmente a partir de disputas comerciais com países como China, União Europeia e outros parceiros econômicos. As tarifas são impostos aplicados sobre produtos importados e, em teoria, buscam proteger a indústria nacional ao tornar os produtos estrangeiros mais caros. Entretanto, no contexto atual da economia mundial, marcado pela desconcentração e internacionalização das cadeias produtivas, essa política tende a gerar efeitos contrários aos desejados. Hoje, a produção de bens é organizada em cadeias globais de valor, nas quais diferentes etapas do processo produtivo ocorrem em diversos países. Um produto final vendido nos Estados Unidos pode conter peças fabricadas na Ásia, matérias-primas extraídas na América Latina e componentes tecnológicos desenvolvidos na Europa. Dessa forma, quando o governo estadunidense impõe tarifas sobre produtos importados, ele não atinge apenas concorrentes estrangeiros, mas também encarece insumos utilizados pelas próprias empresas americanas. Como consequência, o aumento das tarifas eleva o custo de produção das empresas e esse custo adicional tende a ser repassado ao consumidor final. Isso provoca pressões inflacionárias, pois peças, equipamentos, alimentos e diversos bens intermediários passam a custar mais caro. Em vez de fortalecer exclusivamente a indústria doméstica, a medida pode gerar encarecimento generalizado de produtos no mercado interno, afetando diretamente o poder de compra da população. Medidas protecionistas desse tipo só teriam maior eficácia se todas as etapas do processo produtivo estivessem concentradas dentro do território nacional, ou seja, se a economia fosse capaz de produzir internamente todos os insumos necessários. Como isso não corresponde à realidade da economia global contemporânea, a imposição de tarifas tende a produzir um efeito colateral importante: o aumento do custo de vida para os próprios cidadãos dos Estados Unidos.

2 – D
Os embargos impostos pelos Estados Unidos a Cuba têm como objetivo central pressionar politicamente o governo cubano, restringindo suas relações comerciais e financeiras internacionais para enfraquecer o regime e incentivar mudanças no sistema político e econômico da ilha. A origem desse embargo está diretamente ligada ao contexto da Guerra Fria. Após a Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro, o novo governo adotou medidas como a nacionalização de empresas estrangeiras — muitas delas norte-americanas — e iniciou uma aproximação política e econômica com a União Soviética. Em um momento de forte disputa ideológica entre capitalismo e socialismo, os Estados Unidos passaram a considerar Cuba uma ameaça estratégica no continente americano, sobretudo porque a ilha estava localizada a poucos quilômetros da Flórida. Em resposta, Washington adotou uma série de medidas de isolamento econômico que culminaram no embargo comercial formalizado em 1962, durante o governo de John F. Kennedy. O objetivo dessas sanções era estrangular economicamente o regime cubano, dificultando seu acesso a mercados, crédito internacional, tecnologia e investimentos. A estratégia fazia parte de uma lógica maior de contenção do socialismo no hemisfério ocidental, alinhada à política externa norte-americana do período, que também se baseava em princípios como a Doutrina Monroe e a Doutrina Truman. Ao restringir o comércio com Cuba e pressionar outros países a fazerem o mesmo, os EUA esperavam provocar insatisfação interna e eventualmente levar à queda do governo revolucionário. Com o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética em 1991, muitos analistas acreditavam que o embargo perderia sua razão de ser. No entanto, ele foi mantido e até reforçado por leis posteriores, como a Lei Torricelli (1992) e a Lei Helms-Burton (1996), que ampliaram as sanções e dificultaram sua revogação sem aprovação do Congresso norte-americano. No contexto atual, os EUA justificam o embargo com base em críticas ao regime político cubano, especialmente relacionadas à falta de pluralismo político, restrições às liberdades civis e violações de direitos humanos. Na prática, o embargo continua sendo utilizado como instrumento de pressão diplomática, buscando forçar reformas políticas e econômicas em Cuba. Contudo, ele também é alvo de fortes críticas internacionais, inclusive em votações recorrentes na Assembleia Geral da ONU, onde a maioria dos países defende o fim das sanções, argumentando que elas afetam principalmente a população civil e dificultam o desenvolvimento econômico da ilha. Assim, tanto no passado quanto no presente, o embargo norte-americano contra Cuba pode ser compreendido como uma ferramenta geopolítica de pressão, inicialmente vinculada à disputa ideológica da Guerra Fria e atualmente associada às tensões políticas entre os Estados Unidos e o regime cubano.

3 – C
A Reforma Pereira Passos, realizada no início do século XX (1902–1906), promoveu várias transformações urbanas na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República. Inspirada nas reformas de Paris conduzidas pelo Barão de Haussmann no século XIX, a intervenção buscava modernizar a cidade, melhorar as condições sanitárias e adequar o espaço urbano aos padrões estéticos e funcionais das grandes metrópoles europeias. Para isso, foram abertas largas avenidas — como a Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) —, demolidos cortiços e remodeladas áreas consideradas insalubres do centro da cidade. Essas transformações urbanísticas provocaram uma mudança no valor do solo urbano. A abertura de grandes avenidas, a melhoria da infraestrutura, a instalação de serviços urbanos e a renovação arquitetônica tornaram o centro do Rio de Janeiro um espaço mais atrativo para atividades comerciais, financeiras e administrativas. Como consequência, ocorreu um processo de valorização imobiliária, no qual os terrenos e imóveis localizados nessas áreas passaram a ter preços mais elevados devido ao aumento da demanda e à melhoria das condições urbanas. Ao mesmo tempo, a reforma promoveu a expulsão de populações pobres que viviam nos cortiços do centro, fenômeno conhecido como “bota-abaixo”. Com a demolição dessas moradias populares e o encarecimento dos imóveis, grande parte da população de baixa renda foi deslocada para áreas periféricas ou encostas de morros, contribuindo para o surgimento e expansão das primeiras favelas. Assim, além de modernizar a cidade, a reforma também reforçou processos de segregação socioespacial, ao tornar o centro urbano cada vez mais valorizado e inacessível para os grupos mais pobres.

4 – A
A pirâmide demonstra uma sociedade muito jovem, com altas taxas de natalidade e baixo índice de idosos. Normalmente estas pirâmides são associadas a sociedades rurais, que ainda estão iniciando seu processo de urbanização. A pirâmide está associada ao continente africano, que ainda é rural em sua totalidade. A África, sobretudo a região subsaariana, terá grande preponderância no crescimento populacional do século XXI.

5 – C
O texto apresenta o contexto da Constituição brasileira de 1988, elaborada após o período da Ditadura Militar (1964–1985). Durante esse regime autoritário, houve forte concentração de poder no Executivo, restrições às liberdades civis, censura, perseguições políticas e limitação da participação popular nas decisões do Estado. Com o processo de redemocratização, a Assembleia Constituinte de 1987–1988 buscou construir um novo arranjo institucional que impedisse a repetição dessas práticas autoritárias. Nesse sentido, a Constituição incorporou diversas demandas de movimentos sociais, sindicatos e organizações civis, ampliando direitos e estabelecendo mecanismos institucionais de controle do poder estatal. Assim, o objetivo central da nova ordem constitucional foi institucionalizar garantias contra práticas autoritárias, criando instrumentos capazes de proteger as liberdades individuais e assegurar a participação democrática. Entre esses mecanismos estão a ampliação dos direitos fundamentais, a criação de instrumentos de participação popular (como plebiscito, referendo e iniciativa popular), o fortalecimento do Ministério Público e o estabelecimento de um sistema de freios e contrapesos entre os poderes. Essas medidas tinham como finalidade evitar a concentração excessiva de poder e garantir que o Estado estivesse submetido às regras democráticas e à fiscalização da sociedade.

6 – D
A alternativa correta é letra D, pois os textos expressam duas correntes distintas do movimento negro nos Estados Unidos nos anos 1960, mas que compartilhavam um objetivo comum: questionar as estruturas institucionais que sustentavam as desigualdades raciais na sociedade norte-americana. O movimento pelos direitos civis surgiu em um contexto marcado pela persistência das leis de segregação racial (leis Jim Crow) no sul dos Estados Unidos, que impunham separação entre brancos e negros em escolas, transportes, restaurantes, espaços públicos e até no direito ao voto. Embora a escravidão tivesse sido abolida no século XIX, a população negra continuava submetida a um sistema de discriminação legal, violência racial e exclusão política. Na década de 1950 e especialmente nos anos 1960, organizações como a NAACP (National Association for the Advancement of Colored People), a Southern Christian Leadership Conference (SCLC) e o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) passaram a organizar campanhas contra a segregação racial. Um dos principais líderes desse movimento foi Martin Luther King Jr., que defendia a estratégia da não-violência e da desobediência civil, inspirada nas ideias de Mahatma Gandhi. Essa estratégia buscava expor a injustiça do sistema segregacionista e pressionar o Estado a promover reformas legais. Mobilizações como o boicote aos ônibus de Montgomery (1955–1956), as marchas pacíficas e a Marcha sobre Washington em 1963 foram fundamentais para sensibilizar a opinião pública e impulsionar mudanças legislativas. Entretanto, o movimento negro não era homogêneo. Outra vertente importante foi representada por Malcolm X e por organizações ligadas ao nacionalismo negro, que criticavam a lentidão das reformas e defendiam uma postura mais radical diante do racismo estrutural. Para Malcolm X, a comunidade negra tinha o direito de autodefesa e autonomia política, enfatizando a necessidade de igualdade real e não apenas integração formal. Apesar das diferenças estratégicas — não-violência e integração, no caso de Martin Luther King, e autodefesa e afirmação racial, no caso de Malcolm X — ambas as correntes denunciavam o racismo institucionalizado e buscavam transformações profundas na estrutura política e social dos Estados Unidos. Essas mobilizações resultaram em importantes conquistas legais, como o Civil Rights Act de 1964, que proibiu a segregação racial em espaços públicos, e o Voting Rights Act de 1965, que garantiu efetivamente o direito de voto à população negra. Essas leis representaram justamente a contestação das instituições e normas que sustentavam a desigualdade racial no país.

7 – B
A projeção de Gall-Peters é uma representação cartográfica do planeta que se caracteriza por preservar a proporcionalidade das áreas dos continentes e dos países, ou seja, ela mantém as dimensões territoriais relativamente fiéis à realidade. Em outras palavras, regiões com grandes extensões territoriais aparecem no mapa com tamanho proporcional ao que realmente ocupam na superfície da Terra. Isso significa que áreas como África, América do Sul e partes da Ásia ganham maior destaque visual, já que são muito maiores do que costumam parecer em outros tipos de projeção. Essa característica é importante porque a projeção de Gall-Peters busca corrigir distorções históricas presentes em representações cartográficas mais tradicionais, como a projeção de Mercator. Na projeção de Mercator, desenvolvida no século XVI para facilitar a navegação marítima, a prioridade é preservar as formas e os ângulos dos continentes, o que torna mais fácil traçar rotas de navegação. No entanto, essa escolha provoca uma grande distorção nas áreas, principalmente nas regiões próximas aos polos. Como resultado, territórios de altas latitudes — como Europa, América do Norte e Groenlândia — aparecem muito maiores do que realmente são, enquanto áreas próximas à linha do Equador, como África e América do Sul, parecem menores. A projeção de Gall-Peters, ao contrário, prioriza o tamanho real das superfícies continentais, mesmo que isso provoque distorções nas formas dos territórios. Por isso, os continentes aparecem alongados verticalmente e comprimidos horizontalmente, o que altera sua aparência, mas preserva sua dimensão territorial.

8 – B
O Estado Novo (1937–1945) foi marcado pela concentração de poder no Executivo e pela suspensão dos mecanismos democráticos. O texto descreve que a Constituição de 1937, conhecida como “Polaca”, foi outorgada por Getúlio Vargas sem participação popular e inspirada em constituições autoritárias europeias da época, especialmente em regimes que valorizavam o centralismo político e a autoridade do Estado. Esse novo arranjo institucional eliminou diversos instrumentos da democracia liberal que haviam sido previstos anteriormente, como o funcionamento regular do Congresso Nacional, a autonomia dos partidos políticos e a liberdade de imprensa. Durante o Estado Novo, o poder político ficou fortemente concentrado na figura de Vargas. O Congresso foi fechado, os partidos políticos foram dissolvidos e a censura passou a controlar os meios de comunicação por meio de órgãos como o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Além disso, opositores do regime foram perseguidos, presos ou exilados, o que reforça o caráter ditatorial do período. O governo também ampliou o controle sobre os sindicatos e as organizações sociais, subordinando-os ao Estado dentro de uma lógica corporativista. Dessa forma, o regime buscava justificar a suspensão das liberdades políticas em nome da ordem, da estabilidade e da modernização econômica e administrativa do país.

9 – A
A Lei de Terras de 1850 instituiu um novo regime jurídico de acesso à propriedade rural no Brasil que restringiu o acesso fundiário aos setores subalternos da sociedade. Até meados do século XIX, a ocupação de terras muitas vezes ocorria por meio da posse, prática relativamente comum em um território vasto e com baixa fiscalização estatal. Com a nova legislação, o Estado passou a determinar que a única forma legítima de adquirir terras públicas seria por meio da compra, eliminando a possibilidade de acesso pela simples ocupação. Na prática, essa medida favorecia os grandes proprietários e os grupos economicamente privilegiados, que possuíam capital suficiente para adquirir terras, ao mesmo tempo em que excluía pobres livres, camponeses e, sobretudo, os negros libertos. O texto também destaca que a Lei de Terras estava profundamente vinculada à estrutura escravista da sociedade brasileira. No contexto de intensificação do tráfico negreiro ilegal e de debates sobre o futuro da escravidão, as elites agrárias temiam que a eventual libertação de escravizados criasse uma massa de trabalhadores livres com possibilidade de acesso à terra. Caso isso ocorresse, esses indivíduos poderiam estabelecer formas autônomas de subsistência e deixar de oferecer sua força de trabalho às grandes propriedades. Assim, ao exigir a compra da terra, a lei funcionava como um mecanismo de controle social e econômico, garantindo que a terra permanecesse concentrada nas mãos das elites e dificultando a formação de uma pequena propriedade rural independente.

10 – C
O clima extremamente frio de Yakutsk resulta principalmente da combinação entre alta latitude e forte continentalidade. A cidade está localizada no nordeste da Rússia, muito próxima ao Círculo Polar Ártico, em uma faixa latitudinal elevada do hemisfério norte. Em regiões de alta latitude, os raios solares incidem de forma muito inclinada durante grande parte do ano, o que reduz a quantidade de energia recebida pela superfície. No inverno, esse efeito é ainda mais intenso devido à redução da duração do dia, que pode chegar a poucas horas de luz solar, favorecendo um intenso resfriamento do ambiente. Essa condição explica as temperaturas extremamente baixas registradas na região, que frequentemente ficam muito abaixo de zero durante longos períodos. Além da latitude, a continentalidade exerce papel fundamental na definição do clima local. Yakutsk está situada no interior do continente asiático, a milhares de quilômetros de qualquer oceano. A ausência da influência moderadora das massas de água faz com que o clima apresente grande amplitude térmica e invernos muito rigorosos. Os oceanos funcionam como reguladores térmicos, pois aquecem e resfriam mais lentamente que os continentes; quando uma região está distante do mar, como ocorre na Sibéria, essa moderação climática praticamente não existe. Assim, as massas de ar frio acumulam-se e permanecem sobre o território por longos períodos, intensificando o frio extremo característico da região. Para a UERJ é crucial ter uma base de climatologia. Nos últimos anos apareceram questões de clima em praticamente todos os exames de qualificação. Segue um pequeno resumo. Na climatologia, é fundamental distinguir elementos climáticos de fatores climáticos, pois ambos desempenham papéis diferentes na formação do clima de um lugar. Os elementos climáticos são as variáveis que podem ser medidas diretamente na atmosfera, como temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica, precipitação, ventos e radiação solar. Eles representam, portanto, as condições atmosféricas observáveis em determinado local. Já os fatores climáticos são os condicionantes geográficos que influenciam o comportamento desses elementos, ou seja, são as características do espaço geográfico que ajudam a explicar por que um determinado lugar apresenta certos padrões de temperatura, chuva ou ventos. Em outras palavras, o clima de um lugar resulta da combinação de diferentes fatores climáticos, que atuam conjuntamente para determinar o comportamento dos elementos climáticos. Assim, a temperatura média, o regime de chuvas ou a umidade do ar de uma região não são fenômenos aleatórios, mas sim o resultado da interação entre características geográficas e atmosféricas específicas. Entre os principais fatores climáticos, destaca-se a latitude, que influencia diretamente a quantidade de radiação solar recebida pela superfície terrestre. Regiões próximas ao Equador recebem maior incidência de energia solar ao longo do ano, o que tende a elevar as temperaturas médias, enquanto áreas de altas latitudes recebem radiação mais inclinada e apresentam climas mais frios. A altitude também exerce influência significativa. À medida que se aumenta a altitude, a temperatura tende a diminuir, em média cerca de 6,5°C a cada mil metros, devido à menor densidade do ar e à redução da capacidade de retenção de calor. Por isso, áreas montanhosas frequentemente apresentam climas mais frios do que regiões situadas ao nível do mar.
Outro fator importante é a continentalidade, que se refere à distância de um local em relação aos oceanos. Regiões situadas no interior dos continentes tendem a apresentar maior amplitude térmica, com verões quentes e invernos frios, pois a superfície continental aquece e esfria rapidamente. Em contrapartida, a maritimidade ocorre em áreas próximas ao mar. Os oceanos aquecem e resfriam mais lentamente, funcionando como reguladores térmicos e tornando o clima mais estável e úmido.
As correntes marítimas também influenciam o clima, pois transportam grandes massas de água quente ou fria pelos oceanos. Correntes quentes tendem a elevar as temperaturas e aumentar a umidade das regiões costeiras próximas, enquanto correntes frias contribuem para reduzir temperaturas e podem favorecer condições mais secas, como ocorre em alguns desertos costeiros. Outro fator essencial é a atuação das massas de ar, grandes porções da atmosfera com características próprias de temperatura e umidade. Quando se deslocam, essas massas de ar transportam essas características para outras regiões, influenciando a formação de chuvas, frentes frias ou períodos de estabilidade atmosférica. O relevo também interfere no clima ao funcionar como barreira ou canal para a circulação atmosférica. Cadeias montanhosas podem bloquear a passagem de massas de ar úmidas, provocando chuvas intensas em um lado da montanha e condições mais secas no outro, fenômeno conhecido como sombra de chuva. Por fim, a vegetação exerce papel relevante na regulação climática local. A cobertura vegetal contribui para manter a umidade do ar por meio da evapotranspiração, reduz as temperaturas superficiais e influencia a infiltração de água no solo. Regiões desmatadas, por outro lado, tendem a apresentar temperaturas mais elevadas e menor umidade. Portanto, o clima de qualquer região resulta da interação entre esses fatores geográficos, que condicionam o comportamento dos elementos climáticos observados na atmosfera. É essa combinação que explica por que diferentes partes do planeta apresentam padrões climáticos tão variados.

11 – A
O texto descreve um grupo que defende a criação de um Estado baseado em princípios étnicos excludentes e que promove discursos de ódio contra imigrantes e minorias. Esse tipo de posicionamento político está historicamente associado a ideologias ultranacionalistas, que consideram a nação como uma comunidade homogênea e defendem a exclusão de indivíduos ou grupos considerados “estrangeiros” ou “indesejáveis”. A presença da frase “Hitler estava certo” no cartaz mencionado no enunciado reforça essa conexão com o nazismo, ideologia que combinava nacionalismo extremo, racismo e autoritarismo. No nazismo e em outros movimentos fascistas europeus do século XX, a ideia de nação era vinculada a critérios étnicos e culturais rígidos, o que justificava políticas de perseguição, xenofobia e violência contra minorias. Assim, a defesa de um nacionalismo radical, que rejeita a diversidade social e busca construir uma comunidade nacional homogênea, constitui um elemento típico desse tipo de orientação ideológica.

12 – A
A Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 na cidade do Rio de Janeiro, esteve diretamente associada à rejeição popular a intervenções estatais consideradas coercitivas. No início do século XX, a capital federal passava por um amplo processo de reformas urbanas conduzidas pelo prefeito Pereira Passos e pelo governo do presidente Rodrigues Alves. Essas reformas tinham como objetivo modernizar a cidade e adequá-la aos padrões urbanos das grandes capitais europeias, ao mesmo tempo em que buscavam combater graves problemas sanitários que atingiam o Rio de Janeiro, como surtos de febre amarela, peste bubônica e varíola. Dentro desse contexto, o médico sanitarista Oswaldo Cruz liderou campanhas de combate às doenças, entre elas a vacinação obrigatória contra a varíola. Apesar da intenção de melhorar as condições sanitárias da cidade, a forma como essas políticas foram implementadas provocou forte insatisfação popular. As autoridades sanitárias tinham autorização para entrar nas casas, fiscalizar condições de higiene e aplicar a vacina de maneira compulsória. Para grande parte da população, especialmente os setores mais pobres que já haviam sido afetados pelas demolições de cortiços e pelos despejos provocados pelas reformas urbanas, essas medidas foram interpretadas como uma invasão da privacidade e uma imposição autoritária do Estado. A combinação entre desinformação sobre a vacina, desconfiança em relação ao governo e o ressentimento social gerado pelas reformas urbanas levou a uma explosão de protestos nas ruas da capital. Durante vários dias ocorreram confrontos, destruição de bondes, barricadas e enfrentamentos com as forças militares, configurando um dos maiores episódios de revolta urbana da Primeira República.

13 – B
Antes de haver questionamentos, a resposta é sim: você precisa saber que o Rio de Janeiro está localizado no fuso de Brasília (UTC-3). O texto menciona o fuso de Toronto (UTC-5). Portanto, a cidade de Toronto está 2 horas atrasada em relação ao Rio de Janeiro. A partir disso somamos todo o tempo que se passou desde o momento em que ela pisou no avião no Rio de Janeiro:
Voo 1 (Rio – NY): 10 horas
Espera na Imigração para provar que não era criminosa: 8 horas
Voo 2 (NY – Toronto): 2 horas
Total de tempo transcorrido: 10 + 8 + 2 = 20 horas
Ao chegar em Toronto, seu relógio marcava 19 horas sábado. Ao retirar as 2 horas de fuso de Toronto, ajusta-se o relógio para 17 horas de sábado.

14 – D
A alternativa D está correta porque o texto evidencia uma visão que prioriza o uso da natureza como recurso econômico e estratégico, característica da abordagem utilitarista, que enxerga os elementos naturais como meios para atingir objetivos desenvolvimentistas, ignorando outras funções sociais e ambientais do território.

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