TEMA: Era Vargas

TOTAL DE QUESTÕES: 20 questões autorais inéditas

Professor Gabriel Silva (@garca999)

INSCRIÇÕES PROJETO UERJ 2027


1 – “Durante o governo de Getúlio Vargas, especialmente a partir da década de 1930, o Estado brasileiro ampliou sua atuação na área educacional, buscando estruturar um sistema de ensino obrigatório capaz de atender às novas demandas econômicas do país. A expansão da escolarização básica esteve articulada a um projeto mais amplo de modernização nacional. Nesse contexto, a educação passou a ser concebida também como instrumento de organização social e de desenvolvimento econômico.”

Adaptado de FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp.

A política educacional mencionada no texto relaciona-se ao projeto econômico do período ao:

(A) manter o ensino restrito às elites.

(B) priorizar a formação intelectual clássica.

(C) ampliar a escolarização com fins produtivos.

(D) desvincular a educação das necessidades econômicas.


2 – “A Revolução de 1930 representou a ruptura com a ordem política da Primeira República e abriu espaço para a ascensão de novas forças no cenário nacional. Entre os grupos que contestavam o domínio das oligarquias, destacavam-se oficiais do exército que, desde a década de 1920, defendiam maior centralização do poder, moralização da vida pública e reformas no sistema político. Após a chegada ao poder, o novo governo buscou dialogar com essas propostas, incorporando parte de suas demandas na reorganização do Estado brasileiro.”

CARVALHO, José Murilo de. Forças Armadas e política no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar.

A relação política indicada no texto contribuiu para a consolidação do novo governo após 1930 ao:

(A) preservar a autonomia regional das elites agrárias.

(B) fortalecer a estrutura política da Primeira República.

(C) considerar as pautas políticas do movimento tenentista.

(D) afastar completamente a influência dos setores militares.


3 – “A instalação do Governo Provisório após 1930 implicou a suspensão da Constituição vigente e a nomeação de interventores para governar os estados, o que gerou descontentamento em setores das elites regionais. Em São Paulo, esse cenário provocou forte oposição, especialmente entre grupos que defendiam a restauração da ordem constitucional e maior participação política. As tensões acumuladas resultaram em um conflito armado em 1932, que expressava tanto disputas políticas quanto interesses regionais diante das mudanças promovidas pelo novo governo.”

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

O movimento ocorrido em 1932, mencionado no texto, pode ser compreendido como uma reação:

(A) ao fortalecimento do poder municipal.

(B) à ampliação dos direitos trabalhistas urbanos.

(C) à perda de influência política de grupos regionais.

(D) ao aumento do poder no governo central sem uma nova ordem legal.


4 – “A reorganização institucional promovida pelo governo de Getúlio Vargas após 1930 incluiu mudanças significativas no sistema político-eleitoral brasileiro. Buscando enfrentar práticas recorrentes na Primeira República, como fraudes e manipulação de resultados, o novo governo instituiu mecanismos de controle e fiscalização mais rigorosos. Essas medidas tinham como objetivo ampliar a credibilidade do processo de escolha dos representantes e redefinir as relações entre Estado e cidadania no país.”

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

A medida política associada ao contexto descrito contribuiu para:

(A) manter práticas eleitorais tradicionais.

(B) ampliar o poder das oligarquias locais.

(C) eliminar a participação popular nos processos políticos.

(D) reorganizar o sistema de votação sob controle institucional.


5 – “A partir da década de 1930, o Estado brasileiro passou a intervir de forma mais direta nas relações entre capital e trabalho, buscando regular conflitos e estabelecer normas para o mundo do trabalho urbano. Foram criados órgãos e mecanismos destinados a mediar disputas, definir direitos e organizar a atuação sindical sob supervisão estatal. Esse conjunto de iniciativas integrou um projeto mais amplo de centralização política e de incorporação dos trabalhadores à estrutura institucional do regime.”

VIANNA, Luiz Werneck. Liberalismo e sindicato no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

A política estatal descrita no texto contribuiu para a:

(A) extinção dos conflitos trabalhistas.

(B) autonomia plena das organizações operárias.

(C) mediação institucional das relações entre patrões e empregados.

(D) subordinação das relações de trabalho à arbitragem estatal especializada.


6 – “Com a vitória do movimento de 1930, instalou-se no Brasil um governo que rompeu com a ordem constitucional anterior e concentrou poderes nas mãos do Executivo. Foram dissolvidos os órgãos legislativos e substituídas as lideranças estaduais por interventores nomeados pelo poder central. Essa reorganização política visava redefinir as bases do Estado brasileiro, reduzindo a influência das antigas elites regionais e ampliando a capacidade de ação do governo central.”

SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

O período político descrito no texto caracterizou-se, sobretudo, pela:

(A) ampliação da autonomia estadual.

(B) provisoriedade do arranjo institucional.

(C) manutenção das instituições representativas.

(D) equilíbrio entre Executivo, Legislativo e Judiciário.


7 –

Mundoeducacao.uol.com.br

A utilização de imagens como a apresentada esteve associada a práticas políticas do período varguista, especialmente durante o Estado Novo (1937–1945). Essas práticas tinham como objetivo:

(A) ampliar o debate parlamentar.

(B) incentivar a autonomia da imprensa.

(C) fortalecer a imagem pública dos membros do governo.

(D) organizar a difusão oficial de informações e conteúdos ideológicos.


8 – “A década de 1930 marcou mudanças significativas na participação política no Brasil, especialmente com a ampliação do direito ao voto. O novo Código Eleitoral instituiu o sufrágio feminino, permitindo que mulheres participassem das eleições em âmbito nacional. Essa medida representou um avanço na inclusão política, ainda que limitado por restrições sociais e institucionais. No processo de reorganização do sistema representativo, Carlota Pereira de Queiroz foi eleita a primeira deputada constituinte no país.”

Adaptado de PINSKY, Carla Bassanezi. História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto.

A transformação política mencionada no texto contribuiu para:

(A) restrição do voto às elites urbanas.

(B) ampliação da representação legislativa.

(C) manutenção da segregação de gênero.

(D) diversificação parcial da cidadania política.


9 – “Durante o Estado Novo, instaurado em 1937, o governo brasileiro adotou práticas autoritárias, como a centralização do poder, a censura à imprensa e a repressão a opositores políticos. No cenário internacional, esse período coincidiu com a ascensão de regimes europeus que também apresentavam forte controle estatal, mobilização ideológica e restrição às liberdades individuais. Ainda que o Brasil mantivesse relações diplomáticas diversas, havia convergências em certos aspectos políticos e institucionais com esses governos.”

CAPELATO, Maria Helena. Multidões em cena: propaganda política no varguismo e no peronismo. São Paulo: Papirus.

O contexto político descrito no texto permite identificar, no período, a:

(A) adoção do liberalismo clássico.

(B) defesa da autonomia partidária.

(C) semelhança com regimes totalitários.

(D) aproximação com democracias parlamentares.


10 – “Em 1937, a conjuntura política brasileira foi marcada pela divulgação de um suposto documento que denunciava uma ameaça revolucionária no país. Esse material, amplamente difundido por setores do governo e das Forças Armadas, contribuiu para a criação de um clima de medo e instabilidade. A partir desse cenário, foram justificadas medidas excepcionais que resultaram na interrupção do processo político em curso e na instauração de um novo regime.”

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras.

O episódio mencionado no texto teve como principal consequência:

(A) fortalecimento do sistema eleitoral.

(B) consolidação do regime constitucional.

(C) legitimação de medidas autoritárias do governo.

(D) difusão de uma ameaça fictícia para justificar a ruptura institucional.


11 – “Entre as décadas de 1930 e 1940, o Estado brasileiro assumiu papel central na reorganização da economia, promovendo políticas voltadas à industrialização e à redução da dependência externa. A criação de empresas estatais, o incentivo à produção interna e a adoção de medidas protecionistas revelam uma estratégia de fortalecimento econômico articulada à ação governamental. Esse modelo buscava integrar o mercado nacional e ampliar a capacidade produtiva do país, redefinindo o papel do Estado na condução do desenvolvimento.”

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional.

A orientação econômica descrita no texto caracterizou-se pela:

(A) mentalidade nacional-desenvolvimentista.

(B) primazia do setor agrário exportador cafeeiro.

(C) redução da intervenção e da regulação estatal na economia.

(D) dependência de capitais externos sem planejamento econômico.


12 – “Durante a década de 1940, o governo brasileiro intensificou sua política de industrialização, buscando viabilizar setores estratégicos para o desenvolvimento econômico. No contexto da Segunda Guerra Mundial, o país estabeleceu negociações internacionais que garantiram recursos financeiros e apoio técnico para a implantação de grandes empreendimentos industriais. Essas iniciativas estavam associadas a interesses geopolíticos mais amplos, envolvendo a cooperação entre países do continente americano.”

SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

A política externa e econômica mencionada no texto resultou na:

(A) rejeição de parcerias internacionais.

(B) manutenção da economia primário-exportadora.

(C) obtenção de apoio externo para projetos industriais estratégicos.

(D) dependência exclusiva de capitais europeus na modernização produtiva.


13 – “A organização do trabalho no Brasil, a partir da década de 1930, passou por profundas transformações com a intervenção direta do Estado. As associações de trabalhadores foram incorporadas a um modelo institucional que previa reconhecimento oficial, regulamentação de suas atividades e definição de sua atuação dentro de limites estabelecidos pelo poder público. Esse arranjo buscava integrar os trabalhadores ao projeto político do governo, ao mesmo tempo em que restringia formas autônomas de mobilização.”

VIANNA, Luiz Werneck. Liberalismo e sindicato no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

A estrutura institucional descrita no texto caracterizou-se pela:

(A) independência das associações operárias.

(B) livre organização das entidades profissionais.

(C) integração subordinada dos trabalhadores ao aparato estatal.

(D) atuação autônoma dos grupos trabalhistas frente ao poder público.


14 – “A organização das relações de trabalho no Brasil, durante o Estado Novo, apresentou características que dialogavam com experiências autoritárias europeias do período. A estrutura sindical foi moldada por princípios que enfatizavam a mediação estatal dos conflitos, a hierarquização das entidades representativas e a limitação da autonomia dos trabalhadores. Esse modelo buscava integrar capital e trabalho sob a supervisão do Estado, reduzindo tensões sociais e reforçando o controle político sobre as organizações laborais.”

CAPELATO, Maria Helena. Multidões em cena: propaganda política no varguismo e no peronismo. São Paulo: Papirus.

A configuração das relações de trabalho descrita no texto pode ser associada à:

(A) tradição liberal anglo-saxã.

(B) influência do socialismo soviético.

(C) inspiração em experiências corporativistas europeias.

(D) adoção de modelos sindicais baseados na autonomia operária.


15 – “A partir da década de 1930, o Estado brasileiro passou a adotar políticas voltadas à proteção social dos trabalhadores urbanos, incluindo regulamentação das condições de trabalho, criação de direitos e ampliação da atuação estatal na mediação das relações sociais. Essas iniciativas buscavam não apenas responder a demandas sociais emergentes, mas também integrar setores populares ao projeto político vigente, por meio da concessão de benefícios e garantias institucionais.”

DRAIBE, Sônia. Rumos e metamorfoses: um estudo sobre a constituição do Estado e as alternativas da industrialização no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

As políticas mencionadas no texto contribuíram para a:

(A) redução da ação estatal.

(B) manutenção das desigualdades sociais.

(C) ampliação da intervenção pública nas relações sociais.

(D) institucionalização de direitos sociais vinculados à ação do Estado.


16 – “Brasil, meu Brasil brasileiro,

Meu mulato inzoneiro,

Vou cantar-te nos meus versos…”

BARROSO, Ary. Aquarela do Brasil, 1939.

A canção apresentada foi produzida no contexto do Estado Novo e dialoga com práticas culturais do período. Nesse sentido, ela pode ser associada à:

(A) crítica à identidade nacional.

(B) valorização regional fragmentada.

(C) exaltação simbólica da imagem do país.

(D) instrumentalização da cultura para reforço da identidade.


17 – “Durante a década de 1930 e início dos anos 1940, o Brasil redefiniu sua política externa em meio às tensões internacionais. Nesse contexto, intensificaram-se as relações com uma potência do continente americano que buscava ampliar sua influência regional por meio de acordos diplomáticos, econômicos e culturais. Essa aproximação envolveu cooperação estratégica e intercâmbios que ultrapassavam o campo político, alcançando também a esfera cultural e midiática.”

TOTA, Antonio Pedro. O imperialismo sedutor: a americanização do Brasil na época da Segunda Guerra. São Paulo: Companhia das Letras.

A orientação diplomática descrita no texto pode ser compreendida como:

(A) isolamento internacional do país.

(B) ruptura com as relações interamericanas.

(C) alinhamento estratégico com potência regional.

(D) integração política e cultural no âmbito das relações hemisféricas.


18 – “Desde a década de 1930, o Estado brasileiro assumiu papel decisivo na estruturação de setores estratégicos da economia, criando empresas e investindo diretamente em áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento nacional. Ao longo do tempo, esse modelo passou por mudanças significativas, sobretudo no final do século XX, quando políticas econômicas passaram a redefinir o papel estatal, reduzindo sua atuação direta na produção e transferindo parte dessas atividades para a iniciativa privada.”

GIAMBIAGI, Fabio; ALÉM, Ana Cláudia. Finanças públicas: teoria e prática no Brasil. Rio de Janeiro: Campus.

A trajetória econômica indicada no texto evidencia:

(A) rejeição histórica ao capital privado.

(B) oscilação entre estatização e liberalização econômica.

(C) continuidade da intervenção estatal no setor secundário.

(D) substituição da atuação estatal por modelos autárquicos isolados.


19 – “Art. 129 – Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da remuneração.

Art. 71 – Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de seis horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação.”

BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho (1943).

As normas apresentadas no texto evidenciam uma característica da legislação trabalhista do período, que consistia na:

(A) universalização dos direitos sociais.

(B) inclusão plena das atividades agrícolas.

(C) abrangência limitada a determinados setores produtivos.

(D) extensão homogênea das garantias legais a todos os trabalhadores.


20 – “O enfraquecimento do regime instaurado em 1937 tornou-se evidente ao final da Segunda Guerra Mundial. A participação do Brasil ao lado das democracias no conflito internacional intensificou pressões internas por abertura política. Setores das Forças Armadas, aliados a grupos civis, passaram a defender a redemocratização e a realização de eleições. Nesse contexto, o governo perdeu sustentação política, culminando na deposição do chefe do Executivo.”

SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

O processo histórico descrito no texto resultou na:

(A) ruptura com regime autoritário

(B) consolidação do regime varguista.

(C) ampliação do controle estatal sobre a sociedade.

(D) permanência do governante no poder após a guerra.


Gabarito:

1 [C]:

A política educacional desenvolvida durante a Era Vargas esteve diretamente vinculada ao projeto de modernização econômica e industrialização do país, sobretudo a partir da década de 1930. A ampliação do ensino primário obrigatório não se limitava à alfabetização da população, mas integrava uma estratégia mais ampla de formação de trabalhadores aptos a atender às demandas do setor urbano-industrial em expansão. Ao estruturar um sistema educacional mais abrangente, o Estado buscava disciplinar e qualificar a mão de obra, contribuindo para o aumento da produtividade e para a consolidação de um mercado de trabalho mais organizado. Essa relação entre educação e economia evidencia o papel do Estado como agente central no processo de transformação social, articulando políticas públicas à lógica do desenvolvimento industrial, característica marcante do período varguista.

2 [C]:

A ascensão de Getúlio Vargas ao poder em 1930 ocorreu em meio à crise da Primeira República, marcada pelo predomínio das oligarquias e pela exclusão de amplos setores políticos. Nesse contexto, o movimento tenentista, formado por jovens oficiais do Exército, defendia reformas como maior centralização do poder, combate à corrupção eleitoral e modernização do Estado. Ao assumir o governo, Vargas buscou incorporar parte dessas demandas, estabelecendo uma relação de aproximação com esses setores militares e utilizando suas propostas como base para legitimar o novo regime. Essa articulação contribuiu para a consolidação do governo provisório, ao alinhar interesses de grupos que se opunham à ordem anterior. O processo evidencia a habilidade de compreender mudanças políticas como resultado da interação entre diferentes atores sociais, destacando o papel das Forças Armadas na reorganização do Estado brasileiro no período.

3 [D]:

A Revolução Constitucionalista de 1932 deve ser compreendida no contexto das transformações políticas iniciadas com a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder e instaurou um Governo Provisório. Esse novo regime dissolveu o Congresso Nacional, suspendeu a Constituição de 1891 e passou a governar por meio de interventores nomeados, reduzindo a autonomia dos estados, especialmente de São Paulo, que havia sido politicamente dominante na Primeira República. Diante desse cenário, setores das elites paulistas passaram a reivindicar a convocação de uma Assembleia Constituinte e a restauração da legalidade constitucional. Assim, o movimento de 1932 expressou tanto a insatisfação com a centralização política quanto a defesa de uma nova ordem jurídica, evidenciando conflitos entre projetos de organização do Estado brasileiro no período.

4 [D]:

A criação da Justiça Eleitoral, em 1932, foi uma das principais medidas adotadas pelo governo de Getúlio Vargas para reformar o sistema político brasileiro após a Revolução de 1930. Durante a Primeira República, o processo eleitoral era marcado por fraudes, como o voto de cabresto e a manipulação dos resultados pelas oligarquias regionais. Com a nova instituição, o Estado passou a assumir diretamente a organização, fiscalização e apuração das eleições, buscando garantir maior transparência e legitimidade ao processo. Essa mudança representou um passo importante na construção de instituições mais modernas e no fortalecimento da cidadania política, ao reduzir a influência de práticas tradicionais e ampliar a confiança nas eleições. Assim, a medida está diretamente relacionada à reorganização do sistema eleitoral sob bases mais institucionais e controladas pelo poder público.

5 [D]:

A criação da Justiça do Trabalho, consolidada durante a Era Vargas, integrou um conjunto de medidas voltadas à regulação das relações entre empregadores e trabalhadores no Brasil urbano-industrial. Inserida em um projeto de centralização do poder e de organização corporativista da sociedade, essa instituição passou a mediar conflitos trabalhistas por meio de órgãos estatais especializados, reduzindo a autonomia das negociações diretas entre as partes. Ao mesmo tempo, buscava-se garantir direitos mínimos aos trabalhadores, ao passo que se mantinha o controle sobre a atuação sindical. Dessa forma, a Justiça do Trabalho expressa a intervenção do Estado nas relações sociais, promovendo sua institucionalização e vinculando-as à estrutura governamental, característica marcante do período varguista. A alternativa [C] está incorreta porque, embora mencione a mediação dos conflitos, não explicita o elemento central do período, que é o controle estatal sobre essas relações, aspecto fundamental para compreender a lógica corporativista do governo Vargas.

6 [B]:

O Governo Provisório instaurado por Getúlio Vargas em 1930 caracterizou-se pela ruptura com a ordem constitucional vigente e pela ausência de um arcabouço institucional definitivo. A dissolução do Congresso Nacional, a suspensão da Constituição de 1891 e a nomeação de interventores nos estados evidenciam que o novo regime operava de forma transitória, sem regras plenamente consolidadas. Essa condição refletia tanto a instabilidade política do período quanto a intenção de reorganizar o Estado antes da elaboração de uma nova Constituição, o que só ocorreria em 1934. A alternativa [C] sintetiza esse cenário ao destacar o caráter não permanente das estruturas institucionais naquele momento. As demais opções estão incorretas porque não captam esse traço central: a alternativa [A] contradiz a centralização do poder, a [C] ignora o fechamento das instâncias representativas e a [D] pressupõe um equilíbrio entre poderes inexistente no período.

7 [D]:

Durante o Estado Novo (1937–1945), o governo de Getúlio Vargas estruturou um sistema de controle e produção de informações voltado à legitimação do regime. A criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), em 1939, foi central nesse processo, pois esse órgão passou a coordenar tanto a censura quanto a divulgação de conteúdos que exaltavam a figura do líder e promoviam valores nacionalistas. As imagens de propaganda, como a apresentada, não tinham apenas função estética, mas atuavam como instrumentos políticos para moldar a opinião pública e reforçar a autoridade do governo. Assim, o uso sistemático da propaganda revela a importância da comunicação institucionalizada no período, articulando cultura, política e controle social. As demais alternativas estão incorretas porque não expressam essa lógica: a [A] pressupõe debate legislativo, inexistente no regime; a [B] contradiz a censura vigente; e a [C], embora parcialmente correta, não leva em consideração que apenas a figura de Vargas era enaltecida.

8 [B]:

As transformações políticas ocorridas na década de 1930, especialmente com a promulgação do Código Eleitoral de 1932, ampliaram os direitos de participação política no Brasil ao incluir as mulheres no corpo eleitoral. Esse avanço não se restringiu ao direito de votar, mas também possibilitou a candidatura feminina, resultando na eleição da primeira mulher para o Legislativo. Esse fato simboliza uma ampliação da representação política, ainda que inicial e limitada, marcando a entrada de novos sujeitos no sistema representativo brasileiro. O processo reflete mudanças mais amplas na noção de cidadania, associadas à modernização institucional do período varguista. A alternativa [D] está incorreta porque, embora mencione a diversificação da cidadania política, não evidencia especificamente a ocupação de espaços no Legislativo, que é o foco central da questão.

9 [C]:

O Estado Novo (1937–1945) caracterizou-se pela centralização do poder nas mãos do Executivo, pela supressão das liberdades políticas e pela utilização de mecanismos de controle social, como a censura e a propaganda oficial. Essas características aproximam o regime varguista de experiências autoritárias europeias do período, como o nazismo e o fascismo, especialmente no que diz respeito à concentração de poder, ao nacionalismo e à limitação da participação política. Ainda que o Brasil não tenha reproduzido integralmente esses modelos, é possível identificar convergências importantes em sua organização política. Dessa forma, a alternativa destaca corretamente a semelhança com regimes totalitários. As demais estão incorretas porque indicam princípios incompatíveis com o período: a [A] remete ao liberalismo, a [B] pressupõe pluralismo partidário e a [D] sugere alinhamento com democracias, o que não corresponde ao contexto do Estado Novo.

10 [D]:

O chamado Plano Cohen foi um documento falsificado, divulgado em 1937 como se representasse um plano de tomada do poder por forças comunistas no Brasil. Sua ampla circulação, com apoio de setores do governo e das Forças Armadas, contribuiu para instaurar um clima de medo e insegurança na sociedade. Esse ambiente foi estrategicamente utilizado por Getúlio Vargas para justificar o golpe que instaurou o Estado Novo, marcado pela suspensão da Constituição, fechamento do Congresso e concentração de poderes no Executivo. Assim, o Plano Cohen teve papel central como instrumento de legitimação política da ruptura institucional, evidenciando o uso de informações manipuladas para sustentar regimes autoritários. As demais alternativas estão incorretas porque indicam efeitos opostos ao ocorrido: a [A] e a [B] pressupõem fortalecimento institucional, enquanto a [C] menciona a legitimação de medidas autoritárias, mas não evidencia o caráter fraudulento do episódio, que é o ponto central da questão.

11 [A]:

As políticas econômicas implementadas durante a Era Vargas refletiram uma orientação voltada à promoção do crescimento interno com forte participação do Estado. A criação de empresas estatais, o incentivo à industrialização e as medidas de proteção ao mercado interno evidenciam uma estratégia que buscava reduzir a dependência externa e fortalecer a economia nacional. Esse conjunto de ações expressa uma mentalidade nacional-desenvolvimentista, na qual o Estado assume papel ativo na condução do desenvolvimento econômico e na integração do mercado interno. Trata-se de um marco na história econômica brasileira, ao redefinir as relações entre poder público e atividade produtiva. As demais alternativas estão incorretas porque não correspondem a essa lógica: a [B] remete ao modelo agrário-exportador da Primeira República, a [C] contradiz a forte presença estatal e a [D] contradiz o projeto estatal de industrialização.

12 [C]:

Durante a década de 1940, especialmente no contexto da Segunda Guerra Mundial, o governo de Getúlio Vargas adotou uma política externa pragmática, negociando com os Estados Unidos apoio financeiro e técnico em troca do alinhamento político e estratégico do Brasil. Esses acordos possibilitaram a implantação de indústrias de base, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), fundamentais para o avanço da industrialização no país. Essa cooperação expressa a articulação entre interesses nacionais de desenvolvimento e a conjuntura internacional, marcada pela influência norte-americana no continente. A alternativa [C] está correta por indicar a obtenção de apoio externo para a criação de setores estratégicos da economia. As demais estão incorretas: a [A] contraria a política de negociação adotada; a [B] ignora o processo de industrialização em curso; e a [D] menciona uma dependência europeia que não corresponde ao contexto histórico.

13 [C]:

Durante a Era Vargas, especialmente a partir da década de 1930, o Estado brasileiro estruturou um modelo corporativista de organização do trabalho, no qual os sindicatos passaram a depender do reconhecimento oficial para funcionar. Esse sistema limitava a autonomia das entidades trabalhistas, uma vez que sua atuação era regulamentada e supervisionada pelo poder público, que também controlava aspectos como liderança, financiamento e direito de representação. Assim, os trabalhadores eram incorporados ao Estado, mas sob condições que restringiam sua capacidade de mobilização independente. Esse arranjo evidencia o controle estatal sobre os sindicatos, característica central do período. As demais alternativas estão incorretas porque indicam autonomia e liberdade de organização, o que não corresponde à realidade do modelo sindical varguista.

14 [C]:

A organização sindical do Estado Novo foi estruturada sob forte influência de modelos autoritários europeus, especialmente o corporativismo italiano associado à Benito Mussolini. A chamada Carta del Lavoro serviu como referência ao propor a mediação estatal das relações entre capital e trabalho, subordinando sindicatos ao controle governamental e limitando sua autonomia. No Brasil, essa lógica se manifestou na regulamentação das entidades sindicais, no reconhecimento oficial condicionado e na integração dos trabalhadores ao aparato estatal. Assim, a alternativa correta aponta para a influência dessas experiências corporativistas na estrutura sindical varguista. As demais alternativas estão incorretas porque fazem referência a modelos incompatíveis com o período: a [A] associa-se ao liberalismo, a [B] ao socialismo e a [D] à autonomia sindical, todos distintos da lógica corporativista adotada.

15 [D]:

As políticas implementadas durante a Era Vargas, especialmente a partir da década de 1930, marcaram a construção de um modelo de proteção social no Brasil, com a criação de leis trabalhistas, regulamentação das relações de trabalho e ampliação da atuação estatal na garantia de direitos. Medidas como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a previdência social e a mediação estatal de conflitos trabalhistas evidenciam a formação de um sistema que buscava assegurar condições mínimas de bem-estar aos trabalhadores urbanos. Esse processo é frequentemente interpretado como o início da construção de um Estado de bem-estar social no país, ainda que limitado e excludente em vários aspectos. A alternativa [D] está correta por destacar a institucionalização desses direitos sob a coordenação do Estado. A alternativa [C] está incorreta porque, embora mencione a ampliação da intervenção estatal, não explicita o elemento central da questão, que é a consolidação de direitos sociais como base desse modelo.

16 [D]:

A canção Aquarela do Brasil foi composta em 1939, no contexto do Estado Novo, período em que o governo de Getúlio Vargas investiu fortemente na construção de uma identidade nacional integrada e positiva. O regime utilizou manifestações culturais populares, como a música, o rádio e o cinema, como instrumentos de propaganda política, promovendo uma visão idealizada do Brasil e reforçando sentimentos de pertencimento e orgulho nacional. Esse uso ufanista da cultura estava articulado à ação de órgãos estatais, como o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que controlava e incentivava conteúdos alinhados ao projeto governamental. Assim, a alternativa [D] expressa corretamente essa relação entre cultura e política. As demais estão incorretas porque não refletem essa lógica: a [A] sugere crítica, a [B] fragmentação regional e a [C], embora mencione exaltação, não explicita seu uso político pelo Estado.

17 [D]:

A política externa brasileira durante a Era Vargas, especialmente entre o final da década de 1930 e o contexto da Segunda Guerra Mundial, aproximou o país dos Estados Unidos dentro da chamada Política da Boa Vizinhança. Essa estratégia norte-americana buscava fortalecer laços com os países da América Latina por meio de cooperação diplomática, econômica e também cultural, com o objetivo de ampliar sua influência no continente. O Brasil, por sua vez, aderiu a essa lógica, estabelecendo acordos estratégicos e promovendo intercâmbios que envolveram desde investimentos industriais até a difusão de produtos culturais. A alternativa [D] está correta ao destacar essa integração em múltiplas dimensões no espaço americano. As demais estão incorretas porque indicam isolamento [A], ruptura [B] ou apenas um alinhamento genérico [C], sem contemplar a dimensão mais ampla e integrada dessas relações.

18 [B]:

A Era Vargas marcou a consolidação de um modelo em que o Estado assumiu papel central na economia, especialmente com a criação de indústrias de base, como a siderurgia e a energia, consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional. Esse projeto, associado ao nacional-desenvolvimentismo, buscava reduzir a dependência externa e estruturar a economia brasileira. Já no final do século XX, especialmente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, ocorreu um movimento distinto, com a adoção de políticas neoliberais que incentivaram a privatização dessas empresas estatais, transferindo sua gestão para a iniciativa privada. Assim, o processo histórico evidencia uma alternância entre momentos de forte intervenção estatal e fases de liberalização econômica. As demais alternativas estão incorretas porque não contemplam essa dinâmica: a [A] contraria a presença do setor privado, a [C] ignora a mudança ocorrida e a [D] apresenta um conceito que não se aplica ao caso brasileiro.

19 [C]:

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituída em 1943 durante a Era Vargas, representou um marco na regulamentação das relações de trabalho no Brasil ao garantir direitos como férias remuneradas e intervalos de descanso. No entanto, esses avanços não foram universalizados, pois se aplicavam prioritariamente aos trabalhadores urbanos, especialmente vinculados ao setor industrial. Os trabalhadores rurais ficaram, em grande medida, excluídos dessas garantias, evidenciando o caráter seletivo da legislação trabalhista no período. Esse recorte reflete tanto a centralidade do projeto de industrialização quanto a menor organização política dos trabalhadores do campo. A alternativa [C] está correta ao indicar essa limitação. As demais estão incorretas porque pressupõem universalização ([A] e [D]) ou inclusão do meio rural ([B]), o que não corresponde ao contexto histórico.

20 [A]:

O fim do Estado Novo, em 1945, esteve diretamente ligado ao enfraquecimento do apoio político ao governo de Getúlio Vargas. A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado das democracias gerou contradições internas, ao expor a incompatibilidade entre a luta externa contra regimes autoritários e a manutenção de uma ditadura no país. Esse contexto estimulou pressões por redemocratização, vindas de setores civis e militares, que passaram a exigir eleições e a restauração das liberdades políticas. Com a perda progressiva de apoio, Vargas foi deposto, encerrando o período do Estado Novo. A alternativa [A] expressa corretamente esse processo. As demais estão incorretas porque indicam continuidade ou fortalecimento do regime ([B], [C] e [D]), o que não corresponde ao desfecho histórico apresentado.


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