
TEMA: Oriente Médio
TOTAL DE QUESTÕES: 20
Todas as questões são de autoria do Prof. Victor Maurício ( @professorvictormaurcício )

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1 – Os Houthis, grupo rebelde do Iêmen que apoia a causa palestina, vem atacando embarcações de bandeira israelense e também de outras nações aliadas de Israel, inclusive dos Estados Unidos no Mar Vermelho. Os estadunidenses, em conjunto com o Reino Unido, tomaram parte atacando instalações militares dos rebeldes em território iemenita e designaram os houthis como um “grupo terrorista”.

ADAMOR, J. Grupo do Iêmen e EUA se atacam no Mar Vermelho: guerra está se expandindo pelo Oriente Médio? Disponível em: brasildefato.com.br. 18/01/2024
Os ataques às embarcações no Mar Vermelho promovidos pelos Houthis podem ocasionar:
a) o domínio provisório das rotas orientais
b) uma perda no poder de compra da população europeia
c) um retrocesso dos acordos de paz entre Israel e Palestina
d) a inviabilização da circulação de produtos asiáticos no Oriente Médio
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2 – “O movimento sionista surge na Europa Oriental nas duas últimas décadas do século XIX buscando o renascimento nacional do povo judeu em seu lar ancestral após quase dois mil anos de exílio. (…) o sionismo propunha como solução para a questão judaica a autodeterminação para os judeus em um estado próprio no qual iriam constituir uma maioria absoluta e, finalmente, seriam independentes e soberanos politicamente no marco do primordialismo das ideologias nacionalistas europeias.
Neste processo de criação de um estado judeu na Palestina, os líderes sionistas tiveram três grandes tarefas: a) unir os judeus da diáspora em torno do nacionalismo-sionista; b) conseguir o apoio das grandes potências imperialistas ocidentais da época, em especial a Grã-Bretanha, ao empreendimento colonial na Palestina; e c) conquistar a maior quantidade de terra com a menor quantidade de árabes-palestinos possível para redimir a bíblica Terra de Israel”.
HUBERMAN, Bruno. Judaização da Palestina Ocupada: Colonização, Desapropriação e Deslocamento em Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza entre 1967 e 2013. PUC-SP (2014)
O final do século XIX foi marcado pela ascensão de diversos movimentos nacionalistas europeus, o que viria a desencadear uma série de conflitos internos e externos nos diferentes territórios do continente. Surgido neste mesmo contexto, o movimento sionista apresenta a seguinte característica comum entre grupos nacionalistas do período:
a) laicismo
b) etnocentrismo
c) fundamentalismo
d) internacionalismo
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3 – Texto I
Os Estados Unidos retomaram discretamente as negociações indiretas com o Irã em um esforço para restringir o programa nuclear de Teerã. As negociações foram retomadas no final do ano passado, meses após o fracasso de uma tentativa de reviver o acordo nuclear com o Irã. O governo Trump retirou-se do acordo histórico em 2018 e o Irã aumentou cada vez mais seu programa nuclear, violando o acordo, formalmente conhecido como Plano de Ação Conjunto Abrangente (JCPOA, na sigla em inglês).
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eua-retomam-conversas-indiretas-com-ira-para-conter-programa-nuclear-de-teera (17/06/2023)
Texto II
Um relatório produzido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mostra que o Irã acumulou 22 vezes mais urânio enriquecido do que o limite estabelecido pelo acordo nuclear de 2015. Esse dado tem sido motivo de críticas por parte da AIEA, visto que o regime iraniano dificulta as inspeções nos centros de testes e produção. O relatório alerta que os obstáculos para garantir a conformidade do Irã com o acordo de 2015, no qual o país concordou em reduzir seus esforços nucleares, aumentaram com a decisão de remover os equipamentos de monitoramento e vigilância restantes.
https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/producao-de-uranio-do-ira-esta-22-vezes-acima-do-limite-do-acordo-nuclear (16/11/2023)
O desenvolvimento do programa nuclear iraniano pode ter como consequência uma:
a) ampliação das ligações diplomáticas com a Arábia Saudita
b) contração da hegemonia russa no Oriente Médio
c) redução da influência norte-americana na região.
d) ampliação do terrorismo em países sunitas
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4 – Em 6 de outubro de 1973, uma coalizão árabe liderada pelo Egito e pela Síria lançou um ataque combinado contra Israel, coincidindo com o feriado do Yom Kippur, um dia sagrado para os judeus. O então presidente egípcio, Mohamed Anwar el-Sadat, e o mandatário sírio, Hafez al-Assad, queriam recuperar territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967. Enquanto aparatos militares começavam a chegar de Moscou para seus aliados sírios e egípcios, Nixon anunciou um generoso pacote de ajuda e Washington começou a enviar material militar para Israel, o que irritou o mundo árabe. Onze dias depois, os países árabes exportadores de petróleo anunciaram um corte na produção e um embargo aos EUA e a outros países acusados de apoiar Israel, como Holanda, Portugal e África do Sul. A Arábia Saudita, que exercia um papel de liderança regional, protagonizou um movimento que teria consequências econômicas e geopolíticas duradouras.
Disponível em: bbc.com. Acesso em: 05 jun. (adaptado)
A ação adotada pelos países árabes gerou como consequência socioeconômica imediata a(o):
a) estímulo à diversificação energética.
b) redução da dependência externa.
c) elevação dos custos produtivos.
d) retração do comércio agrícola.
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5 – Centenas de milhares de israelenses saíram às ruas na noite deste sábado (29) em mais uma manifestação contra a reforma do judiciário. Na segunda-feira (24), o Parlamento israelense aprovou a primeira parte da reforma, que retirou da Suprema Corte o poder de barrar medidas do governo que não sejam consideradas razoáveis.
Adaptado de G1 (29/07/2023)
Na cidade palestina de Jenin, na Cisjordânia, o exército israelense realizou mais uma grande operação que, até agora, resultou em pelo menos oito palestinos mortos e 50 feridos. Em 21 de junho, uma outra grande ofensiva na localidade já tinha deixado vítimas. Jenin fica no norte da Cisjordânia. Território que, de acordo com as resoluções da ONU, juntamente com a Faixa de Gaza, deveria compor um futuro estado palestino.
Adaptado de agenciabrasil.ebc.com.br (03/07/2023)
As ações realizadas pelo Estado de Israel nos textos 1 e 2 demonstram, respectivamente:
a) nacionalismo e elitismo racial
b) populismo e integracionismo religioso
c) negligência social e xenofobia direcionada
d) autoritarismo político e intolerância étnica
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6 – Ao final da Primeira Guerra Mundial, as antigas áreas sob domínio do Império Otomano foram reorganizadas por potências europeias por meio de acordos diplomáticos que desconsideraram, em grande medida, as dinâmicas locais. Linhas territoriais foram traçadas com base em interesses estratégicos externos, resultando na incorporação de diferentes grupos étnicos e religiosos dentro de um mesmo Estado político. Esse processo contribuiu para a persistência de tensões internas e disputas regionais ao longo do século XX e início do XXI.
FROMKIN, David. Paz e Guerra no Oriente Médio. Rio de Janeiro: Record, 2008.
A configuração territorial descrita no texto está diretamente relacionada ao processo de:
a) autodeterminação dos povos
b) integração regional voluntária
c) delimitação exógena de fronteiras
d) consolidação de Estados nacionais homogêneos
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7 – O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, disse que o país não pretende aderir à proposta de cessar-fogo aprovada nesta 2ª feira (25.mar.2024) pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). “Destruiremos o Hamas e continuaremos a lutar até que o último dos raptados regresse a casa”, declarou em seu perfil no X (antigo Twitter).
A resolução aprovada determina o cessar-fogo “imediato” na Faixa de Gaza durante o Ramadã, período sagrado para os muçulmanos que começou em 10 de março e termina em 9 de abril. A proposta foi apresentada pelos atuais 10 integrantes não permanentes do conselho (Argélia, Equador, Guiana, Japão, Malta, Moçambique, Coreia do Sul, Serra Leoa, Eslovênia e Suíça). Recebeu 14 votos a favor, nenhum contrário e uma abstenção dos EUA.
Disponível em poder360.com.br (Acesso em 27/10/2024)
A declaração do ministro demonstra que o Estado de Israel opta por realizar ações militares baseadas em:
a) decisões unilaterais
b) resoluções de defesa assegurada
c) determinações de organismos democráticos
d) deliberações apoiadas pelos Estados Unidos
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8 – O mapa abaixo representa a evolução territorial do Estado de Israel e da região da Palestina desde 1946, momento anterior ao Plano de Partilha da Palestina proposto pela ONU em 1947

Disponível em Agência Brasil
A análise dos mapas permite afirmar que o Estado de Israel, desde sua fundação, apresenta uma postura:
a) inclusiva
b) hegemônica
c) expansionista
d) integracionista
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9 – “Não escolhi por acaso o exemplo do colonialismo. Uma pergunta logo se impõe: existe alguma relação entre sionismo e colonialismo? Não há dúvida de que o sionismo, mesmo na multiplicidade dos seus componentes, se caracteriza por uma palavra de ordem inequívoca: “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Estamos em presença da ideologia clássica da tradição colonial, que sempre considerou res nullius, terra de ninguém, os territórios conquistados ou cobiçados e sempre teve a tendência a reduzir a uma grandeza insignificante as populações indígenas. Ademais da ideologia, o sionismo toma de empréstimo da tradição colonial as práticas de discriminação e opressão. Bem antes da fundação do Estado de Israel, já no curso da Segunda Guerra mundial, quando se estabelecem na Palestina, os sionistas programam a deportação dos árabes”.
LOSURDO, Domenico. O sionismo e a tragédia do povo palestino. Revista L’ERNESTO, 4/2001.
O slogan “uma terra sem povo para um povo sem terra” também foi utilizado pelos governos militares, que se empenharam em colonizar o território amazônico nas décadas de 1960 e 1970. O problema associado a esse slogan é não considerar que, neste período, a região amazônica já apresentava:
a) integração logística por meio do modal rodoviário
b) contingentes populacionais com vínculos territoriais
c) desenvolvimento tecnológico na Zona Franca de Manaus
d) conexões internacionais por conta elevadas cotas de exportação
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10 – No dia de hoje marcamos dois anos desde que os Acordos de Abraão foram assinados. Em 15 de setembro de 2020, nos gramados da Casa Branca em Washington, Israel, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein assinaram um acordo de paz histórico que foi um avanço significativo e abriu uma nova era de paz no Oriente Médio. Em seguida, o Reino do Marrocos se juntou a esse grupo de paz e renovou suas relações com Israel, assim como, mais tarde, o Sudão, que anunciou a normalização das relações com Israel. Ao fazê-lo, esses países se juntaram ao Egito e à Jordânia, os primeiros a assinar acordos de paz com Israel em 1979 e 1994, respectivamente.
correiobraziliense.com.br
Mediados pelos EUA, os acordos de paz entre países islâmicos e Israel apresentam o seguinte impacto na geopolítica regional:
a) instalação de bases militares em territórios de maioria xiita
b) estabilidade político-militar definitiva entre árabes sunitas e judeus
c) maior isolamento do Irã, país financiador de grupos terroristas contrários a Israel
d) estabelecimento da paz entre palestinos e israelenses por meio de programas de cooperação setorial
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11 – Zeitgeist é uma palavra alemã e significa espírito de época ou espírito do tempo. O Zeitgeist é o conjunto do clima intelectual e cultural de uma sociedade, numa certa época.
Adaptado de: https://www.significados.com.br/zeitgeist
Falar do sionismo e de Israel é tratar, por um lado, de um movimento político que, quaisquer que sejam suas vertentes teóricas e disputas internas, realizou-se historicamente como um Estado colonial. Não estamos nos referindo aos judeus de forma coletiva e abstrata, mas um Estado que assegura privilégios aos seus cidadãos judeus. O significado prático do sionismo está historicamente posto na Palestina de uma maneira nada especulativa, especialmente para os habitantes nativos do território, enquanto um processo colonial. Ele (o sionismo) vislumbrava a Palestina do mesmo modo que o imperialista europeu: um território vazio, paradoxalmente ‘repleto’ de nativos ignóbeis ou talvez dispensáveis.
Adaptado de: HUBERMAN, Bruno & GALVÃO, Nina. Sionismo, antissemitismo e a questão da Palestina. Revista Fórum (01.11.2023)
Surgido no final do século XIX, o movimento sionista está associado a um espírito da época, mais especificamente a uma visão de mundo europeia comumente baseada em ideias de:
a) superioridade étnica
b) inclusão democrática
c) igualdade entre povos
d) imperialismo cosmopolita
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12 – Esse conflito, ocorrido em 1967, foi a terceira guerra travada entre o Estado de Israel e os países árabes vizinhos. Árabes e israelenses já haviam entrado em conflito em duas ocasiões desde 1948. Nas décadas de 1950 e 1960, estava em ascensão o nacionalismo árabe, liderado pelo presidente do Egito e posterior presidente da República Árabe Unida (RAU), Gamal Abdel Nasser. O nacionalista egípcio tinha apoio de Hafez al-Assad, da Síria, do rei Hussein, da Jordânia, e de outros chefes de Estado árabes, sobretudo os que integravam a Liga Árabe. Na Segunda Conferência do Cairo, de 1964, esses países deixaram claro, por meio de uma declaração, que um dos seus objetivos principais era a destruição do Estado de Israel.
Adaptado de: historiadomundo.com.br
O conflito abordado no texto e uma consequência espacial estão indicados em:
a) Guerra do Golfo – diminuição da ocupação judaica
b) Guerra dos Seis Dias – expansão do Estado de Israel
c) Guerra do Yom Kippur – redistribuição de territórios palestinos
d) Guerra de Suez – nacionalização dos poços de petróleo pela Liga Árabe
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13 – O Irã e a Arábia Saudita intercambiaram embaixadores e retomaram formalmente as relações diplomáticas nesta 4ª feira (6.set.2023). Os países, que defendem lados opostos em zonas de conflito no Oriente Médio, chegaram a um acordo em março para recuperar os vínculos bilaterais. As relações bilaterais estavam rompidas há mais de 7 anos, depois de manifestantes iranianos invadirem sedes diplomáticas sauditas em protesto contra a execução de um líder muçulmano xiita. A negociação foi intermediada pela China e a cerimônia de assinatura do acordo foi realizada em Pequim.
Adaptado de poder360.com.br (Acesso em 06.09.2024)
Ao ser intermediado pela China, o acordo entre as duas potências do Oriente Médio indica a:
a) tendência de democratização das nações envolvidas
b) preponderância econômica chinesa na esfera diplomática
c) prevalência de medidas pacifistas em detrimento de ações militares
d) existência de novos pólos de poder no campo das relações internacionais
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14 – A crise do petróleo na década de 1970 trouxe um choque inflacionário para a economia mundial, elevando os custos de produção e afetando o poder de compra dos consumidores. Países altamente dependentes do petróleo importado sofreram mais, com aumento do déficit na balança comercial e desvalorização da moeda nacional.
Os países importadores de petróleo tiveram que lidar com a chamada “estagflação”, que é uma combinação de estagnação econômica com inflação alta. Isso ocorreu porque os aumentos nos preços do petróleo elevaram os custos de produção e, ao mesmo tempo, reduziram a demanda por bens e serviços devido ao menor poder de compra dos consumidores.
Adaptado de FURTADO, Celso. História Econômica Geral. 10ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 2007.
A década de 1970 foi marcada por várias mudanças produtivas, econômicas e sociais. No contexto da Crise do Petróleo, tendo como base o meio técnico científico informacional, a industrialização dos países ocidentais deu início a um processo que visava a(o):
a) exclusão de territórios socialistas
b) aproximação de aliados soviéticos
c) reorganização territorial da produção
d) fortalecimento de economias asiáticas
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15 –

Banksy, 2011, Cisjordânia.
O grafite de Banksy mostra uma linha tracejada, em formato quadrangular, na qual se pode observar, na parte superior central, o desenho de uma pequena tesoura. Trata-se do símbolo universal do “corte aqui”, comumente encontrado nas embalagens de diversos produtos que são comercializados. Por conter um símbolo que é comum à maioria das pessoas, a leitura deste grafite permite uma assimilação imediata da mensagem.
BARBOSA, S. A denúncia por meio da arte. Rio de Janeiro: UFRJ, 2019. (adaptado)
Localizado na Cisjordânia, o grafite de Banksy faz uma crítica
a) à segregação populacional.
b) à intolerância religiosa mútua
c) ao legado colonial traumático
d) à ação de grupos separatistas radicais.
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16 – Em 1956, a nacionalização de uma importante via de navegação localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho desencadeou uma grave crise diplomática e militar envolvendo Egito, Reino Unido, França e Israel. A medida foi tomada pelo governo egípcio após tensões com potências ocidentais, gerando reação imediata de países que dependiam intensamente dessa passagem para o abastecimento energético e para o comércio entre Europa e Ásia. O episódio tornou-se um marco das disputas geopolíticas no contexto da Guerra Fria e da descolonização afro-asiática.
Adaptado de HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
A relevância estratégica do conflito descrito estava associada principalmente ao:
a) acesso privilegiado a reservas energéticas continentais
b) predomínio sobre fluxos marítimos intercontinentais
c) controle de áreas com minerais estratégicos
d) monopólio de corredores petrolíferos
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17 – A partir de 2010, uma série de manifestações populares espalhou-se por diferentes países do Norte da África e do Oriente Médio. Os protestos reuniram milhares de pessoas insatisfeitas com governos autoritários, corrupção, desemprego e ausência de liberdades políticas. Em alguns casos, as mobilizações resultaram na queda de líderes históricos; em outros, desencadearam guerras civis e instabilidade prolongada. O conjunto desses acontecimentos ficou conhecido como Primavera Árabe.
HOURANI, Albert. Uma História dos Povos Árabes. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
Os acontecimentos descritos no texto tiveram como principal motivação:
a) contestação à concentração de poder e às desigualdades socioeconômicas
b) reação à intensificação da influência religiosa nas instituições civis
c) oposição ao avanço de alianças militares ocidentais na região
d) resistência à fragmentação territorial de matrizes coloniais
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18 – Desde o início da guerra civil síria, em 2011, milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas residências em razão dos combates, da destruição de infraestrutura urbana e da instabilidade política prolongada. Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a maior parte dos deslocados que deixaram o território sírio concentrou-se em países como Turquia, Líbano e Jordânia, enquanto apenas uma parcela menor dirigiu-se ao continente europeu. Especialistas apontam que esse padrão se repete em diversas crises humanitárias contemporâneas.
Fonte: ACNUR. Global Trends Report, 2024.

Infográfico elaborado pela BBC em 2015
O padrão migratório descrito no texto evidencia a tendência de deslocamentos forçados em direção a:
a) territórios de maior acessibilidade geográfica imediata
b) economias de maior estabilidade monetária estrutural
c) centros de maior influência geopolítica internacional
d) áreas de maior dinamismo produtivo regional
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19 – Em outubro de 2001, os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva militar no Afeganistão em resposta aos atentados de 11 de setembro, promovidos semanas antes contra símbolos do poder econômico e militar norte-americano. A operação contou com apoio de aliados internacionais e tinha como meta inicial combater grupos extremistas instalados na região, além de desarticular estruturas políticas acusadas de oferecer abrigo a organizações terroristas. O conflito prolongou-se por duas décadas, tornando-se uma das mais longas campanhas militares da história contemporânea.
Adaptado bbc.com
A ação militar descrita não ocorreu exclusivamente no Afeganistão. A doutrina que procurou legitimar as ações estadunidenses fundamentou-se na::
a) contenção de avanços ideológicos muçulmanos
b) preservação das áreas de influência ocidentais
c) ocupação preventiva de áreas com ideologias anti ocidentais
d) promoção de intervenções em territórios com poderio nuclear
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20 – Distribuídos principalmente entre Turquia, Síria, Iraque, Irã e Armênia, os curdos formam um dos maiores grupos étnicos do mundo sem um Estado soberano próprio. Apesar de possuírem identidade linguística, tradições culturais e forte senso de pertencimento coletivo, sua população encontra-se fragmentada por fronteiras estabelecidas ao longo do século XX, após a reorganização territorial do Oriente Médio no contexto do pós-Primeira Guerra Mundial. Ao longo das últimas décadas, movimentos políticos e armados ligados a esse grupo têm reivindicado maior autonomia ou independência, frequentemente enfrentando resistência dos governos nacionais da região.
Adaptado de GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005.

A situação descrita no texto exemplifica um caso de:
a) nação sem Estado
b) Estado multinacional
c) independência territorial
d) fragmentação confederativa
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GABARITO:
1 – B
A alternativa correta é a letra B, pois os ataques dos Houthis a embarcações no Mar Vermelho podem provocar uma perda no poder de compra da população europeia em razão dos impactos econômicos gerados sobre o comércio internacional e os custos logísticos globais. O Mar Vermelho é uma das principais rotas marítimas do planeta, conectando o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo por meio do Canal de Suez, passagem estratégica para o fluxo de mercadorias entre Ásia, Europa e parte da África. Grande parte dos produtos industrializados asiáticos — como eletrônicos, máquinas, roupas e bens de consumo em geral — chega à Europa por essa rota, além de petróleo e gás oriundos do Oriente Médio. Quando ataques militares ou ameaças à navegação tornam essa rota insegura, diversas companhias marítimas são obrigadas a desviar seus navios pelo extremo sul da África, contornando o Cabo da Boa Esperança. Esse novo trajeto é muito mais longo, elevando significativamente os custos com combustível, seguros, tempo de transporte e operação logística. Como consequência, o preço final das mercadorias tende a aumentar, gerando pressões inflacionárias sobre os mercados consumidores. Em economias altamente dependentes de importações, como várias da Europa, esse encarecimento pode reduzir o poder de compra da população, já que os consumidores passam a pagar mais caro por bens e produtos importados.
2 – B
O movimento sionista, conforme descrito no texto, compartilha com diversos nacionalismos europeus do século XIX uma forte dimensão de etnocentrismo, isto é, a valorização de uma identidade étnica ou nacional específica como fundamento da organização política e territorial. O final do século XIX foi um período marcado pela consolidação dos nacionalismos modernos na Europa, ideologias que defendiam que cada povo, entendido como uma comunidade unida por língua, cultura, história ou origem comum, deveria possuir seu próprio Estado soberano. Dentro dessa lógica, o sionismo surgiu propondo a autodeterminação política dos judeus em um território considerado historicamente seu, com base na ideia de construção de um Estado nacional onde essa população pudesse constituir maioria e exercer soberania plena. O próprio texto evidencia esse traço ao afirmar que o sionismo buscava criar um Estado judeu onde houvesse maioria absoluta judaica e onde fosse possível conquistar a maior quantidade de terra com a menor presença árabe-palestina possível. Essa perspectiva revela uma lógica típica dos nacionalismos étnicos do período: a tentativa de associar território, povo e Estado a uma identidade nacional específica, frequentemente priorizando um grupo étnico em detrimento de outros que ocupavam o mesmo espaço. Essa concepção se aproxima de outros movimentos nacionalistas europeus da época, como o pangermanismo e o paneslavismo, que também valorizavam a ideia de unidade étnico-cultural como base da soberania política.
3- C
O avanço do programa nuclear iraniano pode contribuir para a redução da influência norte-americana na região ao fortalecer militar e geopoliticamente um dos principais rivais estratégicos dos Estados Unidos no Oriente Médio. Desde a Revolução Iraniana de 1979, quando foi derrubado o xá aliado de Washington e instaurada uma república islâmica antiocidental, o Irã tornou-se um dos maiores antagonistas da política externa norte-americana na região. Por isso, o desenvolvimento de um programa nuclear com potencial militar é visto pelos EUA e seus aliados como um fator capaz de alterar profundamente o equilíbrio de poder regional. Caso o Irã alcance capacidade nuclear plena — ou mesmo um alto nível de enriquecimento de urânio com potencial bélico — ele ampliaria significativamente seu poder de dissuasão e sua capacidade de projetar força frente a rivais regionais e potências externas. Isso reduziria a liberdade de atuação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, uma vez que qualquer tentativa de intervenção contra Teerã passaria a envolver riscos muito maiores. Além disso, um Irã nuclearizado poderia fortalecer sua posição perante aliados regionais, como grupos xiitas armados no Líbano, Iraque, Síria e Iêmen, consolidando ainda mais sua influência regional e dificultando a manutenção da hegemonia estratégica norte-americana.
4 – C
O embargo do petróleo promovido pelos países árabes em 1973 gerou como consequência socioeconômica imediata a elevação dos custos produtivos em diversas partes do mundo, especialmente nos países industrializados ocidentais. O episódio ocorreu durante a chamada Guerra do Yom Kippur, quando Egito e Síria atacaram Israel tentando recuperar territórios perdidos em 1967. Como os Estados Unidos e outras potências ocidentais ofereceram apoio militar a Israel, os países árabes exportadores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita e organizados no âmbito da OPEP, decidiram retaliar economicamente reduzindo a produção de petróleo e impondo embargo aos países considerados aliados dos israelenses. Essa decisão teve impacto imediato porque, na década de 1970, a economia mundial era altamente dependente do petróleo como principal fonte energética. O petróleo abastecia indústrias, sistemas de transporte, geração de energia elétrica e praticamente toda a logística produtiva global. Com a redução abrupta da oferta internacional, o preço do barril disparou no mercado mundial, fenômeno conhecido como Primeira Crise do Petróleo. Como consequência, os custos de produção industrial aumentaram significativamente, já que empresas passaram a gastar mais com transporte, combustíveis, eletricidade e matérias-primas derivadas do petróleo, como plásticos, fertilizantes e insumos químicos. Esse aumento dos custos produtivos gerou um efeito inflacionário global, pois o encarecimento da produção foi repassado ao preço final dos produtos. Diversos países enfrentaram recessão, desemprego e estagnação econômica, num fenômeno conhecido como estagflação. Assim, o impacto imediato da medida árabe foi justamente o encarecimento generalizado da atividade econômica.
5 – D
O primeiro texto, é descrita a reforma do Judiciário promovida pelo governo israelense em 2023, que reduziu os poderes da Suprema Corte ao limitar sua capacidade de barrar decisões consideradas irrazoáveis. A proposta gerou grandes protestos porque muitos setores da sociedade interpretaram a medida como uma tentativa de enfraquecer os mecanismos de freios e contrapesos do Estado, concentrando mais poder nas mãos do governo e reduzindo controles institucionais sobre o Executivo. Diversos observadores e críticos apontaram que a reforma poderia enfraquecer a independência judicial e concentrar poder político no governo. Esse tipo de prática é frequentemente associado ao autoritarismo político, pois representa a tentativa de ampliar o poder governamental reduzindo limites institucionais típicos de regimes democráticos. O segundo texto, é relatada uma operação militar israelense em Jenin, cidade palestina localizada na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967 e que, segundo diversas resoluções internacionais, integra a área prevista para um futuro Estado palestino. A ofensiva em Jenin ocorreu em meio às tensões do conflito israelo-palestino e resultou em mortos e feridos palestinos. A operação foi uma das maiores incursões israelenses na Cisjordânia em anos. No contexto da questão, essa ação é interpretada como expressão de intolerância étnica, uma vez que envolve repressão militar sobre uma população de identidade nacional e étnica distinta, ligada ao histórico conflito entre israelenses e palestinos e à disputa territorial marcada por forte componente identitário.
6 – C
O texto destaca que o desenho territorial do Oriente Médio foi definido por potências europeias após a Primeira Guerra Mundial, especialmente no contexto da desagregação do Império Otomano. Esse processo não levou em conta a complexa distribuição de povos, religiões e identidades locais, o que resultou na criação de Estados com forte heterogeneidade interna e em muitos casos sem coesão nacional. Assim, as fronteiras foram impostas “de fora para dentro”, de acordo com interesses estratégicos de potências como Reino Unido e França, o que explica o uso da expressão “delimitação exógena”.
7 – A
A declaração do ministro das Relações Exteriores de Israel demonstra que o país decidiu manter sua estratégia militar independentemente da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, ou seja, com base em uma lógica de decisão unilateral. O texto informa que, mesmo após a aprovação de uma proposta internacional que determinava cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, o governo israelense declarou explicitamente que não seguiria a orientação e continuaria suas operações militares até atingir seus objetivos estratégicos, no caso, a destruição do Hamas e o retorno dos reféns. No campo das relações internacionais, chama-se de ação unilateral quando um Estado toma decisões e conduz sua política externa ou militar de maneira autônoma, sem se submeter à vontade, mediação ou deliberação de organismos multilaterais internacionais. A ONU, especialmente por meio de seu Conselho de Segurança, constitui um dos principais fóruns de mediação diplomática global, criado justamente para tentar coordenar soluções coletivas para conflitos internacionais. Ao rejeitar formalmente uma resolução aprovada nesse espaço, Israel demonstra que está priorizando seus próprios interesses estratégicos e avaliações de segurança acima da decisão coletiva da comunidade internacional representada naquele órgão.
8 – C
A análise da evolução territorial de Israel desde 1946 evidencia uma postura historicamente expansionista, marcada pela ampliação progressiva do território sob controle israelense ao longo das décadas. Antes do Plano de Partilha da ONU de 1947, a Palestina apresentava predominância territorial árabe, com áreas menores de ocupação judaica. A proposta da ONU previa a divisão do território em dois Estados, um judeu e um árabe, além de uma administração internacional para Jerusalém. No entanto, após a criação oficial do Estado de Israel em 1948 e a guerra árabe-israelense subsequente, Israel passou a controlar uma área superior à originalmente prevista no plano de partilha. Esse processo de expansão territorial continuou nas décadas seguintes, especialmente após a Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel ocupou novos territórios estratégicos, como a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental, as Colinas de Golã e a Península do Sinai (esta última posteriormente devolvida ao Egito). Ainda que parte desses territórios tenha sido posteriormente desocupada, como ocorreu com o Sinai e com a retirada militar de Gaza, o avanço da ocupação israelense sobre áreas palestinas e a ampliação dos assentamentos judaicos na Cisjordânia reforçam a percepção de uma postura expansionista ao longo de sua história.
9 – B
O principal problema do slogan “uma terra sem povo para um povo sem terra” é justamente ignorar que os territórios considerados “vazios” já eram ocupados por contingentes populacionais com vínculos territoriais consolidados, isto é, por populações que viviam, utilizavam e mantinham relações históricas, culturais e econômicas com aquele espaço. Tanto no caso mencionado por Losurdo em relação à Palestina quanto no processo de ocupação da Amazônia promovido pelos governos militares brasileiros, essa retórica foi utilizada como instrumento ideológico para legitimar projetos de ocupação territorial, expansão econômica e colonização, desconsiderando deliberadamente a existência das populações que já habitavam essas regiões. No caso da Amazônia, durante as décadas de 1960 e 1970, o regime militar difundiu o discurso de que seria necessário “integrar para não entregar” e ocupou a região sob a justificativa de que se tratava de um espaço vazio e subutilizado. Essa narrativa serviu para justificar grandes projetos de colonização, abertura de rodovias como a Transamazônica, incentivo à migração interna e expansão da fronteira agrícola. Contudo, a Amazônia estava longe de ser um vazio demográfico: nela já viviam milhões de pessoas, incluindo povos indígenas, comunidades ribeirinhas, seringueiros, castanheiros, pequenos agricultores e populações tradicionais, todas com profundos vínculos históricos e territoriais com a região. Ao ignorar essa realidade, o Estado brasileiro promoveu deslocamentos forçados, conflitos fundiários, desmatamento e diversas formas de violência contra esses grupos.
10 – C
os Acordos de Abraão, assinados inicialmente em 2020 entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein — e posteriormente ampliados com a adesão de Marrocos e Sudão — tiveram como um de seus principais efeitos geopolíticos o maior isolamento regional do Irã, potência que se consolidou como um dos principais adversários estratégicos de Israel no Oriente Médio. Esses acordos representam um marco diplomático importante porque romperam parcialmente com a lógica tradicional segundo a qual países árabes condicionavam o reconhecimento de Israel à resolução prévia da questão palestina. Ao normalizarem relações com Israel, diversas monarquias e governos árabes passaram a priorizar interesses estratégicos próprios, especialmente no campo da segurança regional. O pano de fundo dessa aproximação está ligado ao crescimento da influência iraniana no Oriente Médio nas últimas décadas. Após a Revolução Islâmica de 1979, o Irã passou a adotar uma postura fortemente anti-Israel e antiocidental, além de apoiar financeiramente, militarmente e politicamente grupos armados hostis ao Estado israelense, como Hezbollah no Líbano, Hamas em Gaza e outros movimentos alinhados ao chamado “Eixo da Resistência”. Paralelamente, países árabes sunitas como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita passaram a enxergar o Irã como seu principal rival estratégico, especialmente devido à rivalidade histórica entre sunitas e xiitas e à disputa por hegemonia regional. Nesse contexto, os Acordos de Abraão consolidam uma aliança informal entre Israel e parte do mundo árabe sunita, aproximando antigos rivais em torno de um inimigo comum: o Irã. Assim, ao ampliar a cooperação diplomática, econômica e de segurança entre Israel e países árabes, esses acordos contribuem para reduzir o espaço diplomático iraniano e aumentar seu isolamento geopolítico na região.
11 – A
O movimento sionista surgiu no final do século XIX profundamente inserido no contexto intelectual e político da Europa daquele período, marcado pela difusão de ideologias nacionalistas e por uma visão de mundo frequentemente baseada em ideias de superioridade étnica. O conceito de Zeitgeist, ou “espírito de época”, ajuda justamente a compreender como determinadas ideias predominantes em um período histórico influenciam diversos movimentos políticos. No caso do final do século XIX, a Europa vivia o auge do nacionalismo romântico, do imperialismo e do chamado racismo científico, correntes de pensamento que defendiam a superioridade de determinados povos sobre outros e legitimavam tanto projetos coloniais quanto movimentos nacionalistas baseados em critérios étnicos e culturais. O sionismo nasceu nesse ambiente como um movimento nacionalista judaico que buscava a criação de um Estado próprio para o povo judeu, seguindo a lógica de autodeterminação nacional que também influenciava outros grupos europeus naquele contexto. Entretanto, conforme o texto sugere, essa proposta foi construída dentro de uma mentalidade comum à época, em que diversos movimentos europeus concebiam territórios e populações a partir de uma perspectiva hierarquizante e civilizatória. A própria ideia de ocupação da Palestina como espaço de reconstrução nacional dialogava com práticas coloniais típicas do período, nas quais povos europeus frequentemente tratavam populações locais como inferiores ou obstáculos ao progresso. Assim, o sionismo compartilha com outras ideologias de seu tempo uma matriz de pensamento fortemente influenciada por noções de identidade étnica, nacionalismo exclusivista e diferenciação entre povos.
12 – B
O conflito descrito no texto corresponde à Guerra dos Seis Dias, ocorrida em junho de 1967, e sua principal consequência espacial foi a expansão territorial do Estado de Israel. O texto menciona que se tratava da terceira guerra entre Israel e seus vizinhos árabes desde 1948, em um contexto de crescente nacionalismo árabe liderado por Gamal Abdel Nasser, então presidente do Egito, e de forte mobilização dos países da Liga Árabe contra a existência do Estado israelense. Esse cenário corresponde exatamente às tensões que antecederam a Guerra dos Seis Dias, quando Israel lançou um ataque preventivo contra Egito, Síria e Jordânia diante da mobilização militar árabe na região. O conflito recebeu esse nome porque durou apenas seis dias, mas teve consequências geopolíticas profundas. Ao final da guerra, Israel obteve uma vitória militar extremamente rápida e ampliou significativamente seu território, ocupando áreas estratégicas como a Península do Sinai e a Faixa de Gaza (antes controladas pelo Egito), a Cisjordânia e Jerusalém Oriental (antes sob domínio jordaniano) e as Colinas de Golã (pertencentes à Síria). Essa expansão territorial transformou radicalmente a geografia política do Oriente Médio e inaugurou um novo estágio do conflito israelo-palestino, já que milhões de palestinos passaram a viver sob ocupação israelense. Assim, a consequência espacial direta desse conflito foi justamente a ampliação do território controlado por Israel.
13 – D
O fato de a reaproximação diplomática entre Irã e Arábia Saudita ter sido mediada pela China evidencia a existência de novos polos de poder no campo das relações internacionais, indicando uma transformação importante na estrutura geopolítica mundial contemporânea. Tradicionalmente, as grandes negociações diplomáticas envolvendo o Oriente Médio foram conduzidas ou fortemente influenciadas por potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, que desde a Guerra Fria atuam como principal agente externo na região. O protagonismo chinês nesse acordo demonstra que outras potências passaram a disputar influência política e estratégica em áreas historicamente dominadas pelo Ocidente. Esse episódio reflete uma tendência crescente de multipolarização do sistema internacional, isto é, a transição de um cenário de forte centralidade ocidental para outro em que diversas potências disputam protagonismo global. A China, além de ser uma potência econômica, vem expandindo sua atuação diplomática, comercial e geopolítica em várias regiões do planeta, especialmente por meio de investimentos estratégicos, acordos comerciais e participação em negociações internacionais. Sua atuação como mediadora entre duas potências rivais do Oriente Médio mostra que Pequim já não se limita ao campo econômico, mas busca também ampliar seu papel como ator diplomático global.
14 – C
A Crise do Petróleo da década de 1970 impulsionou, entre os países capitalistas industrializados, um amplo processo de reorganização territorial da produção. O forte aumento no preço do petróleo provocado pelos embargos e cortes de produção da OPEP elevou drasticamente os custos industriais, especialmente nos países ocidentais altamente dependentes de energia fóssil importada. Como o petróleo era base do transporte, da logística e do funcionamento industrial, o encarecimento da energia aumentou os custos produtivos e reduziu a competitividade das indústrias tradicionais instaladas nos países centrais. Diante desse cenário, empresas e governos passaram a buscar novas estratégias para reduzir custos e manter a lucratividade. É justamente nesse contexto que se intensifica a transição para o chamado meio técnico-científico-informacional, conceito elaborado por Milton Santos para designar uma nova fase da organização espacial da economia, marcada pelo avanço das telecomunicações, da informática, da automação e da integração global das redes produtivas. Com esses novos recursos tecnológicos, tornou-se possível fragmentar a produção e redistribuir diferentes etapas do processo produtivo para distintas partes do mundo, de acordo com vantagens locacionais específicas, como mão de obra barata, incentivos fiscais, proximidade de mercados consumidores ou matérias-primas. Assim, muitas empresas passaram a deslocar parte de sua produção industrial para países periféricos ou emergentes, inaugurando um processo de desconcentração industrial e internacionalização produtiva, também chamado de reestruturação produtiva. Em vez de manter todas as etapas produtivas concentradas em um único território, as empresas passaram a organizar cadeias globais de produção, distribuindo unidades industriais por diversos países e reorganizando espacialmente suas atividades. Portanto, a crise do petróleo foi um dos fatores que estimularam essa nova lógica territorial do capitalismo global.
15 – A
O grafite de Banksy, localizado na Cisjordânia, faz uma crítica direta à segregação populacional promovida pela existência do muro que separa partes do território palestino de áreas controladas por Israel. O artista utiliza o símbolo universal de “corte aqui” — normalmente presente em embalagens e objetos cotidianos — para sugerir, de forma irônica e visualmente imediata, que aquela barreira física deveria ser removida. A mensagem do grafite ganha força justamente porque foi pintada sobre ou próxima ao chamado Muro da Cisjordânia, construído por Israel a partir dos anos 2000 sob a justificativa de ampliar sua segurança diante de atentados terroristas. Entretanto, esse muro é amplamente criticado por organismos internacionais e movimentos de direitos humanos porque, na prática, vai além de uma simples barreira de segurança: ele fragmenta o território palestino, separa comunidades, dificulta deslocamentos cotidianos e restringe o acesso de milhares de palestinos a empregos, escolas, hospitais e áreas agrícolas. Dessa forma, o grafite denuncia visualmente um processo de separação física entre populações que convivem em um mesmo espaço regional, evidenciando uma lógica de segregação territorial e populacional.
16 – B
O conflito descrito refere-se à Crise de Suez de 1956, desencadeada após a nacionalização do Canal de Suez pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, e sua importância estratégica estava diretamente ligada ao predomínio sobre fluxos marítimos intercontinentais. O Canal de Suez é uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta, pois conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, permitindo a ligação direta entre a Europa e a Ásia sem a necessidade de contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança. Dessa forma, ele reduz significativamente tempo, distância e custos de navegação, sendo essencial para o comércio internacional e para o transporte de petróleo entre o Oriente Médio e a Europa. Quando Nasser nacionalizou o canal em 1956, retirando-o do controle de companhias franco-britânicas, Reino Unido e França reagiram com enorme preocupação, pois dependiam intensamente dessa rota para o abastecimento energético e para a manutenção de seus fluxos comerciais com a Ásia e com antigas áreas coloniais. Israel também participou da ofensiva militar contra o Egito por razões geopolíticas e estratégicas regionais. Assim, o centro da disputa não era apenas o território egípcio em si, mas sobretudo o controle sobre uma das principais rotas marítimas do comércio mundial, fundamental para a circulação intercontinental de mercadorias, energia e recursos estratégicos.
17 – A
A chamada Primavera Árabe, iniciada em 2010, teve como principal motivação a contestação à concentração de poder político e às desigualdades socioeconômicas presentes em diversos países do Norte da África e do Oriente Médio. O movimento começou na Tunísia após o suicídio do jovem ambulante Mohamed Bouazizi, que ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra abusos policiais e contra a precariedade de suas condições de vida. Esse episódio tornou-se símbolo de um descontentamento muito mais amplo existente em vários países árabes, onde grandes parcelas da população conviviam com desemprego elevado, pobreza, corrupção estatal, falta de perspectivas econômicas e forte repressão política. Grande parte dos países atingidos pelas manifestações era governada havia décadas por regimes autoritários, marcados pela concentração de poder nas mãos de líderes ou grupos políticos pouco abertos à participação popular. Governos como os de Hosni Mubarak, no Egito, Muammar Kadafi, na Líbia, Bashar al-Assad, na Síria, e Ben Ali, na Tunísia, eram frequentemente acusados de corrupção, repressão às oposições e limitação severa das liberdades civis. Nesse contexto, milhares de pessoas passaram a ocupar as ruas exigindo maior democratização, combate à corrupção, ampliação de direitos políticos e melhores condições de vida. Assim, a Primavera Árabe foi impulsionada tanto por fatores políticos, ligados ao autoritarismo e à ausência de liberdades democráticas, quanto por fatores econômicos e sociais, relacionados à desigualdade, ao desemprego e à deterioração das condições de vida. Essa combinação de insatisfações explica por que os protestos rapidamente ganharam grande adesão popular e se espalharam por diversos países da região.
18 – A
O padrão migratório descrito no texto evidencia que os deslocamentos forçados em crises humanitárias tendem a ocorrer prioritariamente em direção a territórios de maior acessibilidade geográfica imediata, ou seja, países vizinhos ou regiões mais próximas ao local de origem da população refugiada. No caso da guerra civil síria, iniciada em 2011, milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido aos bombardeios, perseguições políticas, destruição urbana e insegurança generalizada. Entretanto, como destaca o texto, a maior parte desses refugiados não se dirigiu à Europa, mas sim a países fronteiriços como Turquia, Líbano e Jordânia. Esse padrão ocorre porque, em situações de deslocamento forçado, o objetivo inicial das populações refugiadas geralmente não é buscar imediatamente os países mais ricos ou desenvolvidos, mas sim alcançar rapidamente um local seguro que esteja geograficamente próximo e acessível. Em cenários de guerra, os deslocamentos frequentemente acontecem de forma emergencial, com poucos recursos financeiros, pouca capacidade logística e necessidade urgente de fuga. Por isso, a proximidade territorial torna-se um fator determinante: atravessar uma fronteira próxima costuma ser mais rápido, barato e viável do que realizar deslocamentos longos para continentes distantes. Esse comportamento se repete em diversas crises contemporâneas. Refugiados afegãos concentram-se majoritariamente no Paquistão e no Irã; refugiados venezuelanos dirigem-se sobretudo à Colômbia e outros países sul-americanos vizinhos; refugiados sudaneses tendem a migrar para países próximos da África Subsaariana. Trata-se, portanto, de uma lógica espacial recorrente nos fluxos migratórios forçados: a proximidade geográfica é o principal critério inicial de destino.
19 – C
A ofensiva militar iniciada pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001 foi fundamentada na chamada Doutrina da Guerra ao Terror, que procurou legitimar a realização de ocupações preventivas em áreas consideradas ameaçadoras ao Ocidente, especialmente territórios associados a grupos extremistas ou governos acusados de apoiar organizações terroristas. Após os ataques promovidos pela Al-Qaeda contra Nova York e Washington, o governo do presidente George W. Bush formulou uma nova diretriz de política externa baseada na ideia de que os Estados Unidos poderiam agir militarmente de forma antecipada contra qualquer Estado ou grupo que representasse ameaça potencial à sua segurança nacional, mesmo sem agressão militar direta prévia. Essa lógica ficou conhecida como doutrina da guerra preventiva ou doutrina Bush, e sustentava que o combate ao terrorismo internacional exigia ações ofensivas antes que ameaças se concretizassem plenamente. Com base nesse raciocínio, os EUA invadiram o Afeganistão em 2001 para derrubar o regime Talibã, acusado de abrigar Osama bin Laden e a Al-Qaeda, e posteriormente invadiram também o Iraque em 2003, sob a justificativa de neutralizar ameaças futuras e combater regimes considerados hostis ao Ocidente. Assim, a guerra não foi pensada apenas como resposta pontual aos atentados, mas como parte de uma estratégia mais ampla de intervenção preventiva em regiões vistas como focos de radicalismo e ameaça estratégica.A invasão do Iraque em 2003 aprofundou ainda mais essa doutrina. O governo Bush alegava que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa e mantinha vínculos com organizações terroristas, o que representaria uma ameaça futura à segurança internacional. Posteriormente, tais armas nunca foram encontradas, e investigações demonstraram que a justificativa utilizada para a guerra era extremamente controversa. Ainda assim, a invasão mostrou como os Estados Unidos passaram a adotar uma postura intervencionista baseada não em ataques já realizados, mas em ameaças potenciais ou presumidas, ampliando significativamente o alcance da Guerra ao Terror. Dessa forma, o Iraque tornou-se símbolo da aplicação máxima da guerra preventiva, evidenciando que a doutrina estadunidense não se limitava ao combate direto ao terrorismo, mas envolvia também a reconfiguração geopolítica de regiões consideradas estratégicas e politicamente hostis ao Ocidente.
20 – A
A situação descrita no texto exemplifica claramente o caso de uma nação sem Estado. Esse conceito é utilizado para designar grupos humanos que possuem elementos típicos de identidade nacional — como língua própria, cultura compartilhada, tradições históricas, sentimento de pertencimento coletivo e consciência de identidade comum — mas que não possuem soberania política sobre um território independente e reconhecido internacionalmente. Os curdos representam o exemplo clássico dessa condição na geopolítica contemporânea, sendo frequentemente apontados como o maior povo do mundo sem Estado próprio. O povo curdo está distribuído principalmente entre Turquia, Síria, Iraque, Irã e partes do Cáucaso, ocupando uma região montanhosa conhecida como Curdistão histórico. Após a Primeira Guerra Mundial e a fragmentação do antigo Império Otomano, os tratados internacionais que reorganizaram o Oriente Médio não criaram um Estado curdo independente, apesar de existirem expectativas iniciais nesse sentido. Como consequência, a população curda ficou dividida entre diferentes Estados nacionais, tornando-se minoria étnica em todos eles. Desde então, diversos movimentos políticos e militares curdos passaram a reivindicar autonomia regional, federalismo ou independência plena, enfrentando forte repressão dos governos centrais, especialmente na Turquia e no Iraque em diferentes momentos históricos. Essa situação demonstra que, embora os curdos apresentem características típicas de uma nação, eles não controlam um Estado soberano próprio, vivendo submetidos às fronteiras políticas de outros países. Essa dissociação entre identidade nacional e soberania territorial é precisamente o que define uma nação sem Estado.