Por Victor Maurício

Pela primeira vez desde o início da série histórica, criada em 1991, São Paulo apresentou um saldo migratório negativo. A notícia foi divulgada pelo IBGE na última sexta-feira, 27 de junho. O estado registrou 825,9 mil saídas (emigrantes) e 736,3 mil entradas (imigrantes), configurando um saldo migratório negativo de aproximadamente 89 mil pessoas. O estado com maior perda populacional foi o Rio de Janeiro, apresentando o maior saldo negativo do país, com menos 165,4 mil habitantes. O cenário oposto acontece em Santa Catarina: com 503,6 mil imigrantes e 149,2 mil emigrantes, o estado teve um saldo positivo com aumento populacional bruto de 354,4 mil pessoas.
As duas maiores metrópoles do país, que por décadas foram polos de atração migratória, parecem ter atingido um ponto de saturação.Estados que lideravam a atração de migração perdem força e isso aponta para o fim da hegemonia do Sudeste como magneto populacional..
O êxodo do Sudeste reflete crises estruturais, não apenas de conjuntura econômica: o crescimento do trabalho remoto, os preços elevados de moradia, as insuficiências e desigualdades na distribuição de equipamentos públicos e a violência empurram cidadãos para novos polos. Grande parte desses fluxos se dirigem para outras capitais e cidades médias regionais, caracterizando a tendência das migrações de retorno, aquela em que o migrante opta por voltar a sua cidade de origem em busca de menores custos e maior qualidade de vida.
A região nordeste, que por décadas foi uma área de repulsão populacional, já possui um estado com saldo positivo, a Paraíba. Trata-se de um caso emblemático dessa dinâmica de retorno. Dos fluxos que se dirigiam para a Paraíba, 22,3% são oriundos de São Paulo e 20,0 % do Rio de Janeiro. Há uma inversão dos polos atrativos que imperaram por décadas durante os séculos XX e a parte do XXI.
Em outro cenário, o campeão de atrações foi Santa Catarina. O estado registrou o maior saldo migratório positivo do país. Enquanto 149,2 mil pessoas emigraram, 506,6 mil imigraram, ou seja, há um saldo migratório de 354,4 mil pessoas. Uma série de fatores sociais e econômicos se combinam para explicar essa atração. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, “Além dos baixos índices de violência, o estado se destaca em indicadores de desenvolvimento humano e apresenta uma das menores proporções de domicílios beneficiados pelo Bolsa Família. Enquanto a média nacional é de 18,7%, em Santa Catarina esse número cai para 4,4%. Também registra a menor taxa de analfabetismo do país entre pessoas com 15 anos ou mais, com apenas 2,7% da população sem saber ler ou escrever”.
Mas como essa matéria poderia cair na sua prova? Segue uma questão autoral inédita
No cenário demográfico do Brasil, dados do Censo de 2022 também indicaram que as cidades médias (entre 100 mil e 500 mil habitantes) são a categoria de cidade que mais apresenta incremento populacional. Essa dinâmica demográfica está associada ao conceito de:
a) desconcentração industrial
b) desmetropolização
c) gentrificação territorial
d) migração pendular
e) desterritorialização
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