O acordo nuclear com o Irã, tema central da diplomacia internacional desde 2015, voltou a ocupar o centro das atenções em 2025 com um novo rascunho de entendimento — ainda informal — que reacende esperanças e, ao mesmo tempo, preocupações. A proposta, impulsionada por pressões tanto dos Estados Unidos quanto da União Europeia, pretende impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, mas sem repetir os termos mais restritivos do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), o pacto original firmado no governo Obama.

Segundo o Council on Foreign Relations (CFR), o JCPOA foi assinado entre o Irã e seis potências mundiais (EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) para limitar o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções econômicas. Inspeções internacionais foram garantidas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e o Irã reduziu consideravelmente suas reservas de urânio enriquecido. Entretanto, o pacto foi rompido em 2018 por decisão do então presidente Donald Trump, que retirou unilateralmente os EUA do acordo e reimpôs sanções severas a Teerã.

Agora, no contexto de 2025 e com Trump novamente como figura central no cenário eleitoral, o Irã é pressionado a aceitar um novo acordo, mas sem as “cláusulas de caducidade” (sunset clauses), ou seja, sem limite temporal para as restrições impostas. Em artigo do The Bulletin of the Atomic Scientists, especialistas alertam que essa nova proposta elimina uma das principais garantias do JCPOA original: a de que o Irã, ao longo do tempo, poderia retomar aspectos de seu programa nuclear para fins civis, desde que estivesse em conformidade com as normas internacionais.

Essa inflexibilidade, segundo analistas, pode tornar o novo pacto politicamente insustentável no Irã, que exige reciprocidade e alívio real das sanções econômicas em troca de concessões. Em entrevista ao Bulletin, o pesquisador Ali Vaez, do International Crisis Group, argumenta que: “Um acordo sem sunset clauses é uma armadilha porque remove incentivos de longo prazo e transforma a supervisão internacional em um dispositivo de punição permanente.”

A retórica agressiva de Trump, ainda fora da presidência, também adiciona instabilidade ao cenário. No fim de março, o ex-presidente declarou que “haverá bombardeios se o Irã não aceitar um acordo”, segundo reportagem da Reuters. A fala, que ecoa a política de “pressão máxima” de sua primeira gestão, foi criticada por líderes europeus e por setores da diplomacia americana que defendem soluções multilaterais e diplomáticas, não ameaças unilaterais que podem escalar para um novo conflito no Oriente Médio.

O Nexo Jornal analisa como o legado de Obama no acordo nuclear com o Irã tornou-se alvo constante de Trump desde 2016. Em sua cobertura mais recente, o jornal destaca que o atual impasse é resultado direto da erosão institucional causada pela retirada dos EUA do pacto original. O Irã, após anos de sanções, retomou atividades de enriquecimento de urânio em níveis próximos ao necessário para a fabricação de armas, o que levou a comunidade internacional a acionar novamente canais de mediação e alerta da AIEA.

Já a BBC relata que o novo rascunho de acordo propõe limitações técnicas ao enriquecimento e produção de centrífugas, mas sem garantias robustas de verificação ou um cronograma claro de alívio das sanções. Um diplomata europeu ouvido pela BBC afirmou: “É um acordo pela metade. Não há mecanismos de confiança nem instrumentos legais sólidos. Pode até evitar uma escalada agora, mas não garante estabilidade no médio prazo.”

O novo esboço de acordo, portanto, representa um pacto mais frágil e menos equilibrado que o anterior. Especialistas alertam que ele está mais próximo de uma “trégua informal” do que de um tratado multilateral efetivo.