Gabarito referente ao Simulado 2 do Projeto ENEM 2025

Resposta da questão 1: [B]

O texto descreve a expansão agrícola do Matopiba — região que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — como resultado de fatores ligados à modernização do campo, como uso intensivo de tecnologias, mecanização, correção do solo e aproveitamento de terras planas e baratas. Esse processo está diretamente relacionado ao modelo produtivo moderno, caracterizado pelo agronegócio em larga escala, com alta produtividade, integração a mercados globais e substituição de práticas tradicionais por técnicas científicas e capitalizadas. A modernização, embora impulsione o crescimento econômico, também gera impactos socioambientais, como concentração fundiária, deslocamento de comunidades locais e degradação ambiental, exigindo reflexão crítica sobre o modelo de desenvolvimento adotado.

Resposta da questão 2: [E]

O avanço do Dia de Sobrecarga da Terra reflete o ritmo insustentável de consumo dos recursos naturais, superando a capacidade de regeneração do planeta. Investir em fontes renováveis de energia — como solar, eólica e biomassa — contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, diminuir a emissão de gases de efeito estufa e limitar os impactos da exploração predatória. Essa transição energética amplia a capacidade de suporte ecológico, promovendo um equilíbrio entre crescimento econômico e conservação ambiental. No contexto do ENEM, essa temática dialoga com o desenvolvimento sustentável e com políticas de mitigação das mudanças climáticas, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Resposta da questão 3: [D]

Com a Constituição Federal de 1988, os remanescentes de quilombos passaram a ser reconhecidos como sujeitos de direitos coletivos, especialmente no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que garante a essas comunidades a propriedade definitiva de suas terras. Esse marco jurídico consolidou a atuação do Estado na promoção de políticas de inserção social e reparação histórica, valorizando o patrimônio cultural afro-brasileiro e a luta contra o racismo estrutural. As políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas buscam garantir cidadania, inclusão e preservação cultural, reconhecendo sua contribuição para a formação social do país e para a diversidade étnica e cultural brasileira.

Resposta da questão 4: [A]

O movimento das Madres de Plaza de Mayo surgiu durante a ditadura militar argentina (1976–1983), quando milhares de pessoas foram sequestradas, torturadas e mortas pelo regime. As mães dos desaparecidos transformaram o luto em resistência, denunciando ao mundo as graves violações dos direitos humanos cometidas pelo Estado, especialmente o desaparecimento forçado de opositores políticos. Sua atuação pública e persistente revelou a dimensão da repressão e consolidou um símbolo internacional de luta por memória, verdade e justiça. Ao reivindicar o direito à vida e à dignidade, as Madres expressaram a força da ação coletiva na defesa dos valores democráticos e dos direitos fundamentais.

Resposta da questão 5: [A]

O fragmento de Michel Foucault descreve duas formas históricas de controle social — o isolamento do leproso e o disciplinamento durante as epidemias de peste — para ilustrar a passagem de um modelo de exclusão para outro baseado na vigilância e na normatização dos corpos. Essa transição revela o surgimento da sociedade disciplinar, na qual o poder se exerce de modo difuso, contínuo e produtivo, por meio de instituições como escolas, prisões, quartéis e hospitais. Nelas, os indivíduos são observados, classificados e moldados para se adequarem às normas sociais, internalizando o controle. O autor analisa, portanto, como o poder moderno se estrutura não apenas pela repressão, mas pela vigilância permanente e pela produção de subjetividades dóceis e úteis ao sistema.

Resposta da questão 6: [B]

O texto evidencia que o Primeiro de Maio de 1890 surgiu como um ato político e simbólico voltado à consolidação da classe operária como sujeito histórico. Ao instituir uma data comum de luta e celebração, os trabalhadores buscavam afirmar uma identidade coletiva, fortalecendo a consciência de classe e a unidade política diante da exploração capitalista. Inspirada na tradição das festas revolucionárias francesas, essa comemoração transformou-se em um instrumento pedagógico e mobilizador, que articulava reivindicação e solidariedade internacional. Assim, o Primeiro de Maio não se restringe a um feriado, mas constitui um marco da construção da cultura política operária e da luta por direitos trabalhistas universais.

Resposta da questão 7: [C]

O texto aponta que o desmatamento e o uso inadequado do solo — por queimadas, mineração, irrigação excessiva e expansão urbana desordenada — provocam um processo cumulativo de degradação que compromete a capacidade produtiva da terra. A perda da cobertura vegetal expõe o solo à erosão, remove matéria orgânica e nutrientes essenciais, reduzindo sua fertilidade e dificultando a regeneração natural. Sem reposição de minerais e com a compactação superficial, o solo perde sua estrutura e função ecológica, tornando-se infértil e menos capaz de sustentar a vida vegetal. Essa situação reflete um grave desequilíbrio nas relações sociedade-natureza, resultado da exploração ambiental sem planejamento sustentável.

Resposta da questão 8: [A]

Os textos revelam a transição de uma identidade moldada pelo olhar colonial — que impunha padrões brancos como referência de humanidade e beleza — para uma afirmação positiva da negritude e de suas expressões culturais. Frantz Fanon denuncia o aprisionamento simbólico do sujeito negro sob o ideal branco, enquanto o texto de Nilma Lino Gomes evidencia a reconfiguração dessa identidade por meio da valorização estética e cultural nos espaços cotidianos, como os salões de beleza étnicos. Essa mudança traduz um movimento de resistência simbólica e política, que combate o racismo e promove o reconhecimento da diversidade, da ancestralidade africana e do orgulho de pertencer a uma identidade historicamente marginalizada.

Resposta da questão 9: [B]

A ilustração representa o “ciclo da violência doméstica”, no qual se alternam fases de tensão, agressão e reconciliação — a chamada “lua de mel” — até atingir o seu ponto extremo: a morte da mulher, ou seja, o feminicídio. Essa conduta social traduz o ápice da violência de gênero, quando a agressão se torna sistemática e naturalizada, rompendo os limites da convivência e resultando em tragédias irreversíveis. O esquema revela como o abuso se perpetua em um padrão repetitivo, sustentado por relações desiguais de poder e pela crença machista na posse do corpo e da vida feminina. Assim, o feminicídio não é um ato isolado, mas o desfecho de um processo contínuo de opressão e controle, que evidencia a urgência de políticas públicas de proteção e de educação para a igualdade de gênero.

Resposta da questão 10: [C]

O discurso do cacique Aniceto revela uma compreensão crítica das relações de poder entre indígenas e sociedade envolvente. Ao reivindicar o batismo, ele não busca abandonar a cosmologia xavante, mas utilizar um símbolo da cultura dominante — o sacramento cristão — como forma de reconhecimento e legitimação da humanidade de seu povo diante dos brancos. Trata-se, portanto, de uma estratégia política e simbólica de inserção social, diante de um contexto histórico em que a negação da fé cristã era associada à inferiorização e à exclusão. Essa postura expressa uma forma de resistência inteligente, que transforma o instrumento de dominação em meio de afirmação da dignidade indígena.

Resposta da questão 11: [E]

O texto destaca que o movimento LGBT surge como reação às práticas de repressão e estigmatização de identidades e orientações sexuais divergentes das normas sociais hegemônicas. Sua luta está centrada na defesa do direito à afirmação identitária, buscando reconhecimento, respeito e igualdade de direitos para pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Ao reivindicar visibilidade e dignidade, o movimento questiona estruturas culturais que associam a diversidade sexual à imoralidade ou à doença, promovendo a ampliação da cidadania e o combate à discriminação. Assim, ele se insere nas lutas contemporâneas por direitos humanos e inclusão social, fortalecendo os princípios democráticos e a valorização da diversidade.

Resposta da questão 12: [C]

O texto denuncia a concentração do controle da produção alimentar mundial nas mãos de poucas corporações, o que gera dependência econômica, perda da diversidade agrícola e vulnerabilidade social. Nesse contexto, o incentivo à produção orgânica se apresenta como uma medida de segurança alimentar que contesta esse modelo, pois valoriza práticas sustentáveis, a autonomia dos produtores locais e a preservação da biodiversidade. A agricultura orgânica privilegia o uso de sementes crioulas, o manejo ecológico do solo e o consumo de alimentos saudáveis, reduzindo a dependência de insumos industriais e de multinacionais. Trata-se, portanto, de uma estratégia de soberania alimentar, que busca equilibrar justiça social, saúde pública e sustentabilidade ambiental.

Resposta da questão 13: [A]

A legislação de 1907 reflete o contexto da Primeira República, período marcado pela transição do trabalho escravo para o trabalho livre e pela crescente chegada de imigrantes ao Brasil. O Estado buscava controlar a nova classe trabalhadora, considerada potencialmente perigosa por sua mobilidade e por sua participação em movimentos reivindicatórios e grevistas inspirados nas ideias anarquistas e socialistas europeias. Ao prever a expulsão de estrangeiros por “vagabundagem” ou “comprometimento da segurança nacional”, a lei funcionava como instrumento de vigilância e repressão política, visando garantir a ordem social e a disciplina laboral necessárias ao projeto de modernização capitalista em curso.

Resposta da questão 14: [A]

Durante o movimento abolicionista, a imprensa escrita desempenhou papel central na difusão das ideias contrárias à escravidão e na mobilização da opinião pública em todo o país. Jornais e panfletos abolicionistas, como A Gazeta da Tarde, O Abolicionista e O Paiz, divulgaram denúncias sobre os horrores da escravidão, exaltaram exemplos de resistência negra e incentivaram ações de libertação individual e coletiva. Esses meios de comunicação aproximaram intelectuais, políticos liberais, jornalistas e setores populares em torno da causa abolicionista, transformando o debate em uma campanha de alcance nacional. Assim, a imprensa consolidou-se como instrumento de luta política e de formação da consciência cidadã, antecipando práticas de mobilização social modernas.

Resposta da questão 15: [D]

Os direitos civis mencionados no texto são aqueles consolidados nas revoluções liberais dos séculos XVII e XVIII, especialmente na Revolução Gloriosa, na Independência dos Estados Unidos e na Revolução Francesa. Esses movimentos combateram o absolutismo e defenderam a limitação do poder estatal, garantindo aos indivíduos liberdades fundamentais como a igualdade perante a lei, a liberdade de expressão, de pensamento e de crença, além do direito à propriedade e à segurança pessoal. Esses direitos foram considerados “naturais” por pertencerem à condição humana e tornaram-se pilares das constituições modernas. Até hoje, constituem referência nas lutas contra regimes autoritários e na defesa da cidadania democrática.

Resposta da questão 16: [A]

A charge de 1907 reflete o discurso higienista e moralista das elites urbanas do início da República, que associavam as moradias populares e os cortiços à sujeira, à doença e à degradação moral. Esse pensamento justificou ações estatais de “saneamento” que, sob o pretexto de melhorar as condições sanitárias, promoveram a expulsão de populações pobres dos centros urbanos, especialmente no Rio de Janeiro. A visão preconceituosa de que os espaços ocupados pelas classes trabalhadoras representavam um risco à saúde e à moral pública traduz o caráter excludente das políticas urbanas do período, em que a modernização da cidade estava atrelada à segregação social e à marginalização dos mais vulneráveis.

Resposta da questão 17: [E]

Os caixeiros do comércio carioca, ao se organizarem em associações e participarem de manifestações públicas na década de 1880, inseriram-se em um contexto de efervescência política que unia trabalhadores, republicanos e abolicionistas. Suas reivindicações por direitos e reconhecimento profissional ultrapassavam o âmbito laboral, expressando também uma crítica à estrutura política monárquica, marcada pela concentração de poder e pela exclusão das camadas populares. Ao ocuparem o espaço público e demandarem a intervenção do Estado, esses trabalhadores afirmaram novas formas de participação política, articuladas às ideias de liberdade e cidadania que impulsionavam o movimento republicano. Assim, sua atuação simboliza o questionamento das hierarquias sociais e políticas do Império brasileiro.

Resposta da questão 18: [D]

O texto descreve um processo em que determinadas áreas urbanas passam a ser valorizadas por operações comerciais e pela concentração de investimentos em habitações de alto padrão, enquanto outras permanecem carentes de infraestrutura. Esse fenômeno caracteriza a especulação imobiliária, na qual o valor do solo urbano é artificialmente elevado em função de expectativas de lucro, e não de seu uso social. Tal dinâmica contribui para a segregação socioespacial, pois restringe o acesso das camadas populares às áreas valorizadas e amplia as desigualdades no espaço urbano. Assim, o mercado imobiliário atua como agente modelador das cidades, priorizando interesses econômicos em detrimento do direito à moradia e à função social da propriedade.

Resposta da questão 19: [A]

Na obra Casa-grande & senzala, Gilberto Freyre analisa a formação da sociedade brasileira enfatizando o papel da miscigenação entre europeus, africanos e indígenas como elemento estruturante da identidade nacional. Para o autor, apesar do caráter violento e hierárquico do sistema escravocrata, o contato íntimo entre senhores e escravos teria produzido uma convivência cultural e biológica que atenuou as distâncias sociais e contribuiu para a singularidade do Brasil. Essa interpretação, típica da sociologia culturalista de Freyre, buscava valorizar os aspectos positivos da mistura racial e cultural, contrapondo-se às teorias raciais deterministas que predominavam no início do século XX. Embora posteriormente criticada por minimizar as desigualdades e o racismo estrutural, sua visão influenciou fortemente a construção do mito da “democracia racial” brasileira.

Resposta da questão 20: [D]

O texto descreve a estrutura urbana típica das grandes aglomerações brasileiras, marcada pela concentração de atividades econômicas e de serviços no centro, enquanto a população de baixa renda se desloca para áreas periféricas com pouca infraestrutura. Essa configuração reflete o processo de segregação socioespacial, em que fatores econômicos, políticos e históricos produzem uma distribuição desigual da população e dos recursos no território urbano. O Entorno do Distrito Federal exemplifica esse fenômeno, pois abriga grande parte dos trabalhadores que dependem de Brasília, mas vivem em municípios com condições precárias. Essa segregação expressa a lógica excludente do modelo de urbanização brasileira, que combina valorização imobiliária, mobilidade forçada e desigualdade no acesso à cidade.

Resposta da questão 21: [C]

O texto aponta que a introdução de novas tecnologias na lógica empresarial contemporânea não se restringe à modernização técnica, mas envolve transformações profundas na organização do trabalho. O paradigma flexível, que sucede o modelo taylorista-fordista, introduz práticas como terceirização, precarização e flexibilização, resultando na fragilização das relações trabalhistas. A busca por maior eficiência e redução de custos leva à diminuição de vínculos formais, à instabilidade no emprego e à perda de direitos conquistados. Assim, a crítica recai sobre o modo como o avanço tecnológico é apropriado pelo capital, reforçando desigualdades e vulnerabilidades no mundo do trabalho, em vez de promover melhoria das condições laborais e inclusão produtiva.

Resposta da questão 22: [B]

O texto de Rogério Haesbaert discute um paradoxo central da globalização: enquanto o mundo contemporâneo intensifica fluxos econômicos, culturais e informacionais, promovendo uma fluidez espacial característica do livre mercado e da integração global, observa-se simultaneamente o fortalecimento de fronteiras e de políticas de controle migratório. Essa contradição evidencia que a globalização não elimina as barreiras, mas as redefine, restringindo principalmente a mobilidade de pessoas — sobretudo migrantes e refugiados —, ao mesmo tempo em que amplia a circulação de capitais e mercadorias. Trata-se de um processo que reforça desigualdades geopolíticas e questiona o ideal de um mundo sem fronteiras, revelando que a fluidez global é seletiva e subordinada aos interesses econômicos e políticos das potências.

Resposta da questão 23: [E]

O excerto de Piketty evidencia o modo como, no século XIX, a renda e o capital tornaram-se elementos centrais na estrutura social europeia, refletindo a consolidação de uma economia monetarizada e financeirizada. Nesse contexto, tanto as rendas provenientes da propriedade da terra quanto os juros oriundos de investimentos em títulos públicos indicavam a mesma lógica de acumulação, sustentada pela segurança das aplicações e pela estabilidade do sistema financeiro. A equivalência entre capital e renda anual expressa, portanto, a maturidade do capitalismo liberal, que articulava o Estado como tomador de empréstimos — via dívida pública — e a burguesia como credora e beneficiária dos rendimentos. Esse processo reforçou a hierarquia social e o poder econômico das elites rentistas, ao mesmo tempo em que consolidou a interdependência entre o mercado financeiro e as finanças estatais.

Resposta da questão 24: [C]

O trecho da canção retrata um conflito fundiário comum no meio rural brasileiro, marcado pela disputa de terras entre grandes proprietários e pequenos posseiros. O aviso do jagunço — figura associada à coerção e à violência privada — revela um cenário de grilagem, prática caracterizada pela falsificação de documentos de propriedade para legitimar a posse de terras públicas ou ocupadas tradicionalmente. Esse processo reflete a histórica concentração fundiária no país e a fragilidade dos direitos territoriais de camponeses, indígenas e comunidades tradicionais, frequentemente expulsos por meio de ameaças ou violência. A falsificação de títulos é, portanto, um instrumento de poder que sustenta as desigualdades no campo e evidencia a ausência de uma efetiva reforma agrária e de justiça social no meio rural.

Resposta da questão 25: [D]

A partir das últimas décadas do século XX, o Brasil vivenciou um processo de desconcentração industrial que redirecionou os fluxos migratórios internos. Com o avanço das indústrias e dos serviços para cidades médias e regiões periféricas dos grandes centros, houve uma redistribuição espacial das oportunidades de trabalho e da dinâmica econômica. Esse movimento reduziu a pressão migratória sobre metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, favorecendo o crescimento de polos regionais no interior. O fenômeno relaciona-se também à melhoria das infraestruturas de transporte e comunicação, que tornaram viável a instalação de empreendimentos fora dos grandes eixos urbanos. Assim, a migração passou a ocorrer em trajetos mais curtos e em fluxos pendulares, caracterizando um novo padrão de mobilidade populacional vinculado à reconfiguração territorial da economia nacional.

Resposta da questão 26: [E]

A globalização neoliberal intensificou processos de flexibilização e informalização do trabalho, gerando uma nova classe de trabalhadores precarizados, o “precariado”. Esse grupo, presente tanto nos países centrais quanto nos periféricos, enfrenta condições semelhantes de instabilidade, baixos salários e ausência de direitos trabalhistas. A partir dessa realidade comum, emergem movimentos sociais transnacionais que buscam reconstruir formas de solidariedade internacional entre trabalhadores e resistir ao enfraquecimento das garantias sociais imposto pelo mercado global. A unificação dessas pautas reflete, portanto, a tentativa de reverter os efeitos da precarização e reafirmar o valor do trabalho digno e protegido como base da justiça social e da cidadania.

Resposta da questão 27: [A]

A decisão do Equador de incluir os direitos da natureza em sua Constituição e de rejeitar a exploração de petróleo em áreas sensíveis, como o Parque Nacional de Yasuni, foi resultado direto da mobilização dos povos indígenas e camponeses aliados a movimentos ambientalistas. Esses grupos, historicamente marginalizados, assumiram papel central na defesa da Pachamama (Mãe Terra), conceito fundamental das cosmologias andinas que entende a natureza como sujeito de direitos e não como recurso a ser explorado. Essa atuação evidencia o protagonismo dos povos originários na formulação de alternativas ao modelo desenvolvimentista e extrativista, propondo uma visão de sustentabilidade que integra justiça ambiental, cultural e social. O caso equatoriano tornou-se um marco mundial por reconhecer juridicamente a natureza como detentora de direitos intrínsecos.

Resposta da questão 28: [C]

A reflexão de Empédocles expressa uma preocupação típica dos filósofos pré-socráticos: explicar racionalmente a origem e a ordem do cosmos, afastando-se das narrativas mitológicas. Ao propor os quatro elementos — fogo, ar, água e terra — como princípios materiais eternos e as forças do Amor e do Ódio como causas do movimento e da transformação, Empédocles buscou compreender a arché, isto é, o princípio fundamental de tudo que existe. Essa explicação possui caráter cosmogônico porque trata da formação, estrutura e dinâmica do universo a partir de causas naturais, e não de ações divinas. Assim, seu pensamento contribui para a transição do mito à razão, marco essencial na constituição da filosofia ocidental.

Resposta da questão 29: [A]

A ciência moderna, consolidada a partir do século XVII, rompeu com o caráter contemplativo e especulativo da filosofia natural antiga ao fundamentar-se na experimentação e na observação sistemática dos fenômenos. Inspirados por pensadores como Galileu Galilei e Francis Bacon, os cientistas passaram a valorizar a experiência como critério de verdade, buscando comprovar hipóteses por meio de provas empíricas e medições matemáticas. Essa virada epistemológica marcou a união entre teoria e prática — entre episteme e techne — e transformou a ciência em um empreendimento ativo, voltado para a intervenção e o domínio da natureza. Assim, a confirmação empírica tornou-se o novo fundamento do conhecimento científico, substituindo a autoridade da tradição e o raciocínio puramente dedutivo.

Resposta da questão 30: [E]

A concepção de civilização apresentada por Huntington associa-se à ideia de que os grandes agrupamentos humanos compartilham elementos culturais, históricos e simbólicos que moldam sua identidade coletiva. Essa visão entende a civilização como um conjunto abrangente de valores, crenças, instituições e modos de vida que unificam diferentes sociedades sob uma mesma matriz cultural. Assim, ainda que existam variações regionais ou locais, há traços comuns que permitem distinguir uma civilização de outra, como a europeia, a islâmica ou a chinesa. O conceito, portanto, fundamenta-se na identidade dos grupos sociais, construída historicamente e expressa em práticas culturais, religiosas e linguísticas compartilhadas, que servem como referência de pertencimento e diferenciação entre os povos.

Resposta da questão 31: [B]

O diálogo entre Sócrates e Mênon exemplifica o método dialético, característico da filosofia socrática, que consiste na busca racional do conhecimento por meio da conversa e do questionamento sistemático. Em vez de impor respostas, Sócrates conduz seu interlocutor a refletir sobre o significado dos conceitos, expondo contradições e promovendo a autocrítica. Essa prática, também chamada de “maiêutica”, visa fazer o pensamento “dar à luz” à verdade que já está potencialmente presente no interior da razão humana. Ao interrogar Mênon sobre a natureza da virtude antes de discutir suas qualidades, Sócrates demonstra a prioridade do conhecimento essencial sobre as opiniões superficiais, reforçando o valor do diálogo como caminho para o saber filosófico.

Resposta da questão 32: [A]

Na filosofia platônica, o poder político é legitimado pela virtude e pelo conhecimento do bem. Platão defende, em A República, que apenas os verdadeiros filósofos — aqueles que buscam a verdade e compreendem a ideia do Bem — estão aptos a governar, pois sua ação é orientada pela justiça e não por interesses pessoais ou materiais. Essa concepção dá origem ao ideal do governo dos filósofos, uma forma de aristocracia do saber e da virtude, na qual o poder é exercido por quem possui a razão plenamente desenvolvida e age conforme os princípios éticos. Assim, a legitimidade do governo, para Platão, não deriva da riqueza, do nascimento ou da maioria, mas da prática da virtude e da justiça no exercício do poder.

Resposta da questão 33: [A]

Na ética kantiana, a ação moralmente correta é aquela orientada por princípios universais, válidos para todos os seres racionais, independentemente de desejos, interesses ou circunstâncias. Kant distingue as máximas subjetivas — regras individuais de conduta — dos princípios objetivos, que expressam o dever universal, formulado como o imperativo categórico: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal.” Assim, a moral kantiana fundamenta-se na autonomia da razão e na universalidade do dever, entendendo a moralidade como expressão da liberdade racional e não da utilidade, do sentimento ou de mandamentos religiosos. O agir ético, portanto, é aquele guiado pela razão prática que reconhece o dever como princípio válido para toda a humanidade.

Resposta da questão 34: [A]

A consolidação da hegemonia dos Estados Unidos após o fim da Guerra Fria resultou de sua supremacia político-militar, econômica e tecnológica, sustentada por uma extensa rede de bases e alianças estratégicas em diversos continentes. Na Primeira Guerra do Golfo (1990–1991), essa estrutura global permitiu aos EUA liderar uma coalizão internacional sob mandato da ONU contra o Iraque, projetando poder de forma rápida e eficiente. O texto de Hobsbawm destaca justamente esse papel central e a legitimidade conquistada pelos Estados Unidos na era pós-soviética, momento em que nenhuma outra potência rivalizava em capacidade militar ou influência diplomática. Essa supremacia material e simbólica marcou a ordem mundial unipolar dos anos 1990, em que os EUA assumiram a posição de “polícia global” na defesa de seus interesses e dos valores ocidentais.

Resposta da questão 35: [D]

A anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, foi justificada pelo governo de Vladimir Putin com base na ideia de identificação cultural, linguística e histórica entre a população local e o povo russo. A Crimeia possui maioria étnica russa e abriga importantes símbolos da história russa, o que foi explorado politicamente como argumento de “reintegração” nacional. Essa retórica buscou legitimar o referendo de separação da Ucrânia, considerado ilegal pela comunidade internacional, que o interpretou como violação da soberania ucraniana. Assim, o discurso da defesa da identidade cultural e da proteção dos russos étnicos no exterior serviu para mascarar uma ação de expansão geopolítica e reafirmação de poder da Rússia na região pós-soviética, em confronto com os interesses ocidentais.

Resposta da questão 36: [B]

O texto evidencia que o domínio europeu sobre o continente africano, durante o Neocolonialismo, baseou-se na exploração econômica e na imposição de um sistema produtivo voltado à exportação de matérias-primas, em detrimento da subsistência das populações locais. Essa lógica de exploração, sustentada pelo trabalho forçado e pela destruição das economias tradicionais, resultou em fome, miséria e epidemias — consequências diretas da expropriação de direitos humanos e sociais básicos. O projeto colonial europeu não apenas submeteu os povos africanos a condições degradantes, como também desestruturou suas organizações políticas e culturais, instaurando uma dependência econômica que perdura em muitos países africanos até hoje. Assim, o legado do Neocolonialismo foi a negação da dignidade humana em prol da acumulação de capital metropolitano.

Resposta da questão 37: [C]

O texto destaca que, embora as relações entre Cuba e a União Soviética fossem justificadas em nome da “solidariedade socialista”, elas reproduziam uma lógica de dependência típica da Guerra Fria. A ajuda econômica e militar soviética, essencial para a sobrevivência da revolução cubana após o bloqueio dos Estados Unidos, implicava também uma relação assimétrica, em que Cuba se subordinava politicamente e economicamente à potência hegemônica do bloco socialista. Essa situação reflete o padrão de influência exercido pelas superpotências — URSS e EUA — sobre os países alinhados a seus respectivos blocos, transformando as alianças ideológicas em formas de dominação indireta. Assim, mesmo sob o discurso de cooperação, prevalecia a hierarquia geopolítica, característica central do sistema bipolar.

Resposta da questão 38: [A]

A Grande Depressão de 1929 resultou do desequilíbrio entre a alta produção industrial e agrícola dos Estados Unidos e o consumo real do mercado. No contexto de euforia econômica pós-Primeira Guerra Mundial, o país experimentou um crescimento acelerado baseado na expansão do crédito e na especulação financeira na Bolsa de Valores. Contudo, essa prosperidade era insustentável: a produção excedia a demanda, os estoques aumentavam e os preços caíam, levando ao colapso do sistema produtivo e financeiro. O crash da Bolsa de Nova York revelou a fragilidade do capitalismo liberal e gerou uma crise mundial, atingindo os países que dependiam do capital e do comércio norte-americano. Essa depressão marcou uma inflexão histórica, incentivando a adoção de políticas intervencionistas, como o New Deal, e influenciando fortemente o debate econômico e político do século XX.

Resposta da questão 39: [D]

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, o que altera profundamente a circulação atmosférica global e afeta os regimes de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta. Esse aquecimento reduz a pressão atmosférica no Pacífico central e leste, enfraquecendo os ventos alísios e provocando o deslocamento das massas de ar úmido, o que causa secas severas em áreas como o nordeste do Brasil, Índia e Indonésia, e chuvas intensas em regiões da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador. O texto de Davis ilustra como esse fenômeno já impactava o mundo colonial no século XVIII, evidenciando a interdependência entre clima, agricultura e fome. O El Niño, portanto, é um exemplo de evento natural com consequências globais amplificadas pelas desigualdades econômicas e pela vulnerabilidade social das populações tropicais.

Resposta da questão 40: [B]

A Revolução Pernambucana de 1817 foi um dos mais importantes movimentos emancipacionistas do período colonial, expressando o descontentamento das elites nordestinas com o domínio político e econômico da Coroa portuguesa e com a centralização do poder no Rio de Janeiro após a chegada da corte. As interpretações distintas dos jornais refletem justamente o embate entre visões regionais e o projeto centralizador da metrópole: enquanto o Correio Braziliense reconhecia o caráter amplo e social do movimento, a Gazeta do Rio de Janeiro, porta-voz do governo, reduzia-o a um ato isolado de rebeldia. Essa divergência ilustra as tensões regionais no processo de formação do Estado brasileiro, em que províncias como Pernambuco reivindicavam maior autonomia política e econômica frente ao centro do poder. Assim, o episódio revela que a independência não foi um processo homogêneo, mas permeado por conflitos entre diferentes grupos regionais com projetos distintos para a nova nação.

Resposta da questão 41: [C]

As comunidades quilombolas mencionadas no texto demonstram formas de resistência e de afirmação cultural por meio da valorização do trabalho coletivo e da economia solidária. A produção artesanal, o cultivo agrícola e o turismo comunitário são estratégias de inserção econômica regional que fortalecem a autonomia e a sustentabilidade dessas populações tradicionais. Mais do que garantir subsistência, essas práticas reforçam os vínculos identitários e a ocupação legítima dos territórios quilombolas, transformando o patrimônio cultural em fonte de renda e reconhecimento social. Essa dinâmica expressa o protagonismo dos remanescentes de quilombo na construção de alternativas econômicas baseadas na cooperação e no respeito à tradição, articulando cultura, território e desenvolvimento local de modo integrado e autônomo.

Resposta da questão 42: [C]

Florestan Fernandes analisa, nesse trecho, um paradoxo próprio dos regimes autoritários: ao tentar impor um controle absoluto sobre a sociedade, acabam produzindo o efeito contrário — o surgimento de sujeitos críticos e politicamente engajados. A experiência direta da repressão e da censura desperta entre os jovens uma consciência aguda das injustiças e da opressão, transformando-os em potenciais agentes de mudança. O autor mostra, assim, que nenhuma forma de poder consegue eliminar totalmente a capacidade humana de resistência e de reflexão política. Mesmo em contextos de cerceamento da liberdade, a vivência da dominação pode gerar indignação e desejo de transformação social, revelando os limites do autoritarismo e a força emancipatória da consciência crítica.

Resposta da questão 43: [D]

O texto faz referência ao movimento “Queremismo”, surgido em 1945, no contexto do fim do Estado Novo e da redemocratização brasileira. Seus adeptos, ao bradarem “Queremos Getúlio”, defendiam que a nova Constituição fosse elaborada com Vargas ainda no poder, acreditando que ele seria o garantidor dos direitos trabalhistas e das conquistas sociais obtidas durante sua ditadura. Assim, embora o movimento usasse a linguagem popular e democrática, na prática, propunha uma transição controlada pelo próprio governante, misturando apoio popular com interesses políticos de manutenção de poder. Essa ambiguidade ilustra o populismo varguista, que articulava discurso de proximidade com o povo e controle centralizado do processo político.

Resposta da questão 44: [E]

O texto evidencia que parte da hierarquia da Igreja Católica apoiou o golpe de 1964 acreditando que o desenvolvimento econômico capitalista, com a promessa de reduzir a miséria rural, seria capaz de enfraquecer o apelo das ideias comunistas entre os trabalhadores do campo. Essa visão expressa a convicção de que a pobreza e a exclusão social tornavam os camponeses mais suscetíveis à influência ideológica da esquerda. Assim, ao defender o progresso material e a modernização econômica, o episcopado visava garantir estabilidade social e conter o avanço de propostas políticas consideradas ateias e subversivas. Essa posição revela como, naquele momento histórico, parte da Igreja associava a melhoria das condições de vida à preservação da ordem social e moral, subordinando a questão da justiça social a um projeto de contenção do conflito ideológico.

Resposta da questão 45: [E]

O texto de Luiz Felipe de Alencastro descreve o tráfico negreiro lusitano como um processo fundamental na formação e consolidação do sistema colonial português. Esse comércio de pessoas escravizadas foi essencial para garantir mão de obra africana destinada às colônias ultramarinas, especialmente ao Brasil, onde a economia se estruturou em torno da produção açucareira. A agromanufatura açucareira — sistema que combinava a produção agrícola da cana e a manufatura do açúcar nas casas de purgar — tornou-se a base da economia colonial portuguesa. Essa estrutura dependia diretamente do trabalho escravizado africano, do comércio atlântico controlado por Portugal e da integração ao mercado europeu, que consumia o produto. Assim, o tráfico de africanos foi indispensável para a continuidade e expansão da empreitada colonial, garantindo o funcionamento do sistema produtivo que sustentava a economia metropolitana.