Compilação temática - ENEM - Urbanização

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1.  Esse processo concentra a população de renda mais elevada e maior poder político em áreas mais centrais e privilegiadas em termos de empregos, infraestrutura básica e serviços sociais. Ao mesmo tempo, redistribui a população menos favorecida quanto a esses aspectos, constituindo uma ocupação periférica que se estende até os municípios limítrofes. Neles, as condições de acesso às áreas mais centrais são agravadas pelas grandes distâncias e pelas dificuldades relacionadas à eficiência do sistema de transporte.

CAIADO, M. C. S. Deslocamentos intraurbanos e estruturação socioespacial na metrópole brasiliense. São Paulo em Perspectiva, n. 4, out.-dez. 2005.

O texto caracteriza um estágio do processo de urbanização marcado pela

a)   segregação socioespacial.

b)   emancipação territorial.

c)   conurbação planejada.

d)   metropolização tardia.

e)   expansão vertical.

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2.  Macrocefalia urbana pode ser entendida como a massiva concentração das atividades econômicas em algumas metrópoles que propicia o desencadeamento de processos descompassados: redirecionamento e convergência de fluxos migratórios, déficit no número de empregos, ocupação desordenada de determinadas regiões da cidade e estigmatização de estratos sociais, que comprometem substancialmente a segurança pública urbana.

SANTOS, M. O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. São Paulo: Edusp, 2004.

O processo de concentração espacial apresentado foi estimulado por qual fator geográfico?

a)   Limitação da área ocupada.

b)   Êxodo da população do campo.

c)   Ampliação do risco habitacional.

d)   Deficiência do transporte alternativo.

e)   Crescimento da taxa de fecundidade.

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3.  A expansão das cidades e a formação das aglomerações urbanas no Brasil foram marcadas pela produção industrial e pela consolidação das metrópoles como locais de seu desenvolvimento. Na segunda metade do século XX, as metrópoles brasileiras estenderam-se por áreas de ocupação contínua, configurando densas regiões urbanizadas.

MOURA, R. Arranjos urbano-regionais no Brasil: especificidades e reprodução de padrões. Disponível em: www.ub.edu. Acesso em: 11 fev. 2015.

O resultado do processo geográfico descrito foi o(a)

a)   valorização da escala local.

b)   crescimento das áreas periféricas.

c)   densificação do transporte ferroviário.

d)   predomínio do planejamento estadual.

e)   inibição de consórcios intermunicipais.

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4. 

O critério que rege a hierarquia urbana é a

a)   existência de distritos industriais de grande porte. 

b)   importância histórica dos centros urbanos tradicionais.

c)   centralidade exercida por algumas cidades em relação às demais. 

d)   proximidade em relação ao litoral das principais cidades brasileiras. 

e)   presença de sedes de multinacionais potencializando a conexão global. 

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5.  O processo de concentração urbana no Brasil em determinados locais teve momentos de maior intensidade e, ao que tudo indica, atualmente passa por uma desaceleração do ritmo de crescimento populacional nos grandes centros urbanos.

BAENINGER, R. Cidades e metrópoles:a desaceleração no crescimento populacional e novos arranjos regionais. Disponível em: www.sbsociologia.com.br. Acesso em: 12 dez. 2012 (adaptado).

Uma causa para o processo socioespacial mencionado no texto é o(a)

a)   carência de matérias-primas.

b)   degradação da rede rodoviária.

c)   aumento do crescimento vegetativo.

d)   centralização do poder político.

e)   realocação da atividade industrial.

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6. 

A charge ironiza um problema recorrente nas áreas urbanas nos períodos de maior precipitação, cujas causas são intensificadas pela

a)  ocorrência do fenômeno da chuva frontal, típica das áreas urbanas localizadas no litoral brasileiro.

b)  ampliação do efeito estufa provocado pela onda de calor, aumentando a evaporação nas metrópoles.

c)  construção de canais concretados e submersos em função da ocupação das margens dos rios urbanos.

d)  formação de ilhas de calor nos centros urbanos e maior precipitação devido ao aumento da temperatura.

e)  impermeabilização do solo e no acúmulo de lixo nas áreas de grande circulação das cidades

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7.  A ampliação das áreas urbanizadas, devido à construção de áreas impermeabilizadas, repercute na capacidade de infiltração das águas no solo, favorecendo o escoamento superficial, a concentração das enxurradas e a ocorrência de ondas de cheia. A urbanização afeta o funcionamento do ciclo hidrológico, pois interfere no rearranjo dos armazenamentos e na trajetória das águas.

CHRISTOFOLETTI, A. Aplicabilidade do conhecimento geomorfológico nos projetos de planejamento. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. (Org.). Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

Considerando esse contexto, que fator contribui para a diminuição das enchentes em áreas urbanas?

a)   Pavimentação das vias.

b)   Criação de espaços verdes.

c)   Verticalização das moradias.

d)   Adensamento das construções.

e)   Assoreamento dos canais de drenagem.

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8. 

A dinâmica hidrológica expressa no gráfico demonstra que o processo de urbanização promove a

a)   redução do volume dos rios.

b)   expansão do lençol freático.

c)   diminuição do índice de chuvas.

d)   retração do nível dos reservatórios.

e)   ampliação do escoamento superficial.

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9.  A urbanização brasileira, no início da segunda metade do século XX, promoveu uma radical alteração nas cidades. Ruas foram alargadas, túneis e viadutos foram construídos. O bonde foi a primeira vítima fatal. O destino do sistema ferroviário não foi muito diferente. O transporte coletivo saiu definitivamente dos trilhos.

JANOT, L. F. A caminho de Guaratiba. Disponível em: www.iab.org.br. Acesso em: 9 jan. 2014 (adaptado).

A relação entre transportes e urbanização é explicada, no texto, pela

a)   retirada dos investimentos estatais aplicados em transporte de massa.

b)   demanda por transporte individual ocasionada pela expansão da mancha urbana.

c)   presença hegemônica do transporte alternativo localizado nas periferias das cidades.

d)   aglomeração do espaço urbano metropolitano impedindo a construção do transporte metroviário.

e)   predominância do transporte rodoviário associado à penetração das multinacionais automobilísticas.

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10.  Trata-se de um gigantesco movimento de construção de cidades, necessário para o assentamento residencial dessa população, bem como de suas necessidades de trabalho, abastecimento, transportes, saúde, energia, água etc. Ainda que o rumo tomado pelo crescimento urbano não tenha respondido satisfatoriamente a todas essas necessidades, o território foi ocupado e foram construídas as condições para viver nesse espaço.

MARICATO, E.Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. Petrópolis, Vozes, 2001.

A dinâmica de transformação das cidades tende a apresentar como consequência a expansão das áreas periféricas pelo(a)

a) crescimento da população urbana e aumento da especulação imobiliária.

b) direcionamento maior do fluxo de pessoas, devido à existência de um grande número de serviços.

c) delimitação de áreas para uma ocupação organizada do espaço físico, melhorando a qualidade de vida.

d) implantação de políticas públicas que promovem a moradia e o direito à cidade aos seus moradores.

e) reurbanização de moradias nas áreas centrais, mantendo o trabalhador próximo ao seu emprego, diminuindo os deslocamentos para a periferia.

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11.  Embora haja dados comuns que dão unidade ao fenômeno da urbanização na África, na Ásia e na América Latina, os impactos são distintos em cada continente e mesmo dentro de cada país, ainda que as modernizações se deem com o mesmo conjunto de inovações.

ELIAS, D. Fim do século e urbanização no Brasil. Revista Ciência Geográfica, ano IV, n. 11, set./dez. 1988.

O texto aponta para a complexidade da urbanização nos diferentes contextos socioespaciais. Comparando a organização socioeconômica das regiões citadas, a unidade desse fenômeno é perceptível no aspecto

a) espacial, em função do sistema integrado que envolve as cidades locais e globais.

b) cultural, em função da semelhança histórica e da condição de modernização econômica e política.

c) demográfico, em função da localização das maiores aglomerações urbanas e continuidade do fluxo campo-cidade.

d) territorial, em função da estrutura de organização e planejamento das cidades que atravessam as fronteiras nacionais.

e) econômico, em função da revolução agrícola que transformou o campo e a cidade e contribui para a fixação do homem ao lugar.

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12.  O Morro do Vidigal é um clássico do Rio de Janeiro. A vista dá para Ipanema e a favela é pequena e relativamente segura. Aos poucos, casas de um padrão mais alto estão sendo construídas. Artistas plásticos e gringos compraram imóveis ali. Os moradores recebem propostas atraentes e se mudam. Não são propostas milionárias. Apenas o suficiente para se transferirem para um lugar mais longe e um pouco melhor. Os novos habitantes, aos poucos, impõem uma nova rotina e uma nova cara.

NOGUEIRA, K. O que é gentrificação e por que ela está gerando tanto barulho no Brasil. Disponível em: www.diariodocentrodomundo.com.br. Acesso em: 7 jul. 2015 (adaptado).

O texto discute um processo em curso em várias cidades brasileiras. Uma consequência socioespacial desse processo é a

a)   expansão horizontal da área local. 

b)   expulsão velada da população pobre. 

c)   alocação imprópria de recursos públicos. 

d)   privatização indevida do território urbano. 

e)   remoção forçada de residências irregulares. 

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Gabarito

Resposta da questão 1:

[A]

A alternativa correta é [A], porque ao mencionar as características dos espaços diferenciados da renda mais elevada e da população menos favorecida, o texto demonstra a segregação do espaço urbano, que terá mais ou menos equipamentos urbanos segundo o poder aquisitivo de quem habita esses espaços. As alternativas seguintes são incorretas são: [B], porque não está ocorrendo a emancipação de parte da cidade, mas a marginalização da população de menor renda; [C], porque conurbação é a integração físico-espacial entre dois ou mais municípios; [D], porque a urbanização brasileira foi marcada desde a década de 1950 pelo processo de metropolização, e a descrição do texto refere-se à segregação; [E], porque o texto não descreve a verticalização da cidade.

Resposta da questão 2:

[B]

A alternativa correta é [B], porque o êxodo rural foi o responsável pelo crescimento desordenado das cidades gerando o inchaço urbano. As alternativas incorretas são: [A], porque não ocorreu limitação, mas crescimento desordenado da cidade; [C] e [D], porque a ampliação do risco habitacional e a deficiência do transporte são consequências e não causas do inchaço urbano; [E], porque a taxa de fecundidade é mais reduzida na cidade.

Resposta da questão 3:

[B]

A afirmativa correta é [B], porque o processo de urbanização no Brasil, consolidado com a industrialização promovida pelo governo JK nas grandes cidades, cria um processo de metropolização excludente, fazendo crescer as áreas periféricas. As afirmativas incorretas são: [A], porque a metropolização é um enfoque regional e não local; [C], porque se priorizou o transporte rodoviário nas metrópoles; [D], porque o processo descrito mostra uma urbanização desordenada e não planejada; [E], porque com o crescimento das metrópoles, ocorre a formação de áreas metropolitanas.

Resposta da questão 4:

[C]

O critério utilizado para a hierarquia urbana envolve a centralidade exercida por algumas cidades em relação as demais e o restante do território. A capacidade de polarização (atração) da cidade e sua influência depende de um conjunto de variáveis como a diversidade na oferta de serviços públicos e privados (saúde, educação, lazer etc.), comércio, sistema financeiro e atividade industrial.

Resposta da questão 5:

[E]

No Brasil, o processo de urbanização no século XX foi estimulado pela industrialização, o que provocou o surgimento de metrópoles e grandes regiões metropolitanas como São Paulo. Porém, nas últimas décadas, o ritmo de crescimento das grandes cidades foi reduzido. Um dos fatores que explicam o fenômeno é a descentralização da indústria para pequenas e médias cidades do interior dos estados atraídas por incentivos fiscais, transportes modernos e mão de obra barata. Assim, cidades de porte médio apresentam um ritmo de crescimento mais elevado.

Resposta da questão 6:

[E]

A afirmativa [E] está correta porque a charge mostra os alagamentos e enchentes das cidades, decorrentes da extensa impermeabilização do solo que impede a infiltração da água e do lixo acumulado nas cidades que reduz a funcionalidade do sistema de captação da água pluvial. As afirmativas incorretas são: [A] e [B], porque a charge ironiza os alagamentos nas cidades, e não a referencia às chuvas ou efeito estufa; [C], porque os alagamentos ocorrem porque os canais – captação pluvial – estão obstruídos por lixo; [D], porque o problema apresentado não é a maior precipitação, mas a não infiltração da água das chuvas.

Resposta da questão 7:

[B]

A alternativa correta é [B], porque os espaços verdes não são impermeabilizados e, portanto, ampliam as áreas de infiltração da água, diminuindo o volume de água escoada. As alternativas incorretas são: [A] e [D], porque a pavimentação das vias e o adensamento das construções aumentam a superfície de impermeabilização do solo reduzindo a infiltração da água; [C], porque a verticalização das moradias não reduz a área impermeabilizada; [E], porque o assoreamento dos canais de drenagem reduz a área de escoamento da água, dando maior velocidade e fluxo às enchentes.

Resposta da questão 8:

[E]

A alternativa [E] está correta porque com a impermeabilização do solo das cidades impede ou dificulta a infiltração da água, resultando em aumento do escoamento superficial. As alternativas incorretas são: [A] e [B], porque o aumento do escoamento superficial em razão da impermeabilização do solo leva ao aumento do volume dos rios que cortam as cidades e retração dos lençóis freáticos; [C] e [D], porque o gráfico não analisa os índices de chuva ou o nível dos reservatórios.

Resposta da questão 9:

[E] 

Como mencionado corretamente na alternativa [E], o texto evidencia a infraestrutura associadas às vias de rolamento do transporte rodoviário fortemente privilegiado pela industrialização e multinacionais de automotores do governo JK. Estão incorretas as alternativas seguintes porque não correspondem à problemática do texto que é a substituição do transporte ferroviário pelo rodoviário.

Resposta da questão 10:

[A]

Como mencionado corretamente na alternativa [A], a causa da expansão dos cinturões periféricos das cidades é o aumento da população, resultante de sua própria dinâmica e a especulação imobiliária que faz reserva de espaços, elevando o valor de áreas melhor situadas nos anéis centrais. Estão incorretas as alternativas: [B], porque o setor produtivo da cidade não é causa da periferização da população; [C] e [D], porque as áreas periféricas não são delimitadas pelo planejamento urbano, ao contrario, são resultantes de ocupação desordenada; [E], porque se houvesse reurbanização das áreas centrais, não estaria ocorrendo a periferização.

Resposta da questão 11:

[C]

A urbanização no conjunto dos países subdesenvolvidos foi um processo tardio e embora com características diferenciadas, teve em comum entre essas regiões, como mencionado corretamente na alternativa [C], um intenso e desordenado êxodo rural que resultou no processo de metropolização criando cidades hipertrofiadas. Estão incorretas as alternativas: [A], porque a rede urbana em algumas das áreas citadas é descontínua; [B], porque a historicidade e o perfil cultural das áreas são distintos; [D], porque a territorialidade das cidades é um processo peculiar a seu desenvolvimento e, portanto, diferenciada entre as regiões; [E], porque a urbanização ocorreu em razão do forte êxodo rural.

Resposta da questão 12:

[B]

Em cidades como o Rio de Janeiro, alguns bairros podem sofrer transformações. A valorização de um bairro ou comunidade, pode atrair as classes média e alta, elevar os preços dos imóveis, terrenos e alugueis, configurando um processo de gentrificação. Assim, a população pobre começa a deixar o bairro rumo a bairros periféricos onde o custo de vida é menor. Foi o que aconteceu com algumas comunidades do Rio de Janeiro como a Favela do Vidigal, localizada à beira mar entre bairros valorizados como o Leblon e São Conrado.

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