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1. (Uerj) QUANDO NÓS MESMOS PRODUZIMOS AS TRAGÉDIAS

A tragédia no litoral paulista teve como causa imediata a excepcional chuva, a maior da história. Mas não podemos tapar o sol com a peneira e achar que apenas as chuvas excepcionais são causa de tamanho drama. O que ocorreu, ocorre e ainda ocorrerá se deve à ação humana. A ocupação do litoral norte de São Paulo é um exemplo desse processo. Escolhido como lugar paradisíaco de descanso dos paulistanos de mais alta renda, foi tendo, ao longo de décadas, suas terras parceladas por empreendedores que, em geral, as compravam de caiçaras ou, simplesmente, ocupavam áreas públicas da serra do Mar para a construção de casas de veraneio nos melhores lugares da orla. Assim, repetindo a lógica de todas as cidades, restou à população trabalhadora (sem a qual o paraíso de veraneio dos mais ricos não existiria) instalar-se nas encostas, nas chamadas ocupações informais. Podemos, sim, culpar as chuvas. Mas, se olharmos só para elas, só nos restará aguardar a próxima tragédia.

JOÃO WHITAKER e GUILHERME WISNIK

Adaptado de Folha de S. Paulo, 22/02/2023.

Em relação à tragédia relatada na matéria jornalística, os impactos da ação humana são derivados do seguinte processo:

a)   hierarquização social

b)   destruição ambiental

c)   especulação financeira

d)   segregação socioespacial

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2. (Uerj)  Em uma cidade contemporânea, desenrolam-se, há muitas décadas, os processos paralelos de atomização e massificação. Na esteira deles, a cidade foi deixando de ser um mosaico de bairros coerentes, cada um polarizado por sua própria centralidade, até se chegar à cidade como um todo, nitidamente polarizada por seu Central Business District (CBD – Distrito Central de Negócios), para se tornar, hoje, uma estrutura muito mais complexa e difícil de resumir. Muitos bairros viram seus centros de comércio e serviços desaparecerem ou serem reduzidos à irrelevância e, não raro, o próprio CBD perder prestígio e decair.

Adaptado de SOUZA, M. L. Os conceitos fundamentais da pesquisa socioespacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2015.

A transformação para a atual estrutura interna das metrópoles, descrita no texto, é evidenciada pelo seguinte processo:

a)   expansão dos shopping centers

b)   redução dos movimentos pendulares

c)   modernização dos transportes de massa

d)   retração dos mecanismos de segregação

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3. (Uerj) 

A imagem acima reproduz uma fotografia de Sebastião Salgado, publicada em seu livro Êxodos. Nessa imagem, captada pelo fotógrafo brasileiro no horário da manhã, identifica-se o deslocamento populacional denominado: 

a)  nomadismo.

b)  transumância.

c)  emigração rural.

d)  movimento pendular.

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4. (Uerj)  Nas imagens, estão representadas a malha urbana da cidade de Toledo, com suas ruas estreitas de origem medieval, e a de um bairro de Los Angeles, cidade estadunidense que se expandiu principalmente após a Segunda Guerra Mundial.

A diferença entre as duas malhas urbanas é explicada pela relação entre dois fatores que contribuíram para a organização desses espaços, embora em épocas bastante distintas. 

Esses fatores estão apontados em:

a)   concentração financeira – processo de verticalização

b)   atividade econômica – especialização funcional

c)   nível técnico – padrões de circulação

d)   perfil de renda – segregação social

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5. (Uerj) Em Nova York, habitação social vive o “boom” das rendas mistas

é um termo quente na cidade norte-americana de Nova York hoje em dia. É também o apelido dos imóveis financiados pela prefeitura que miram a integração das rendas mistas na habitação. Nesse modelo de empreendimento, do total de unidades de cada prédio são ocupadas por famílias de classe média, por moradores de classe média-baixa, e destinam-se à baixa renda. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional de Nova York, Marc Jahr, afirma que a instituição já financiou e construiu quase 8 mil apartamentos nesse modelo: “Acreditamos que prédios com rendas mistas e bairros com economias diversas são pilares de comunidades estáveis”.

Adaptado de prefeitura.sp.gov.br.

O Estado é um agente fundamental na produção do espaço, pois suas ações interferem de forma acentuada sobre a dinâmica e a organização das cidades.

A principal finalidade de uma política pública como a relatada no texto é:

a)   reduzir a segregação espacial

b)   elevar a arrecadação municipal

c)   favorecer a atividade comercial

d)   desconcentrar a população urbana

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6. (Uerj) 

O problema habitacional na cidade do Rio de Janeiro é antigo, com alguns de seus efeitos mantendo-se há mais de um século, como o tipo de moradia popular retratado nas imagens.

Uma causa econômica e um resultado socioespacial, associados diretamente à expansão desse tipo de moradia ao longo do século XX, são:

a)   mercantilização do solo urbano − segregação

b)   fortalecimento do comércio informal − verticalização

c)   crescimento do trabalho assalariado − suburbanização

d)   redução do financiamento habitacional − periferização

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7. (Uerj)  Em outubro de 2023, foi anunciado pela prefeitura de São Paulo um investimento de R$ 1 bilhão para apoiar as construtoras na ação de reabilitação de prédios na área central da metrópole. Essa reabilitação está amparada por legislação aprovada em abril de 2021, que concedeu generosos incentivos fiscais e flexibilização de regulamentos para os interessados em promover o chamado retrofit de imóveis antigos. No retrofit, o prédio vazio (ou esvaziado) é objeto de reforma completa e posterior venda para aqueles que podem pagar o preço do imóvel reabilitado.

Essa orientação difere significativamente daquela que busca promover gradativa e progressiva melhoria dos edifícios, com os moradores permanecendo neles enquanto se realizam tais melhorias – em consonância com a pauta da regularização fundiária. Essa ideia do retrofit, como mecanismo para promoção de alterações profundas na área de intervenção, também difere de uma ideia de reabilitação capaz de valorizar os recursos e as relações sociais existentes enquanto garante a utilização de espaços já construídos

Julia Azevedo Moretti e Ricardo de Sousa Moretti

Adaptado de diplomatique.org.br, 10/12/2023.

A política urbana apresentada na reportagem resultará em mudanças com efeitos diversos para as áreas afetadas.

Um efeito positivo e outro negativo estão indicados, respectivamente, em:

a)   supressão do controle estatal − crescimento da verticalização urbana.

b)   democratização do território citadino − declínio da atividade comercial.

c)   barateamento do custo habitacional − ampliação do movimento pendular.

d)   aproveitamento da infraestrutura existente − expulsão da população local.

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8. (Uerj)  A cidade dos sonhos do arquiteto Le Corbusier teve enorme impacto em nossas cidades. Ele procurou fazer do planejamento para automóveis um elemento essencial do seu projeto. Traçou grandes artérias de mão única para trânsito expresso. Reduziu o número de ruas porque “os cruzamentos são inimigos do tráfego”. Manteve os pedestres fora das ruas e dentro dos parques. Essa visão deu enorme impulso aos defensores do zoneamento urbano e dos conceitos de superquadra. Não importava quão vulgar ou acanhado fosse o projeto, quão árido ou inútil o espaço, quão monótona fosse a vista, a imitação de Le Corbusier gritava: “Olhem o que eu fiz!”. 

Adaptado de JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

O texto expressa a crítica de Jane Jacobs a um modelo urbanístico importante ao longo do século XX. A escritora defendia a mistura de usos no espaço urbano de forma a valorizá-lo e a fortalecer o convívio. 

A cidade que apresenta o predomínio do padrão urbano criticado por Jane Jacobs é: 

a)   Brasília 

b)   Curitiba 

c)   São Paulo 

d)   Belo Horizonte

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9. (Uerj)  FAVELA

Numa vasta extensão

onde não há plantação

nem ninguém morando lá.

Cada um pobre que passa por ali

só pensa em construir seu lar.

E quando o primeiro começa

os outros, depressa, procuram marcar

seu pedacinho de terra pra morar.

E assim a região sofre modificação,

fica sendo chamada de nova aquarela.

É aí que o lugar então passa a se chamar

Favela

(“Padeirinho” – Jorginho)

As primeiras favelas do Rio de Janeiro surgiram, provavelmente, ao final do século XIX nos morros Favela – atual Providência – e Santo Antônio, numa época de intenso crescimento populacional e significativas modificações urbanas.

O conhecimento histórico desse processo e as observações feitas pelos autores da canção permitem afirmar que o surgimento das favelas, no Rio de Janeiro, está ligado à conjugação dos seguintes fatores:

a)   expansão espacial da cidade e disputa pela ocupação do solo

b)   política estatal de habitação popular e crescimento da área metropolitana

c)   decadência agrícola fluminense e competição entre áreas de especialização produtiva

d)   momento de imigração estrangeira e atração de novos trabalhadores para a indústria 

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10. (Uerj) MUITA GENTE SEM CASA, MUITA CASA SEM GENTE 

A Constituição de 1988 e o Estatuto da Cidade de 2001 contemplam a função social da cidade. O problema é que, com a desindustrialização das metrópoles, a cidade deixou de ser o lugar de produção de bens e virou o próprio objeto da produção econômica. Em consequência dessa mudança, o número de imóveis vazios supera e muito o de famílias com problemas de moradia, como indicam os gráficos abaixo.

RODRIGO BERTOLOTTO 

Adaptado de tab.uol.com.br, 03/12/2018.

A contradição apresentada no texto e nos gráficos deve-se ao fato de que o espaço urbano possui, simultaneamente, os seguintes atributos: 

a)   valor de uso e valor de troca 

b)   patrimônio cultural e patrimônio individual 

c)   estrutura unicêntrica e estrutura policêntrica 

d)   território de circulação e território de resistência

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11. (Uerj)  No início do século XXI, as favelas da cidade do Rio de Janeiro não são apenas distintas daquelas existentes há cinquenta anos, como também apresentam diferenças internas que foram constituídas ao longo do tempo e de sua expansão espacial. No entanto, a visão homogeneizante, que considera “iguais” todas as favelas, ainda está presente no senso comum – e também nas práticas de alguns agentes do setor público. Trata-se de uma visão que não dá conta da complexa dinâmica socioespacial das favelas cariocas e deve, portanto, ser revista.

Gerônimo Leitão

Adaptado de observatoriodefavelas.org.br.

Uma característica socioespacial presente no conjunto das favelas cariocas e que contribui para

o tipo de visão a que o autor do texto faz referência é:

a)   densidade elevada de habitações

b)   valorização semelhante dos imóveis

c)   sociabilidade reduzida de moradores

d)   topografia acidentada dos assentamentos

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12. (Uerj)  Na imagem, visualiza-se a região da Baixada Santista, com as diversas cidades que compõem esse espaço do litoral paulista.

A análise da imagem permite reconhecer a ocorrência do seguinte processo socioespacial comum em cidades de áreas metropolitanas:

a)   favelização

b)   conurbação

c)   gentrificação

d)   verticalização

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13. (Uerj)  A França possui um sistema ferroviário com cerca de 30 000 quilômetros de extensão, dos quais aproximadamente 2 700 quilômetros são linhas de alta velocidade. Os mapas abaixo referem-se ao transporte de trens na França em 2017.

No mapa 1, destacadas em azul, estão as linhas de trem de alta velocidade. No mapa 2, apresenta-se o tempo de viagem, variável de acordo com o tipo de linha férrea.

As distâncias, em linha reta, entre Paris e as cidades de Bordeaux e Toulouse são de 500 e 590 quilômetros, respectivamente. Com base na análise dos mapas, observa-se que o pensamento linear é inadequado para calcular o tempo de viagem de trem entre a capital francesa e essas duas cidades.

Uma característica das duas cidades que explica essa inadequação é:

a)   posição relativa na rede técnica

b)   relevância política na escala nacional

c)   localização absoluta na topografia plana

d)   importância industrial na hierarquia urbana

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14. (Uerj)  ÁREAS ATERRADAS NA BAÍA DE GUANABARA ATÉ O FINAL DA DÉCADA DE 1990

A Baía de Guanabara tinha cerca de 468 km2 de superfície nos anos de 1500. Por ser instável, a estrutura geológica do local possui uma tendência natural ao acúmulo sedimentar, mas a atuação antrópica foi fundamental para a aceleração desse processo.

A invasão dos colonizadores marcou o início dessa transição, e o crescimento urbano do último século acentuou de forma mais drástica as transformações na paisagem, em especial com aterros como os das ilhas do Fundão e do Governador e dos bairros do Flamengo e do Centro. Hoje, o espelho d’água da Baía, bastante reduzido, tem aproximadamente 374 km2.

Helena Rebello e Fabio Penna Adaptado de app.globoesporte.globo.com.

Os processos socioespaciais ocorridos no entorno da Baía de Guanabara, sobretudo ao longo do século XX, tiveram enorme impacto na deterioração das “águas da Guanabara”, hoje diferentes daquelas percorridas pelo “navegante negro”. As intervenções antrópicas observadas na imagem e descritas na reportagem contribuíram para essa deterioração. 

Muitas dessas intervenções tinham a finalidade de favorecer a:

a)  descentralização de empresas públicas.

b)  realocação de subcentros funcionais.

c)  implantação de moradias populares.

d)  circulação de veículos automotores.

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15. (Uerj) 

O Complexo do Alemão é um dos bairros mais jovens do Rio de Janeiro. Localizado na zona da Leopoldina, foi instituído em 1993. Com uma população de cerca de 180 mil habitantes, o bairro, hoje, é formado por um conjunto de comunidades, incluindo o Morro do Alemão, que emprestou seu nome ao complexo.

O Complexo tornou-se conhecido como um dos mais violentos da cidade. Foi alvo de uma das iniciativas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma parceria entre o governo federal e o governo do estado do Rio de Janeiro, em que foram previstas melhorias de infraestrutura em geral, de modo a livrar o bairro e seus arredores da violência. Algumas chegaram a sair do papel, como o teleférico, e outras foram engavetadas.

Adaptado de wikifavelas.com.br.

A história do Complexo do Alemão se insere no processo de expansão da cidade do Rio de Janeiro, nos últimos setenta anos.

Nesse período, duas características desse processo foram:

a)   limitação de ações sanitárias − racionalização de projetos imobiliários

b)   integração de áreas suburbanas − distribuição de atividades industriais

c)   precarização de moradias populares − inadequação de políticas públicas

d)   ocupação de reservas ambientais − suspensão de transportes ferroviários

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16. (Uerj) Belo Horizonte proíbe canalização de córregos

Entrou em vigor o novo Plano Diretor de Belo Horizonte que, entre outras medidas, proíbe a canalização de córregos, um dos maiores problemas da cidade. Como efeito das últimas chuvas que atingiram o município, em janeiro, bueiros explodiram em uma importante via da região Centro-Sul, e a rua se tornou um rio caudaloso, cuja correnteza arrastou carros, placas e tudo o mais que havia pela frente. De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital, dos 654 quilômetros da malha fluvial do município, 208 estão escondidos sob ruas, avenidas e construções. Na última década, a capital mineira passou por diversas obras que agravaram a situação.

Adaptado de exame.abril.com.br, 06/02/2020.

A medida implantada através do novo Plano Diretor de Belo Horizonte pode contribuir para minimizar os problemas ambientais apontados na reportagem, ao produzir o seguinte impacto sobre o ambiente urbano:

a)   elevação da taxa de escoamento superficial

b)   diminuição do volume de sedimentação aluvial

c)   ampliação da bacia de drenagem da metrópole

d)   redução do índice de impermeabilização do solo

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17. (Uerj) 

O Índice de Progresso Social (IPS) varia de 0 a 100 e é calculado levando em consideração 36 indicadores. Entre eles estão acesso a esgoto sanitário e água canalizada, mobilidade, taxa de homicídios, incidência de dengue, mortalidade por tuberculose e HIV, homicídios de jovens negros e frequência no ensino superior. Não são levadas em conta variáveis econômicas, como renda. Segundo Sérgio Bessermann, presidente do Instituto Pereira Passos, o índice é uma ferramenta que ajuda a acompanhar as mudanças e a direcionar as políticas de governo.

Adaptado de O Globo, 17/05/2016.

A análise do mapa e dos dados aponta tanto para aspectos sociais que se modificaram quanto para aqueles que permaneceram, no que diz respeito a bairros e regiões do município do Rio de Janeiro.

Um dos aspectos que explica a situação das regiões administrativas com os mais baixos índices de progresso social é:

a)  redução da rede de saneamento básico

b)  desigualdade no acesso a vias de transporte

c)  redistribuição da força de segurança pública

d)  uniformização na oferta de assistência hospitalar

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18. (Uerj)  Na Nova Holanda, comunidade do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, terraços cobertos por alumínio e fibrocimento (antigo amianto) predominam, em comparação com os de PVC, mais caros. E aquecem mais durante os dias de calorão turbinado pelo aquecimento global. Segundo a tese de doutorado do arquiteto e urbanista Lucivaldo Dias Bastos, predominam temperaturas mais elevadas sob as telhas mais baratas até mesmo em relação a um ponto medido na avenida Brasil, próximo à favela, apesar da quantidade de cimento e da falta de árvores na via expressa.

O estudo revela uma dura realidade: os que vivem em áreas carentes sofrem mais os efeitos do calor do que aqueles que moram em localidades consideradas mais nobres. Áreas dos subúrbios da Central e da Leopoldina – onde estão os complexos da Maré, da Penha e do Alemão – são as mais quentes da cidade, levando em conta tanto a temperatura da superfície, captada por satélites, como a do ar, registrada por aferições de campo.

SELMA SCHMIDT Adaptado de O Globo, 07/01/2024.

A reportagem relata um fenômeno que é espacialmente diferenciado.

Isso se deve a uma situação de:

a)   inversão térmica

b)   injustiça ambiental

c)   poluição atmosférica

d)   macrocefalia urbana

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19. (Uerj) 

A história da Maré começa nos anos 40. No final dessa década, já havia palafitas – barracos de madeira sobre a lama e a água. Surgem as comunidades da Baixa do Sapateiro, Parque Maré e Morro do Timbau – este em terra firme. A construção da avenida Brasil, concluída em 1946, foi determinante para a ocupação da área, que prosseguiu pela década de 50. Nos anos 60, um novo fluxo de ocupação teve início, quando moradores da Praia do Pinto, Morro da Formiga, Favela do Esqueleto e desabrigados das margens do rio Faria-Timbó foram transferidos para moradias “provisórias” construídas na Maré. O início dos anos 80, quando a Maré das palafitas era símbolo da miséria nacional, marca a primeira grande intervenção do governo federal: o Projeto Rio, que previa o aterramento e a transferência dos moradores das palafitas para construções pré-fabricadas. Em 1988, foi criada a 30ª Região Administrativa (R.A.), abarcando a área da Maré. A primeira R.A. da cidade a se instalar numa favela marcou seu reconhecimento como um bairro.

Adaptado de museudamare.org.br.

Composta hoje por 16 comunidades, a Maré é o maior complexo de favelas do Rio de Janeiro. Sua história, em parte, está relacionada com as transformações na cidade entre meados do século XX e o momento atual. 

Considerando tais transformações, a análise das fotos e do texto permite concluir que a história da Maré é marcada pelo seguinte processo urbano: 

a)   estabilização das políticas públicas em regiões insalubres 

b)   integração das vias de transporte em logradouros periféricos 

c)   expansão de habitações populares em espaços desvalorizados 

d)   manutenção de obras de recuperação em ambientes degradados

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20. (Uerj)  Artigo 25, parágrafo 3º – Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

Constituição da República Federativa do Brasil

www.planalto.gov.br

O Brasil possui atualmente três Regiões Integradas de Desenvolvimento − RIDE, um tipo especial de região metropolitana que só pode ser instituída por legislação federal. Esta característica é explicada pelo fato de a integração decorrente das RIDE estar associada a:

a)   unidades estaduais diferentes

b)   áreas de fronteira internacional

c)   espaços de preservação ambiental

d)   complexos industriais estratégicos

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Gabarito

Resposta da questão 1:

[D]

A alternativa correta é [D], porque os impactos relatados resultam da segregação socioespacial, onde a população de menor renda ocupa áreas de maior risco ambiental, haja vista que a reserva do solo urbano mais valorizado é apropriada pelo mercado imobiliário. As alternativas incorretas são: [A], porque a tragédia não mostra a hierarquia, mas a segregação do espaço segundo a renda da população; [B], porque o texto ressalta a segregação socioespacial como causa do desastre e não a destruição ambiental; [C], porque o processo citado está associado à especulação imobiliária e não financeira.

Resposta da questão 2:

[A]

A alternativa [A] está correta porque os shopping centers absorvem o fluxo dos subcentros dos bairros alterando a paisagem das cidades. As alternativas incorretas são: [B], porque o texto mostra a reconfiguração da cidade por meio dos shopping centers que, dessa forma, amplia os movimentos pendulares; [C], porque o texto não trata dos transportes; [D], porque ocorre a ampliação da segregação.

Resposta da questão 3:

[D]

A fotografia da obra Êxodos do fotógrafo documentarista brasileiro Sebastião Salgado destaca o transporte urbano ferroviário responsável pela mobilidade grandes cidades, inclusive do Sul Global como Mumbai, Índia. Portanto, trata-se do movimento pendular, o fluxo de trabalhadores entre os bairros residenciais até locais de trabalho, comércio e lazer.

Resposta da questão 4:

[C]

Como mencionado corretamente na alternativa [C], os dois fatores que contribuíram para a organização das cidades e que as tornam diferentes é o nível técnico utilizado para erigi-las e os padrões de circulação, haja vista os diferentes momentos históricos em que elas se formam. Estão incorretas as alternativas: [A], porque nenhum dos fatores citados está associado à Toledo; [B], porque a especialização funcional não foi um fator para a constituição de Toledo; [D], porque nenhum dos fatores está associado à origem de Toledo ou Los Angeles.

Resposta da questão 5:

[A]

A iniciativa do Estado em estimular moradias com “rendas mistas”, ou seja, unidades habitacionais com moradores de diferentes segmentos de renda (classe média, média-baixa e baixa) é importante para diminuir a segregação socioespacial urbana. Permite que famílias de baixa renda tenham acesso a bairros com melhor infraestrutura e também favorece a interação e convívio social entre moradores com diferentes níveis de renda e origens culturais. Como nos Estados Unidos, a proporção de pobres é maior entre latinos e negros, o conceito de habitação social favorece a diminuição da intolerância racial.

Resposta da questão 6:

[A]

A urbanização brasileira foi rápida, desordenada e marcada pela desigualdade social e especulação fundiária e imobiliária. A valorização do solo urbano com elevação do preço dos terrenos, imóveis e aluguéis, somado ao pouco investimento em moradias populares, fez com que milhões de famílias optassem pelos aglomerados subnormais (favelas) como habitação. Assim, grande parte da população urbana foi segregada em sítios de risco com condições precárias de saneamento, educação, saúde e segurança pública.

Resposta da questão 7:

[D]

A revitalização dos centros antigos das cidades envolve ações do poder público para a reabilitação de imóveis deteriorados através do estímulo a procedimentos como o retrofit. Muitos imóveis são reformados, alguns mudam de função e alcançam valores elevados para moradia ou uso comercial. Assim, o retrofit é uma ferramenta da gentrificação, uma vez que a revitalização otimizava infraestrutura existente e atrai classes sociais com maior renda, mas tem como aspecto negativo o afastamento e o deslocamento grupos sociais com menor renda do bairro devido ao seu encarecimento. 

Resposta da questão 8:

[A]

A alternativa [A] está correta porque as principais referências urbanas do arquiteto são a circulação rodoviária e a setorização da cidade, práticas encontradas em Brasília, cidade planejada a partir das grandes quadras e avenidas. As alternativas seguintes são incorretas porque Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte não correspondem ao projeto do arquiteto.

Resposta da questão 9:

[A]

A alternativa A — expansão espacial da cidade e disputa pela ocupação do solo — é a correta porque relaciona o surgimento das primeiras favelas cariocas às transformações urbanas ocorridas no Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX. Nesse período, o Rio de Janeiro apresentava rápido crescimento populacional e passava por um processo de expansão e modernização do espaço urbano. Ao mesmo tempo, as áreas centrais eram cada vez mais valorizadas e submetidas a intervenções do poder público, como demolições de cortiços e abertura de novas vias. Essas transformações intensificaram a disputa pelo solo urbano, dificultando a permanência da população pobre nas áreas mais valorizadas da cidade. Sem uma política pública capaz de oferecer moradias populares em quantidade suficiente, trabalhadores de baixa renda passaram a ocupar terrenos menos valorizados e pouco interessantes ao mercado imobiliário, especialmente morros próximos às áreas centrais, onde estavam concentradas oportunidades de trabalho. O Morro da Providência, originalmente chamado Morro da Favela, tornou-se um dos principais exemplos desse processo. Assim, a formação das favelas está associada a uma contradição característica da urbanização carioca: a cidade se expandia e se modernizava, mas o acesso ao solo urbano era profundamente desigual. A população de menor renda precisava permanecer relativamente próxima dos locais de trabalho, mas era excluída das áreas formalmente valorizadas, recorrendo à ocupação informal de encostas e outros terrenos disponíveis. As demais alternativas estão incorretas porque não identificam essa dinâmica. Não houve, naquele momento, uma ampla política estatal de habitação popular, como afirma a letra B. A decadência agrícola fluminense, mencionada na C, não explica diretamente a localização e a formação das favelas. Já a imigração estrangeira e a industrialização, citadas na D, contribuíram para o crescimento populacional da cidade, mas não constituem o fator central para explicar o surgimento das favelas. O elemento decisivo foi a combinação entre crescimento urbano, valorização imobiliária, desigualdade social e disputa pela ocupação do solo.

Resposta da questão 10:

[A]

Entre 2009 e 2015, observa-se o aumento do número de famílias dentro do deficit habitacional, ou seja, sem acesso a moradia digna. O problema se agravou com a crise econômica e aumento do desemprego nos últimos anos, visto que muitas famílias não conseguem pagar sequer aluguel de imóveis. Uma das consequências é o aumento do número de sem-teto e de movimentos reivindicatórios de moradia que realizam ocupações de imóveis vazios no intuito de pressionar o poder público a investir em moradia popular. Por outro lado, o número de imóveis vazios é maior do que o deficit habitacional, o que revela o papel da especulação imobiliária nas cidades brasileiras. O alto valor dos imóveis e dos alugueis é um fator de exclusão habitacional.

Resposta da questão 11:

[A]

A elevada densidade de habitações nos bolsões de favelamento contribui para construir a imagem estereotipada das favelas. Estão incorretas as alternativas: [B], porque não há padronização de valor no mercado imobiliário das habitações nas favelas; [C], porque a imagem estereotipada aponta para forte sociabilidade; [D], porque o terreno acidentado das favelas é atribuído particularmente ao Rio de Janeiro.

Resposta da questão 12:

[B]

A urbanização acentuada com rápido crescimento das cidades de uma rede urbana favorece a conurbação de seus espaços em torno da cidade principal. Esse processo facilita o surgimento de uma região metropolitana. A conurbação é o processo de união espacial entre duas ou mais cidades sem zona rural entre elas em urbanização contínua.

A alternativa [A] é falsa, a favelização é o processo de expansão de moradias precárias em áreas de risco ou abandonadas ocupadas por populações de baixa renda sem acesso a moradias regularizadas. 

A alternativa [C] é falsa, gentrificação é um neologismo que trata do processo de recuperação de um centro urbano que mostre algum aspecto decadente, provocando uma melhoria e (re)valorização imobiliária. Tanto pode ser organizado pelo capital estatal como pelo capital privado, não havendo regra estipulada.

A alternativa [D] é falsa, a verticalização é a reutilização do espaço urbano substituindo casas e outras plantas baixas por prédios, em geral, de apartamentos ou comerciais.

Resposta da questão 13:

[A]

A alternativa correta é [A], porque a linha de alta velocidade conecta Bordeaux à Paris reduzindo o tempo de viagem, mas não está presente entre Toulose e Paris, o que leva ao aumento de tempo de viagem entre as duas cidades. As alternativas seguintes são incorretas porque a comparação dos mapas permite estabelecer que a posição das diferentes cidades no sistema técnico do país leva à definição do tempo de viagem, portanto, a causa para o fenômeno não é a questão política, a topografia ou a expressão industrial.

Resposta da questão 14:

[D]

Ao longo do tempo, a Baia da Guanabara sofreu os efeitos do processo intenso de urbanização e formação da região metropolitana do Rio de Janeiro, com a expansão de áreas com moradias e com atividade industrial. Assim, muitas áreas foram aterradas para viabilizar a expansão das vias de transporte, principalmente avenidas e rodovias, nas zonas mais valorizadas de municípios como Niterói e Rio de Janeiro, a exemplo das proximidades do centro, Copacabana e entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Resposta da questão 15:

[C]

A alternativa correta é [C], porque o crescimento da cidade encarece o solo urbano ampliando a segregação socioespacial, dessa forma, a população de menor renda é empurrada para áreas marginais cujas políticas públicas são ausentes ou ineficientes. As alternativas incorretas são: [A], porque o problema é de maior complexidade, e não se limitação às ações sanitárias; [B] e [D], porque não ocorreu distribuição das atividades industriais ou suspensão dos transportes ferroviários.

Resposta da questão 16:

[D]

A alternativa correta é [D], porque ao proibir a canalização dos córregos, elimina-se a impermeabilização do solo. As alternativas incorretas são: [A], porque amplia-se a infiltração e não o escoamento; [B], porque ao preservar os córregos, amplia-se a sedimentação nos rios; [C], porque ocorre a manutenção da bacia e não sua ampliação.

Resposta da questão 17:

[B]

Os bairros e regiões do Rio de Janeiro com os piores índices de progresso social apresentam múltiplas carências quanto aos serviços sociais e infraestrutura urbana. Entre os principais problemas, destaca-se a precariedade do transporte coletivo que dificulta a mobilidade urbana.

Resposta da questão 18:

[B]

A alternativa correta é [B], porque a injustiça ambiental é o processo que destina a maior carga de danos ambientais às áreas de população de baixa renda. As alternativas incorretas são: [A], porque inversão térmica é um processo em que uma camada de ar quente fica estacionada sobre o ar frio; [C], porque poluição atmosférica é a emissão de substâncias, partículas e gases prejudiciais à saúde; [D], porque macrocefalia urbana é uma rede onde alguns centros urbanos absorvem uma parcela maciça da população.

Resposta da questão 19:

[C]

A alternativa [C] está correta porque as fotos e o texto indicam que a evolução do bairro da Maré se deu como repositório da população exclusa do processo de urbanização da cidade.

As alternativas incorretas são: [A], porque embora tenha havido intervenção do poder público, este ocorreu com o objetivo de aglomerar a população excluída da cidade; [B], porque o objetivo da construção da avenida Brasil não foi integrar a Maré; [D], porque as obras foram feitas para direcionar a população de menor renda para a região e não para recuperá-la.

Resposta da questão 20:

[A]

A criação das RIDE’s é uma ação integrada dos entes federativos – União, Estados e Municípios – cujo objetivo é a promoção do desenvolvimento econômico e redução das desigualdades sociais de regiões marcadas por uma estagnação socioeconômica. Essas regiões passam a ter prioridades nos investimentos dos recursos públicos com atuação conjunta dos entes da federação. Atualmente existem três RIDE’s: do Distrito Federal (Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais), Petrolina-Juazeiro (Bahia e Pernambuco) e da Grande Teresina (Piauí e Maranhão).